Ferramentas Pessoais
a a a
Revista CH / Revista CH - 2006

Por que em algumas noites a Lua aparece no céu grande e colorida e depois fica pequena e branca?

Pergunta de João Vieira, Rio de Janeiro (RJ)

Por: Wailã de Souza Cruz

Publicado em 01/04/2006 | Atualizado em 25/09/2009

Essa pergunta pode ser dividida em duas. Os motivos de a Lua estar ‘colorida’ ou branca no céu e de parecer ser maior ou menor são diferentes. Mas, realmente, a Lua, logo após nascer ou um pouco antes de se pôr, aparece no céu grande e avermelhada e quando está mais alta, menor e esbranquiçada.

Vamos responder primeiro o porquê de ela ter uma coloração avermelhada. Quando observamos um astro no horizonte – não apenas a Lua –, a luz que nos chega dele atravessa uma massa de ar da atmosfera bem maior do que quando ele está alto no céu, sendo, por isso, mais absorvida. Essa absorção é menos intensa para a cor vermelha, deixando a Lua ou qualquer outro astro com essa coloração. Esse efeito é acentuado pela poluição, pois mais partículas de poeira e gás estão no ar, aumentando a absorção. Conforme a Lua se eleva, a absorção é menor, e, com isso, a vemos mais branca.
Agora vamos para a segunda parte desta pergunta. A idéia de que a Lua é maior quando está próxima do horizonte é bastante antiga. Chineses e gregos já mencionavam esse fato mais de três séculos antes de Cristo. E não é só a Lua: qualquer objeto extenso no céu e perto do horizonte, como uma constelação, também parece maior.

Apesar de muitos perceberem esse efeito, a Lua não fica maior no horizonte! O que acontece é uma ilusão de óptica! Qualquer um pode comprovar isso fotografando a Lua quando ela está no horizonte e quando ela está alta, e comparando os tamanhos. Na verdade, no horizonte ela fica menor, pois está mais afastada, porém nada que conseguíssemos perceber a olho nu. O que é mais incrível é que, no meio científico, ainda não há um consenso sobre o que causa essa ilusão.

Uma explicação bem aceita fala da questão da referência. Ao observarmos a Lua no horizonte, geralmente a comparamos com objetos familiares, como casas, árvores e montanhas, o que dá a impressão de ela ser maior do que quando a observamos bem alta e sozinha no céu. O problema dessa explicação é que a ilusão permanece mesmo quando vemos a Lua no horizonte sem nenhuma referência, como no oceano, o que prova que ela não está completa.

Outras hipóteses consideram a ilusão uma questão fisiológica e tentam explicar por que nosso cérebro se comporta desse jeito. Quais os motivos dessa percepção enganosa? O mistério persistirá até compreendermos melhor como o nosso cérebro funciona e como se desenvolve a nossa percepção óptica.


Wailã de Souza Cruz
Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro  



 
Ações do documento
novobannerch.jpg  

pchael
Assinatura digital

acervo digital

Clique aqui para informações

Suplemento cultural

banner sC

Quer publicar na CH?

Se você é pesquisador e gostaria de submeter um artigo para publicação na Ciência Hoje, confira antes nossas instruções para autores.

Acesso ao conteúdo

A cada nova edição da CH impressa, alguns artigos e seções ficam disponíveis gratuitamente para todos os leitores. Esses itens são identificados com o ícone PDF aberto(para download) ou disponibilizados em uma versão digital reduzida da CH. Os outros artigos e seções (identificados com o ícone PDF fechado) estão disponíveis para assinantes da CH digital e nas compras de edições individuais. Clique aqui para comprar.

RSS

RSS gif

Seja notificado sempre que for publicada na CH On-line uma nova matéria da CH impressa. Saiba mais sobre RSS.

Sua opinião

Caro leitor, gostaríamos de contar com sua colaboração, respondendo a uma breve pesquisa para aprimorarmos ainda mais a qualidade da revista Ciência Hoje. Na edição deste mês: 1) Qual o artigo de que você mais gostou? 2) Qual o artigo de que você menos gostou? Deixe suas respostas nesse fórum ou envie-as para cienciahoje@cienciahoje.org.br. Obrigado por sua participação!

 
Parceria: 

Ciencia Hoy