<?xml version="1.0" encoding="utf-8" ?>
<rdf:RDF xmlns:rdf="http://www.w3.org/1999/02/22-rdf-syntax-ns#"
         xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
         xmlns="http://purl.org/rss/1.0/"
         xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
         xmlns:syn="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/">




    




<channel rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/materias/RSS">
  <title>Na CH impressa</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br</link>
  
  <description>
    
       
       
  </description>
  
  
  
            <syn:updatePeriod>daily</syn:updatePeriod>
            <syn:updateFrequency>1</syn:updateFrequency>
            <syn:updateBase>2009-11-05T19:54:49Z</syn:updateBase>
        
  
  <image rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/logo.jpg"/>
  
  <items>
    <rdf:Seq>
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/o-triangulo-negro-da-abolicao"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/de-olho-nas-aves"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/fuga-no-rio"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/os-plasticos-podem-ser-perigosos"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/sem-perder-a-humanidade-jamais"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/horizontes-das-ciencias-sociais-no-brasil"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/um-intelectual-publico"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/vinho-cancer-e-idoneidade"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/cores-da-floresta"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/parasitoides-insetos-beneficos-e-crueis"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/retrato-de-um-poeta-atormentado"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/cemiterio-dos-pretos-novos"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/ser-ter-e-compartilhar"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/preambulo-da-revolucao-copernicana"/>
        
        
            <rdf:li rdf:resource="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/supermercados-espacos-de-cultura-cientifica"/>
        
    </rdf:Seq>
  </items>

</channel>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/o-triangulo-negro-da-abolicao">
  <title>O triângulo negro da abolição</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/o-triangulo-negro-da-abolicao</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Aqui se contam três histórias: a de um aristocrata urbano, a de um nascido livre que virou escravo e a de um filho de vigário que se tornou jornalista e boêmio. Destinos dessemelhantes. Em comum, a cor de pele e o ativismo político no movimento abolicionista. Cada qual à sua maneira.</p>
<p>A primeira história é a de André Pinto Rebouças (1838-1898), filho de estadista do Império, com acesso aos partidos e à família imperial, posição social completada pela posse de escravos domésticos. Fez a carreira da elite social: curso de engenharia, parte dele na Europa, e obtenção de empregos e oportunidades por <em>lobby</em> junto a políticos e à sociedade de corte.</p>
<div class="pullquote">André Pinto Rebouças se interessou pela abolição em 1867, como parte de seu projeto de modernização do país</div>
<p>Estabeleceu-se como empresário, comandou grandes obras públicas, com salário alto e em posição de gerenciar sua própria política de favores. Foi condecorado pelo imperador D. Pedro II e obteve o cobiçado cargo de professor da Escola Politécnica.</p>
<p>Rebouças se interessou pela abolição em 1867, como parte de seu projeto de modernização do país. O assunto entrava na agenda política, com discussão de uma Lei do Ventre Livre, quando um subordinado seu pediu-lhe a alforria de escravo das obras sob seu comando. Rebouças não só concedeu a liberdade ao Chico encanador, como incluiu o fim da escravidão em sua retórica de empresário modernizador.</p>
<p>No entanto, como os Rebouças tinham escravos em casa, foi logo acusado de “escravagista”. Reagiu alforriando em 1868 “nossa cria Guilhermina” – embora apenas em 1870 libertasse os outros três escravos da casa – e respondeu ao acusador, conforme registra seu diário, em 15 de junho de 1868: “Sou abolicionista de coração (...) e espero em Deus não morrer sem ter dado ao meu país as mais exuberantes provas da minha dedicação à Santa Causa da Emancipação.”</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/292/imagens/triangulonegro02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/imagens/triangulonegro02.jpg/image_preview" alt="Tela 'Libertação dos escravos'" title="Tela 'Libertação dos escravos'" height="279" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">‘Libertação dos escravos’, tela pintada pelo artista brasileiro Pedro Américo em 1889.</dd>
</dl>

<p>O segundo personagem dessa história é Luiz Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882), filho de africana livre, quitandeira, rebelde da revolta malê – a rebelião dos escravos de origem muçulmana, na Bahia, em 1835. A mãe deixou o filho com o pai, fidalgo, que o vendeu como escravo quando ele tinha 10 anos.</p>
<p>Luiz foi levado de Salvador a São Paulo, onde aprendeu ofícios de escravo doméstico e de ganho. Ficou amigo de um estudante de direito, que lhe ensinou letras, leis e política. Aos 18 anos, Gama usou exatamente a lei para se declarar livre. Daí em diante, arranjou vários empregos e, com apadrinhamento de José Bonifácio, o moço, líder do Partido Liberal em São Paulo, chegou à imprensa, onde redigia sátiras contra costumes e instituições.</p>
<div class="pullquote">No fim dos anos 1870, Luiz Gonzaga Pinto da Gama se pôs de crítico do Império nos jornais, com o bordão: o Brasil “sem reis e sem escravos”</div>
<p>Gama experimentava ascensão social e vislumbrou completá-la com o diploma de direito. Mas fecharam-lhe as portas da faculdade. Virou rábula e enturmou com anticlericais, republicanos e abolicionistas. No fim dos anos 1870, se pôs de crítico do Império nos jornais, com o bordão: o Brasil “sem reis e sem escravos”.</p>
<p>O terceiro vértice desse triângulo nasceu da mancebia de liberta quitandeira com vigário-fazendeiro da paróquia de Campos, que o criou – embora negando-lhe o sobrenome. De modo que José Carlos do Patrocínio (1853-1905) foi menino de engenho até a adolescência, quando reagiu à ilegitimidade doméstica estapeando uma das amantes paternas. Então, foi mandado para o Rio de Janeiro, em 1868. Logo perdeu a mesada, mas o circuito de favores do pai assegurou-lhe casa, emprego e vaga na Faculdade de Medicina.</p>
<p>Patrocínio foi tecendo rede de contatos na boemia, com músicos, poetas e atrizes, e no Partido Liberal, e logo se tornou revisor do jornal deles, <em>A Reforma</em>. Tudo ia bem quando foi barrado no meio do curso de medicina, por causa de sua origem – ou da falta dela. Então, em 1873, Patrocínio começou a reclamar das injustiças do Império, em jornaizinhos da faculdade, com poemas como esse, transcrito por seu biógrafo, Raimundo Magalhães Jr. (1907-1981).</p>
<p>“Quebremos essas algemas<br />Que oprimem nossos irmãos, <br />(...) <br />Brademos aos quatro ventos:<br />‘Escravos, sois cidadãos!’”</p>
<p>Patrocínio saiu da faculdade só com diploma de farmacêutico, mas iniciado no republicanismo e no abolicionismo, que difundiu na <em>Gazeta de Notícias</em>, jornal de propriedade de outro mulato, José Ferreira de Araújo (1846-1900), que lhe deu a crônica política. Patrocínio a assinava como ‘Proudhomme’, adaptando a máxima do filósofo francês Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865) ao contexto local: “A escravidão é um roubo!”<br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu apenas o início do artigo publicado na <a title="Edição 292" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/292">CH 292</a>. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. <dl class="image-inline captioned">
<dt><a title="O triângulo negro da abolição" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/292/pdf_aberto/abolicao292.pdf"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" title="PDF aberto (gif)" height="13" width="38" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:38px"></dd>
</dl>
</div>
<p><strong><br />Angela Alonso</strong><br />Departamento de Sociologia<br />Universidade de São Paulo</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Angela Alonso</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>História do Brasil</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Escravidão</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Sociologia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-21T13:25:19Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/de-olho-nas-aves">
  <title>De olho nas aves</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/de-olho-nas-aves</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Há quem viaje longas distâncias com o objetivo exclusivo de avistar pássaros em liberdade. Ornitólogos e entusiastas dessa prática podem contar agora com uma entidade nacional que pretende criar instrumentos para estimular, facilitar e difundir a atividade no país. Inaugurada em outubro de 2011, a <a class="external-link" href="http://www.aboaves.org">Associação Brasileira de Observadores de Aves</a> (Aboa) já reúne mais de 600 membros.</p>
<p>Estranhamente, o Brasil ainda não tinha uma instituição de âmbito nacional com esse propósito – mesmo sendo o segundo país com maior biodiversidade de aves no mundo. As iniciativas resumiam-se a grupos regionais com limitada atuação e, em geral, pouca estrutura.</p>
<p>“A Aboa vem preencher essa lacuna”, diz o ornitólogo Sandro Von Matter, um dos fundadores da associação. “Nossa meta inicial é integrar todos esses grupos e clubes já existentes, hoje espalhados por todo o Brasil”, completa.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/292/imagens/deolhonasaves02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/imagens/deolhonasaves02.jpg/image_preview" alt="Observadores de aves" title="Observadores de aves" height="305" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Observadores de aves em ação, navegando pelo rio Juruena, na região norte do Mato Grosso. Com a recém-criada Aboa, espera-se que essa atividade seja cada vez mais difundida no país. (foto: Bruno Rennó)</dd>
</dl>

<p>A ideia, embora concretizada somente no ano passado, já vinha sendo discutida desde 2010, quando Von Matter lançou <a class="external-link" href="http://books.google.com.br/books?id=943ai6ePVzoC&amp;lpg=PA2&amp;dq=Ornitologia%20e%20Conserva%C3%A7%C3%A3o%3A%20Ci%C3%AAncia%20aplicada%2C%20t%C3%A9cnicas%20de%20pesquisa%20e%20levantamento&amp;hl=pt-BR&amp;pg=PA6#v=onepage&amp;q&amp;f=false"><em>Ornitologia e conservação: ciência aplicada, técnicas de pesquisa e levantamento</em></a>, o primeiro livro editado no Brasil sobre métodos de pesquisa com aves, considerado um marco para a ornitologia nacional.<br /><br /></p>
<h3 align="center"><a title="De olho nas aves" class="internal-link" href="/galeria/de-olho-nas-aves">Confira imagens feitas por observadores de aves</a></h3>
<p><br />Atualmente o país mais cobiçado em relação à observação de aves é a Colômbia, com 1.819 espécies registradas (72 das quais são endêmicas). O Brasil fica em segundo lugar, com 1.757 espécies (211 endêmicas). Em seguida vêm Peru, Equador, Bolívia, Venezuela e Argentina – o que faz da América do Sul um dos destinos mais bem cotados para viajantes determinados a contemplar aves.</p>
<p>Em território brasileiro, ao contrário do que se imagina, o bioma mais abundante em diversidade de aves endêmicas não é a Amazônia, e sim a floresta atlântica. Não por acaso, os grupos mais ativos de observadores de aves localizam-se na região Sudeste do país. “A prática de observar aves como uma atividade de lazer diferenciada é muito difundida no mundo todo, mas, ironicamente, no Brasil ela ainda é bastante tímida”, avalia Von Matter.<br /><br /></p>
<h3>Aliança pela preservação</h3>
<p>Também está na agenda da associação difundir a observação de aves na mídia – afinal, a atividade é considerada importante aliada do desenvolvimento sustentável, especialmente quando o assunto é ecoturismo. “Visamos à proteção dos ecossistemas a que as aves pertencem, assim como à mudança de atitude das pessoas, ao oferecer a alternativa saudável de apreciar aves em liberdade a grupos que no passado as aprisionavam”, diz o fundador da Aboa.</p>
<dl class="image-inline captioned">
<dt><a rel="lightbox" href="/galeria/de-olho-nas-aves/Soco-boi-Tigrisoma-lineatum-foto-Joao-Quental.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/galeria/de-olho-nas-aves/Soco-boi-Tigrisoma-lineatum-foto-Joao-Quental.jpg/image_preview" alt="Socó-boi" title="Socó-boi" height="266" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Socó-boi (‘Tigrisoma lineatum’), ave encontrada nas Américas do Sul e Central. Vive nas margens de lagos e rios, e sua infalível estratégia de caça é permanecer imóvel por longos períodos, até encontrar presas infortunadas. (foto: João Quental)</dd>
</dl>

<p>O próximo passo é incluir o assunto na pauta da <a class="external-link" href="http://www.rio20.gov.br/">Rio+20</a>. A propósito, a Aboa pretende realizar seu primeiro encontro oficial durante a conferência, quando serão discutidas estratégias de conservação de aves e seus biomas.</p>
<p>Von Matter cita ainda um exemplo interessantíssimo de como a observação de pássaros pode render mudanças sociais significativas: o projeto <a class="external-link" href="http://www.birds.org.il/SIP_STORAGE/FILES/4/1424.pdf"><em>Birds as peacemakers in the Middle East</em></a>. “Essa iniciativa conseguiu nada menos que unir israelenses e palestinos em torno da preservação de aves”, diz o ornitólogo, lembrando que o projeto é um sucesso há 15 anos.</p>
<p>“Por que não utilizar essa prática para trabalhar a criminalidade em comunidades carentes?”, sugere o fundador da Aboa. “Podemos oferecer aos jovens um curso de formação de guias de observação de aves. Esse é um dos próximos objetivos de nossa entidade.”<br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado"><strong>Mercado bilionário</strong><br />A observação de pássaros, internacionalmente conhecida como 
<em>birdwatching</em>, movimenta bilhões de dólares todos os anos. Somente nos 
Estados Unidos, <a class="external-link" href="http://library.fws.gov/Pubs/birding_natsurvey06.pdf">segundo estimativas do Serviço de Pesca e Vida Selvagem 
dos Estados Unidos</a>, são mais de 30 bilhões de dólares anuais.<br /><br />Existem hoje mais de 120 agências ao redor do mundo especializadas em 
turismo de observação de aves. O preço médio de uma viagem curta em 
grupos de até 12 integrantes é de 4 mil dólares por pessoa. Algumas 
companhias conseguem agendar até 150 expedições por ano. No Brasil, 
ainda são poucas as agências exclusivamente dedicadas a esse mercado.</div>
<h3 align="center"><a title="Fuga no rio" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/292/fuga-no-rio"><br />Confira depoimento de Sandro Von Matter sobre uma de suas aventuras durante a observação de aves</a></h3>
<p><br /><strong>Henrique Kugler</strong><br />Ciência Hoje On-line<br /><br /><em>Este texto complementa a nota ‘Pássaros à vista’, publicada na <a title="Edição 292" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/292">CH 292 </a>(maio de 2012).</em></p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Henrique Kugler</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Em dia +</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Biologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Preservação</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Aves</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Ornitologia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-18T17:20:46Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/fuga-no-rio">
  <title>Fuga no rio</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/fuga-no-rio</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Em 2008, visitamos as florestas do rio Araguaia, nas proximidades do município de Caseara, no Tocantins. Enquanto descansávamos às margens de um pequeno braço do Araguaia, ouvimos um canto desconhecido do outro lado do rio – poderia ser uma espécie nunca antes vista naquela região!</p>
<p>Empolgados e sem pensar muito, eu e meu amigo Bruno Rennó mergulhamos na água com binóculos e equipamento de fotografia na cabeça; nadamos em direção à outra margem. Mas, quando já estávamos dentro d'água, percebemos que a menos de 30 metros nadava um jacaré-açu (<em>Melanosuchus niger</em>) com no mínimo 6 metros de comprimento.</p>
<div class="pullquote">Enquanto atravessávamos o rio, o jacaré-açu virou-se em nossa direção e começou a nadar até nós</div>
<p>Apesar da presença indesejada, chegamos à outra margem. Mas a ave misteriosa, para nossa decepção, imediatamente voou para longe. Começamos então a nadar de volta para a margem onde estávamos inicialmente.</p>
<p>Porém, enquanto atravessávamos o rio, o jacaré-açu virou-se em nossa direção e começou a nadar até nós. Como já estávamos no meio do caminho, continuamos nadando o mais rápido possível. O jacaré já estava a uns 10 metros de nós, aproximando-se cada vez mais e, de repente, mergulhou – o que aumentou nosso medo e quadruplicou nossa velocidade.</p>
<p>Foi incrível como nessa hora nós retiramos força de algum lugar e nadamos tão rápido que praticamente pulamos para fora do rio. Felizmente o jacaré sumiu, nada aconteceu e hoje estamos aqui fundando a Associação Brasileira de Observadores de Aves.<br /><br /><strong>Sandro Von Matter</strong><br />Associação Brasileira de Observadores de Aves</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Sandro Von Matter</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Em dia +</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Biologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Preservação</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Aves</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Ornitologia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-17T14:33:31Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/os-plasticos-podem-ser-perigosos">
  <title>Os plásticos podem ser perigosos?</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/os-plasticos-podem-ser-perigosos</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>É crescente o número de substâncias químicas, presentes em plásticos, suspeitas de atuar como hormônios artificiais ou de interferir no sistema endócrino, levando a doenças e disfunções em adultos e crianças e a malformações em embriões. A questão desperta grande preocupação porque os plásticos são virtualmente onipresentes na vida humana contemporânea, sendo empregados na fabricação de uma infinidade de produtos, muitos deles destinados a crianças ou a hospitais.</p>
<div class="pullquote">É crescente o número de substâncias químicas, presentes em plásticos, 
suspeitas de atuar como hormônios artificiais ou de interferir no 
sistema endócrino</div>
<p>Em mulheres, a exposição a agentes artificiais que imitam o hormônio feminino natural (estrogênio) é o principal fator de risco para o desenvolvimento de doenças como endometriose e câncer (de mama e de útero). Já a exposição de homens adultos a essas substâncias também pode causar câncer, além de levar à impotência ou induzir crescimento de mamas (ginecomastia) e redução do desejo sexual, dos níveis de hormônio masculino (androgênio) no sangue e do número de espermatozoides.</p>
<p>Substâncias artificiais quimicamente muito diferentes agem como interferentes no sistema hormonal. Por isso, é difícil predizer se um material apresentará essa propriedade a partir de sua estrutura química.</p>
<p>O dicloro-difenil-tricloroetano, inseticida conhecido pela sigla DDT, largamente utilizado por décadas e hoje de uso banido na agricultura, foi o primeiro produto químico artificial em que a atividade hormonal foi identificada. Ainda em 1949, foi relatado que homens que pilotavam os aviões usados para aplicar esse inseticida nas plantações apresentavam baixas contagens de espermatozoides. Desde então, outros compostos químicos que afetam o sistema hormonal humano foram descobertos.<br /><br /></p>
<h3>Suspeitas crescentes</h3>
<p>Os efeitos dos compostos presentes nos plásticos no organismo humano ainda estão sendo investigados, mas suspeita-se que eles tenham participação relevante em problemas de saúde que vêm se tornando mais frequentes na população mundial nas últimas décadas.</p>
<p>De 1990 a 2005, constatou-se um aumento de 19% na incidência mundial de câncer, doença responsável hoje por mais de 12% das mortes no planeta: estima-se que os vários tipos de câncer vitimem mais de sete milhões de pessoas por ano. No Brasil, os cânceres representam a segunda principal causa de mortes de mulheres e a terceira, no caso dos homens. Em 2009, segundo dados do Ministério da Saúde, 172.255 pessoas morreram de câncer no Brasil, o que representou 15,6% do total de mortes no país.</p>
<div class="pullquote">Pesquisas mostram que diversas anomalias congênitas em animais 
de laboratório e seres humanos são causadas por exposição a alguns 
compostos químicos artificiais</div>
<p>Estudos epidemiológicos também têm revelado que, nos últimos 60 anos, em alguns países, em especial os desenvolvidos, e principalmente na Europa, a contagem média de espermatozoides (por indivíduo) caiu à metade e que dobrou a incidência de malformações do sistema reprodutivo masculino em recém-nascidos.</p>
<p>Em relação às malformações congênitas, avalia-se que, em média, entre 3% e 5% das crianças nascem, no mundo, com esse tipo de problema. No Brasil, as malformações foram, em 2009, a segunda causa de falecimento de crianças até um ano: 18,3% do total de 7.817 mortes naquele ano. Entre 20% e 25% dessas malformações são atribuídas a causas genéticas, mas com frequência as causas não são identificadas. No entanto, pesquisas têm evidenciado que diversas anomalias congênitas em animais de laboratório e em seres humanos são provocadas por exposição a alguns compostos químicos artificiais, como bisfenol A, ftalatos e alquilfenóis.<br /><br /></p>
<h3>Componente tóxico</h3>
<p>Por muitos anos, o bisfenol A (BPA) tem sido uma das substâncias químicas de maior produção ao redor do mundo. É empregado na fabricação de diversos plásticos, presentes em muitos itens, inclusive mamadeiras, garrafas de água mineral, selantes dentários, latas de conserva, tubos para água, CDs e DVDs, impermeabilizantes de papéis e tintas. Todos esses materiais, ao sofrer a ação de processos físicos ou químicos, liberam bisfenol A em alimentos, em bebidas e no ambiente.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/292/imagens/copy_of_plasticos02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/292/imagens/copy_of_plasticos02.jpg/image_preview" alt="Mamadeira" title="Mamadeira" height="312" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">A detecção do bisfenol A em mamadeiras feitas de policarbonato levou vários países, entre eles o Brasil, a proibir a fabricação e a venda desse artigo infantil com o composto. (foto: Flickr/ Tex Batmart – CC BY-NC-ND 2.0)</dd>
</dl>

<p>Essa substância, de reconhecida atividade hormonal, foi detectada, por exemplo, na saliva de pacientes tratados com selador dentário à base de resina derivada do BPA (uma hora após o tratamento e em quantidades suficientes para estimular a proliferação de células de câncer de mama), em mamadeiras de plástico (policarbonato) e sob condições semelhantes às do uso normal, em líquidos de latas de conservas de alimentos revestidas por resina contendo BPA (que também estimularam a proliferação das células de câncer de mama), em amostras de leite e na água mineral acondicionada em galões de policarbonato, entre muitos outros itens.</p>
<p>Pesquisa baseada na análise de fluidos corporais, nos Estados Unidos, encontrou o BPA em 95% das amostras e levou os pesquisadores a concluir que “a frequente detecção da substância sugere que os habitantes estão amplamente expostos a ela”. Os autores destacaram que as concentrações de BPA em fluidos corporais humanos são pelo menos mil vezes superiores às concentrações necessárias para a ocorrência dos efeitos em células descritos em estudos científicos.</p>
<p>Esses resultados, segundo os autores do estudo, indicam que a substância já deve estar provocando amplos efeitos biológicos em humanos. Particularmente preocupantes são os elevados níveis de BPA detectados em cordões umbilicais, no soro materno durante a gravidez e no fluido amniótico uterino durante o período de maior sensibilidade do feto aos efeitos danosos dos interferentes hormonais. <br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu apenas o início do artigo publicado na <a title="Edição 292" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/292">CH 292</a>. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. <dl class="image-inline captioned">
<dt><a title="Os plásticos podem ser perigosos?" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/292/pdf_aberto/plastico292.pdf"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" title="PDF aberto (gif)" height="13" width="38" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:38px"></dd>
</dl>
</div>
<p><br /><strong>Sônia Corina Hess</strong><br />Universidade Federal de Santa Catarina (<em>campus</em> de Curitibanos)</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Sônia Corina Hess</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Toxicologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Saúde pública</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-15T00:12:04Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/sem-perder-a-humanidade-jamais">
  <title>Sem perder a humanidade jamais</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/sem-perder-a-humanidade-jamais</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Leitor inveterado, fã de Shakespeare, mantém diálogo constante com as obras de René Descartes e William James, frequenta assiduamente concertos de música clássica e tem como interlocutor um dos mais cultuados violoncelistas do mundo, Yo-Yo Ma. Além disso, é cinéfilo e admirador profundo de Orson Welles. Sabe de cor as músicas de Tom Jobim e “poderia até cantá-las” para o repórter, se não tivesse “medo de fazer vergonha”. Não é um crítico de arte, jornalista cultural ou filósofo. Do outro lado da linha do telefone, quem fala é António Damásio, neurocientista português radicado há mais de 30 anos nos Estados Unidos.</p>
<p>Num português típico, mas bastante influenciado por expressões americanas, Damásio, diretor do Instituto do Cérebro e Criatividade, na Universidade do Sul da Califórnia, falou com a <em>Ciência Hoje</em>, entre outros assuntos, do livro que lançou há pouco no Brasil, o celebrado <em>E o cérebro criou o homem</em> (Companhia das Letras, 2011).</p>
<p>O português de 68 anos também é autor de outros três livros, entre eles o igualmente festejado <em>O erro de Descartes</em> (Companhia das Letras, 1996), obra que o fez despontar para um público mais amplo e na qual defende o fim do dualismo entre emoção e razão.</p>
<p>Em seu novo livro, Damásio investiga a consciência humana e o lugar do cérebro em que o <em>self</em> – o ego – se forja. Ao mesmo tempo, busca respostas para como e quando começamos a sentir o mundo por meio da subjetividade construída pelo nosso eu. Individualidade. Questão cara a cientistas, sem dúvida, mas com diálogo estreito com qualquer exercício de investigação do homem.<br /><br /><strong>Como é o dia a dia do senhor no instituto?</strong><br />Temos um programa com diversos investigadores. Nesta semana, fizemos trabalhos sobre a emoção e o sentimento. Estamos a tentar perceber qual é a base neuronal do processo de sentir do corpo, sentir coisas como dor ou prazer, alegria ou zanga.</p>
<div class="pullquote">Estamos a tentar perceber qual é a base neuronal do processo de sentir do corpo</div>
<p>Continuamos também a desenvolver trabalhos sobre a consciência, tentamos perceber qual é a base neuronal do processo de estar alerta e consciente. Consciente do seu próprio eu, consciente daquilo que nos rodeia. Além disso, fazemos experiências que têm a ver com a música, pois estamos a tentar perceber como o cérebro processa os estímulos musicais – a maneira como o cérebro se organiza não apenas para fazer música, mas também para apreciar música.<br /><br /><strong>Em <em>E o cérebro criou o homem</em>, o senhor diz que o tronco cerebral seria a região onde o <em>self</em> se forma. Essa hipótese é a ideia original da obra. Como uma região que regula funções de níveis tão primários, como a respiração e o funcionamento dos órgãos, poderia ser o lugar em que aparece a nossa primeira noção de individualidade?</strong><br />O tronco cerebral tem a capacidade de representar internamente aquilo que está a passar dentro do corpo e essa representação é aquilo que chamamos de sentimento, o mais simples de todos, que é o sentimento primordial. E há qualquer coisa de muito importante aí. É uma capacidade de representação que está ligada aos valores da vida desde o princípio.</p>
<p>Desde o início, cada um desses microssistemas, cada uma dessas células vivas, tem um valor positivo ou negativo, que faz a vida funcionar bem ou mal. Todas as nossas células podem estar num sistema de equilíbrio ou num sistema que está a caminhar para a doença e a morte. E é daí que parte todo o nosso sentimento. Nosso sentimento positivo, de bem-estar, alegria, prazer. Ou o sentimento de punição. Variamos entre a recompensa e o castigo. Tudo isso está presente nas menores células dos trilhões que temos no nosso corpo. Há sempre essa dualidade, que está organizada ao nível do tronco cerebral. E é daí que nascem pela primeira vez esses sentimentos primordiais: o sentimento de bem-estar ou o sentimento de doença e mal-estar.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/291/imagens/semperderahumanidade02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/imagens/semperderahumanidade02.jpg/image_preview" alt="Bem-estar e mal-estar" title="Bem-estar e mal-estar" height="293" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">No tronco cerebral estariam organizados nossos sentimentos primordiais, que podem variar entre o bem-estar e o mal-estar. (foto: Sachin Ghodke/ Sxc.hu)</dd>
</dl>

<p><br /><strong>Como esse sentimento primordial consegue dialogar com sentimentos mais concretos e conscientes?</strong><br />Os sistemas que temos foram desenvolvidos ao longo de bilhões de anos, surgiram de modo muito lento durante a evolução, e lentamente também apareceram novos níveis de processamento, de organização. Portanto, a princípio, existia o tronco cerebral mais simples, que servia para regular o metabolismo e as respostas úteis às oportunidades e aos perigos do ambiente. Depois, a apreciação das coisas deixou de servir apenas à autorregulação e começou a servir também para interagirmos com aquilo que se passa no mundo à volta, àquilo que se ouve e se sente.</p>
<div class="pullquote">A apreciação das coisas deixou de servir apenas à autorregulação e 
começou a servir também para interagirmos com aquilo que se passa no 
mundo à volta</div>
<p>À medida que essas apreciações tornaram-se mais complexas, houve novos sistemas que se foram colocando em camadas, um em cima do outro – primeiro o tronco cerebral, depois o hipotálamo, depois o tálamo, no córtex central. Esses sistemas vão criando novas imagens sobre aquilo que é o corpo propriamente dito. A princípio, são apenas imagens do corpo em bem-estar ou mal-estar. Aos poucos, ganham-se novas imagens que têm a ver não só com o corpo, mas com aquilo que está à volta do corpo. Daí começa a haver essa noção das outras coisas – a noção do outro, daquilo que está à volta. Todos os sistemas estão ligados uns aos outros!<br /><br /><strong>No instituto, há também um forte trabalho com o estudo de imagens do cérebro, certo?</strong><br />Sim, minha mulher, Hanna Damásio, está a fazer várias pesquisas para conseguir desenvolver certos métodos com a ressonância magnética. Queremos perceber quais são as vias de comunicação entre as diversas zonas do cérebro e do tronco cerebral. Esse é um trabalho que está a me ocupar muito, porque é muito importante e mostrará novos caminhos de pesquisa para o futuro.<br /><br /><strong>O senhor é ligado ao que acontece na pesquisa científica portuguesa?</strong><br />Muito. Sou muito ligado a Portugal. Vou lá várias vezes por ano. Tenho imenso gosto das coisas que ocorrem em Portugal, faço parte de comitês de gestão da ciência por lá. O país tem belíssimos investigadores.<br /><br /><strong>Tanto Brasil quanto Portugal não são tradicionalmente reconhecidos por praticar ciência de ponta. O senhor, inclusive, teve de sair no começo da carreira de seu país para pesquisar nos Estados Unidos. Como vê hoje o movimento de alguns países em desenvolvimento de resgate desses cérebros que ainda atuam no exterior?</strong><br />Isso tem a ver com a falta de motivação para investir na ciência por muitos anos. Mas isso está a mudar agora. Por exemplo, cinco investigadores de Portugal ganharam recentemente verbas para pesquisa do prestigiado Instituto Howard Hughes. Portugal ficou atrás apenas da China, que teve sete investigadores selecionados. Há qualquer coisa que se passa em Portugal que é importante. Não posso ter cinco investigadores num grupo de pouco mais de 20 à toa! É evidentemente sinal de que se está a dar grandes passos.</p>
<p>É claro que o Brasil tem mesmo que fazer isso também e vai fazer, porque é um país muito grande, de enorme capacidade, tanto do ponto de vista econômico quanto intelectual. Portanto, basta haver esse esforço para que as universidades e os centros universitários possam ter verbas disponíveis para fazer o grande orçamento da ciência. Quando isso acontecer, as coisas vão caminhar muito bem. Até porque, se o Brasil pode fazer aviões, também pode fazer ciência [risos].<br /><br /><strong>Algumas questões com que o senhor tem de lidar, e parece lidar até com certo gosto, são os dilemas filosóficos e existenciais do ser humano. O que pensa sobre a autoconsciência – a noção consciente da existência de uma consciência reguladora? Esse é um dilema tão antigo quanto moderno, tratado pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) e também por escritores contemporâneos. Como lidar com essa questão e, ao mesmo tempo, buscar no corpo humano o lugar físico onde essa consciência é forjada?</strong><br />Infelizmente, posso apenas responder a pergunta do ponto de vista científico. Na ciência, queremos perceber como o sistema nervoso e suas vias de comunicação podem construir os elementos que nos permitem saber que estamos vivos e temos sentimentos. O que me apetece é saber como o cérebro é capaz de construir essa imagem que temos de nós próprios e daquilo que nos rodeia. Esse é um problema complexo, que remonta ao início do século passado.</p>
<div class="pullquote">O que me apetece é saber como o cérebro é capaz de construir essa imagem que temos de nós próprios e daquilo que nos rodeia</div>
<p>À medida que temos mais conhecimento dos neurônios e do modo como eles se interligam, das diversas regiões do cérebro e da maneira como elas trabalham, vamos começando a criar uma ideia de como isso é possível. Mas é um problema enorme, um problema que não está resolvido completamente, mas estamos a fazer progresso.</p>
<p>Esse é provavelmente o ponto do meu trabalho. Sei que há um aspecto que pode ser tratado pela filosofia e por outras produções intelectuais. Tem a ver com como esses conhecimentos influenciam o nosso modo de vida, o modo como olhamos para os outros, como percebemos as estruturas sociais e como a própria história humana está a ser construída. Mas esse é outro experimento, que me interessa muito como ser humano, mas é um problema do qual não posso tratar porque não tenho os meios científicos para fazê-lo.<br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu apenas o início da entrevista publicada na <a title="Edição 291" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291">CH 291</a>. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. <dl class="image-inline captioned">
<dt><a title="António Damásio – Sem perder a humanidade jamais" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291/pdf_aberto/entrevista291.pdf"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" title="PDF aberto (gif)" height="13" width="38" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:38px"></dd>
</dl>
</div>
<p><br /><strong>Thiago Camelo</strong><br />Especial para Ciência Hoje/ RJ</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Thiago Camelo</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Neurociência</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-10T14:08:11Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/horizontes-das-ciencias-sociais-no-brasil">
  <title>Horizontes das ciências sociais no Brasil</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/horizontes-das-ciencias-sociais-no-brasil</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>As ciências sociais sempre estiveram atormentadas por uma ambição e um dilema. Elas ambicionam tornar-se a forma habitual e autorizada de reflexão de uma sociedade complexa sobre si mesma. Essa pretensão carrega um preço: a necessidade de articular acessibilidade e cientificidade, demanda que muitas vezes surge sob a forma de um dilema. Como todas as ciências modernas, elas são um modo racional de resolver problemas, escolhidos pelos seus praticantes e/ou pela sociedade.</p>
<div class="pullquote">Para as ciências sociais, a acessibilidade é tão relevante quanto a sua cientificidade</div>
<p>Desse ponto de vista, não se distinguem da física, considerada a ciência modelar da modernidade. Mas dela se diferenciam pelo objeto, com consequências de monta, e pela exigência de acessibilidade que, no caso da física, poderia significar uma ameaça fatal ao seu desenvolvimento. Para as ciências sociais, a acessibilidade é tão relevante quanto a sua cientificidade, de tal modo que elas estão sempre submetidas a uma dupla tentação, ou tensão: a de se fecharem em um domínio exclusivo de poucos iniciados – à maneira da física – ou de se transformarem em um mero discurso persuasivo, protegido pela aura paradoxal da razão. Entre Cila e Caríbdis, elas, no entanto, se movem.</p>
<p>Essas observações vêm a propósito de uma coletânea lançada pela Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) no fim de 2010, com o título <em>Horizontes das Ciências Sociais no Brasil</em>, destinada a levar a um público mais amplo o que vem sendo feito nas últimas décadas pela nossa antropologia, nossa ciência política e nossa sociologia. A coletânea, coordenada por Carlos Benedito Martins, é composta de três volumes, cada um deles cobrindo a produção dessas áreas.</p>
<p>Os organizadores dos volumes são os primeiros a concordar que não foi possível retratar fielmente a complexidade constitutiva das ciências sociais no Brasil contemporâneo. Mas nem era essa a intenção, dados o tempo e o espaço disponíveis. O valor dessa coletânea pode ser estimado, no entanto, pela lembrança das exigências postas às ciências sociais – a da cientificidade e a da acessibilidade –, sem as quais elas não cumprem a sua ambição maior.</p>
<div class="pullquote">A coletânea é uma reflexão dos cientistas sociais sobre sua própria prática. Mas é também uma prestação de contas à sociedade</div>
<p>De um lado, a coletânea é uma reflexão dos cientistas sociais sobre sua própria prática, que implica a permanente eleição de problemas e a escolha dos modos de enfrentamento e resolução desses mesmos problemas. Ainda que nem tudo esteja considerado, a coletânea é uma revelação do modo de proceder das ciências sociais no país, capturando a dinâmica que comanda a constituição de campos temáticos fundamentais e o desdobramento do debate que lhes oferecem profundidade e eficácia. Assim, os vários artigos reunidos expõem a natureza metódica do empreendimento das ciências sociais entre nós.</p>
<p>De outro lado, essa exposição é feita tanto para os próprios cientistas – ou para estudantes de ciências sociais – quanto para a sociedade. De tal modo que esta possa julgar se o elenco dos problemas estabelecidos pelas ciências sociais corresponde, de fato, aos problemas que ela julga cruciais, e se a reflexão desenvolvida por elas pode efetivamente significar passos decisivos na resolução dos desafios que ela vê como urgentes.</p>
<p>É possível dizer que, na sua forma e no seu conteúdo, esta coletânea expressa a confiança de uma comunidade de cientistas no seu modo de proceder e na relevância de seu trabalho. Mas é também uma prestação de contas à sociedade, é um movimento de abertura e de convite para que ela faça das ciências sociais uma de suas armas reflexivas.<br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu a resenha da coletânea <em>Horizontes das Ciências Sociais no Brasil</em> publicada na <a title="Edição 291" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291">CH 291</a>. Clique no ícone a seguir para baixar as resenhas de cada volume. <dl class="image-inline captioned">
<dt><a title="Horizontes das ciências sociais no Brasil" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291/pdf_aberto/resenha291.pdf"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" title="PDF aberto (gif)" height="13" width="38" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:38px"></dd>
</dl>
</div>
<p><br /><strong>Rubem Barboza Filho</strong><br />Departamento de Ciências Sociais<br />Universidade Federal de Juiz de Fora</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Rubem Barboza Filho</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Sociologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Livros</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Ciências sociais</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Ciência política</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-07T14:12:09Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/um-intelectual-publico">
  <title>Um intelectual público</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/um-intelectual-publico</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Esta entrevista começou a ser realizada em uma pequena sala do antigo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) – atual Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) – onde, por 30 anos, trabalhou o cientista social Luiz Werneck Vianna. Era tempo de reformulações e, um ano mais tarde, a entrevista prosseguiu em nova sala, dessa vez no Departamento de Sociologia e Política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde, além de professor, Werneck Vianna é coordenador do Cedes (Centro de Estudos Direito e Sociedade).</p>
<div class="pullquote">Werneck Vianna: “Sou um velho comunista, porém sem partido”</div>
<p>A sala é outra, mas lá estão as mesmas estantes repletas de livros, as obras de Karl Marx (1818-1883) e Antonio Gramsci (1891-1937) em vários idiomas, além de títulos sobre direito e outros da sua própria autoria, como os clássicos <em>Liberalismo e sindicato no Brasil</em>, reeditado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2000, <em>A revolução passiva: iberismo e americanismo no Brasil</em> (Rio de Janeiro: Revan, 1997), pelo qual recebeu o Prêmio Sérgio Buarque de Holanda, da Biblioteca Nacional; <em>A judicialização da política e das relações sociais no Brasil</em> (Rio de Janeiro: Revan, 1999), um dos frutos da agenda de pesquisas sobre direito, percorrida com Maria Alice Rezende de Carvalho, Manuel Palácios e Marcelo Burgos; e <em>Democracia e os três poderes no Brasil</em> (Belo Horizonte: UFMG, 2002). Marx e Gramsci nos observam em retratos em preto-e-branco, fixados nas paredes. “Sou um velho comunista”, diz Werneck Vianna, “porém sem partido”.</p>
<p>Há um ano, a conversa começou de maneira previsível: falou-se sobre o resultado das eleições presidenciais. Werneck Vianna fez, então, uma análise política que combinava o longo curso da história brasileira com o resultado contextual das urnas. Dessa vez, a entrevista teve início com um sumário dos seus artigos sobre conjuntura, publicados nos jornais <em>Valor</em> e <em>O Estado de S. Paulo</em>, dentre outros, e que acabam de ter uma primeira seleção editada – <em>A modernização sem o moderno</em> (Brasília, Fundação Astrogildo Pereira, 2011).</p>
<p>É prazeroso ver e ouvir um intelectual com 50 anos de experiência dedicado ao estudo da política – quando não a ela própria – organizando suas ideias, refletindo ao ritmo das perguntas. “O mundo está ficando mais duro, mais difícil. Agora, se trata de operar o lançamento de um capitalismo fundamentalmente moderno no Brasil.”</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/291/imagens/umintelectual02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/imagens/umintelectual02.jpg/image_preview" alt="Luiz Werneck Vianna durante discurso" title="Luiz Werneck Vianna durante discurso" height="332" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Luiz Werneck Vianna discursa na esquina da Rua do Ouvidor com a Av. Rio Branco, em 1985, em defesa da Constituinte. (foto: Arquivo pessoal)</dd>
</dl>

<p>A excelência de sua produção intelectual e a constante preocupação em utilizá-la para decifrar o nosso país o aproximou de outros pensadores de primeira linha, como o historiador José Murilo de Carvalho, membro das academias brasileiras de Letras e de Ciências. Eles se conheceram no Iuperj, em 1978, e lá conviveram por cerca de 20 anos. “De início, tínhamos pouco em comum. Mas logo nos aproximamos e passei a admirá-lo como pensador e intelectual público. Só tive que me acostumar ao seu estilo de falar, pontuado por longas pausas. No começo, achava que ele perdia o rumo do raciocínio. Depois descobri que era um estilo de pensar, ou uma técnica retórica para criar suspense”, comenta Carvalho.</p>
<p>O reconhecimento mais recente do valor da obra desse carioca nascido em 1938, pai de quatro filhos e avô de oito netos, é a criação da cátedra Luiz Werneck Vianna na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O lançamento foi marcado com o 1º Seminário da Cátedra Luiz Werneck Vianna, realizado pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais do Instituto de Ciências Humanas da UFJF, em dezembro de 2010.</p>
<p>O seminário reuniu grandes nomes das ciências sociais brasileiras, com conferências de José Murilo de Carvalho e Francisco Weffort, mas também abriu espaço para a participação de jovens praticantes da disciplina, recém-doutores ou alunos em estágio final de formação. O resultado é o que se encontra no livro <em>Uma sociologia indignada. Diálogos com Luiz Werneck Vianna</em>, que acaba de ser publicado pela editora da UFJF, sob a coordenação de Ruben Barbosa e Fernando Perlato.</p>
<div class="pullquote">Werneck Vianna: “Minha vida não é linear... É feita de saltos, interrupções, corridas e 
paradas...”</div>
<p>O título foi extraído de uma afirmação da antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, que se aproximou de Werneck Vianna quando ele presidia a Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) e ela era membro do Comitê Acadêmico da entidade. “Não lhe interessa”, diz Schwarcz, “a cópia de conceitos e modelos, mas sim a sua tradução e absorção a partir de interesses e lógicas locais. A realização plena da democracia é seu tema teórico e prático. Por isso ele mistura reflexão e militância com maestria e determinação. Autor de uma sociologia indignada faz da indignação uma forma de ser e estar no mundo. Vale muito estar perto dele, na sua órbita luminosa”.</p>
<p>Para Luiz Werneck Vianna, tudo isso – a criação da cátedra, a publicação do livro em sua homenagem, o Prêmio Florestan Fernandes 2011, concedido pela Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), e este perfil para a revista <em>Ciência Hoje</em> – é uma grande honra. Mas ele não demonstra entusiasmo e faz mais uma reflexão: “Minha vida não é linear... É feita de saltos, interrupções, corridas e paradas... Se fosse uma linha contínua, como a da maioria das pessoas, seria mais fácil responder a esta entrevista...” Sem dúvida, Luiz Werneck Vianna não é uma pessoa comum.<br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu apenas o início do perfil publicado na <a title="Edição 291" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291">CH 291</a>. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. <dl class="image-inline captioned">
<dt><a title="Luiz Werneck Vianna – Um intelectual público" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291/pdf_aberto/perfil291.pdf"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" title="PDF aberto (gif)" height="13" width="38" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:38px"></dd>
</dl>
</div>
<p><br /><strong>Maria Alice Rezende de Carvalho </strong><br />Departamento de Sociologia e Política<br />Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro<br /><strong>Valéria Martins</strong><br />Especial para Ciência Hoje/RJ</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Maria Alice R. de Carvalho e Valéria Martins</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Ciências sociais</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Ciência política</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-03T14:19:37Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/vinho-cancer-e-idoneidade">
  <title>Vinho, câncer e idoneidade</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/vinho-cancer-e-idoneidade</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Um ritual praticamente universal ao ingerir bebidas alcoólicas é, antes da libação, brindar os presentes desejando-lhes saúde. Em especial, o consumo de vinho parece justificar tal costume. Dentre as virtudes dessa bebida, têm sido relatadas na literatura científica atividades de proteção contra o câncer além de doenças ligadas ao sistema cardiovascular.</p>
<p>No vinho, o princípio ativo seria o resveratrol, um polifenol que exerceria seus efeitos benéficos por meio da regulação da produção de radicais livres, potenciais agentes carcinogênicos. Radicais livres em excesso são, junto com inúmeros outros compostos,&nbsp;reconhecidamente agentes que podem deflagrar o processo de formação de tumores.</p>
<p>Os verbos estão conjugados no futuro do pretérito porque a recomendação da ingestão de vinho como um procedimento terapêutico recebeu recentemente um golpe sério.</p>
<div class="pullquote">A recomendação da ingestão de vinho como um procedimento terapêutico recebeu recentemente um golpe sério</div>
<p>Um dos principais advogados favoráveis ao resveratrol, o cirurgião Dipak K. Das, da Universidade de Connecticut (EUA) e editor de um importante periódico especializado na área de radicais livres, foi acusado de fraude. Das tem centenas de publicações, mas aquelas que o traíram são 26.&nbsp;</p>
<p>As acusações se basearam principalmente em resultados que, segundo os analistas, revelaram manipulação por meio de programas utilizados no processamento de imagens. Em outras palavras, Das ‘fabricou’ resultados que apoiariam suas ideias. Naturalmente, sua carreira científica está encerrada e possivelmente também a de seus colaboradores mais próximos. Mas isso não resolve o problema.</p>
<p>Talvez o dano maior tenha sido o efeito cascata resultante do impacto das publicações sobre outros grupos científicos que, em função da leitura de tais textos, nortearam seus próprios projetos, vigentes ou potenciais. Incluam-se aí também as comunidades médica e farmacêutica que investiram, ou teriam investido, pesadamente em protocolos, visando consagrar o resveratrol (e o vinho) como uma arma significativa do restrito arsenal anticâncer.</p>
<p>A fraude de Das não significa, entretanto, que o resveratrol deva cair em desgraça e ser abandonado. Outros grupos de prestígio já produziram resultados encorajadores, mas&nbsp;fica agora a pergunta sobre o que pode ser aproveitado em termos de resultados desde 2002, quando começaram as suspeitas sobre os trabalhos desse médico.</p>
<p>Um excelente artigo publicado na revista <em>Nature</em> (v. 483, 01/03/12) por Barbara Dunn, diretora do programa de prevenção ao câncer do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, discute de maneira muito clara o estado da arte sobre a pesquisa e as novas estratégias de tratamento do câncer. Dunn dá destaque especial ao resveratrol como uma avenida importante a ser percorrida pelos pesquisadores e como alento a todos aqueles preocupados com o aumento da freqüência de incidência do câncer.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/291/imagens/vinhedoapropositoabril.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/imagens/vinhedoapropositoabril.jpg/image_preview" alt="Vinhedo" title="Vinhedo" height="400" width="393" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:393px">Mesmo com as denúncias, as pesquisas devem continuar seguindo o caminho do vinho e do resveratrol. Além dele, ganha força o estudo de outros fitoquímicos que poderiam ajudar a tratar o câncer sem provocar os efeitos colaterais da quimioterapia. (foto: Flickr/ Isabelle Fontrin – CC BY-NC 2.0)</dd>
</dl>

<p>Aliás, segundo Dunn, o câncer parece ser bem mais antigo que o vinho, já que ossos fossilizados de dinossauros exibiam evidências de tumores (pode-se afirmar que o vinho é quase tão antigo quanto a humanidade). Assim, lendo o texto de Dunn no cenário pós-Das, fica a dúvida sobre a validade potencial ou de fato do resveratrol e de outros produtos de plantas, o que ilustra eloquentemente que os malefícios da fraude científica transcendem as paredes do laboratório.&nbsp;</p>
<p>Além do resveratrol, há no momento uma nítida tendência a fortalecer a fitoquímica&nbsp;como maneira de descobrir novos adjuvantes da quimioterapia em câncer. Certas&nbsp;pimentas, por exemplo, contêm compostos que matam seletivamente as células tumorais, o que é o objetivo maior dos oncologistas. Seria possível com tais produtos evitar os efeitos colaterais da quimioterapia que muitas vezes produzem sintomas piores que o próprio tumor.</p>
<p>Embora a fraude em ciência não seja endêmica ainda, o exemplo de Das vai, infelizmente, complicar ainda mais o processo de publicação científica. Não só a competência dos pesquisadores será julgada, mas também a sua honestidade. Na verdade, alguns periódicos já fazem isso lançando mão de sofisticadas ferramentas de informática.<br /><br /></p>
<p><strong>Franklin Rumjanek&nbsp;</strong><br />Instituto de&nbsp;Bioquímica Médica<br />Universidade Federal&nbsp;do Rio de Janeiro</p>
<p><em>Texto originalmente publicado na <a title="Edição 291" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291">CH 291</a> (abril de 2012).</em></p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Franklin Rumjanek</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Ciência</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Medicina e Saúde</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Câncer</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Vinho</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-05-02T23:46:48Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/cores-da-floresta">
  <title>Cores da floresta</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/cores-da-floresta</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>Muita gente desconhece o impacto ambiental gerado pelo tingimento de suas roupas. Os corantes usados em escala industrial costumam ser sintéticos e geram resíduos potencialmente tóxicos. Pesquisas recentes mostram que a produção de corantes naturais é uma alternativa viável e mais segura ambientalmente.</p>
<p>Em sua dissertação de mestrado em recursos florestais na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), Ticiane Rossi desenvolveu corantes têxteis a partir do resíduo da produção de óleo essencial de folhas e galhos de eucalipto. A produção desses corantes renováveis requer menos água e impacta menos o ambiente em comparação aos agressivos corantes sintéticos.</p>
<p>“Mas há corantes naturais que podem causar danos à saúde. Portanto, não podemos generalizar acreditando que uma substância seja 100% inócua. É preciso analisar cada caso”, esclarece Rossi.<br /><br /></p>
<h3>Raros e caros</h3>
<p>Ao longo da história do tingimento, corantes naturais de procedência vegetal e animal foram largamente utilizados, como o vermelho do urucum e a brasilina, extraída do pau-brasil. O ácido carmínico, também de coloração avermelhada, produzido pelo inseto cochonilha (<em>Dactylopius coccus</em>), como forma de proteção contra predadores, até hoje é usado em alimentos e cosméticos.</p>
<div class="pullquote">Hoje os corantes naturais voltaram a ganhar espaço, visando reduzir os danos à saúde e ao ambiente</div>
<p>Muitos desses corantes eram raros, caros e com propriedades indesejadas para determinados usos, o que trouxe a necessidade de novas fontes. Segundo a pesquisadora, no final do século 19, os corantes sintéticos substituíram quase totalmente os naturais, mas hoje estes voltaram a ganhar espaço, visando reduzir os danos à saúde e ao ambiente.</p>
<p>Desde a graduação, Rossi pesquisa, nos Laboratórios Integrados de Química, Celulose e Energia (LQCE), novas fontes para corantes a partir de resíduos florestais, como serragem e folhas.</p>
<p>Após bons resultados na obtenção de corantes a partir da serragem de árvores brasileiras, como jatobá, angelim, sucupira, cabreúva, imbuia e cedroarana, a pesquisadora se voltou para as folhas da australiana <em>Corymbia citriodora</em> (antes chamada de <em>Eucalyptus citriodora</em>), espécie largamente cultivada no Brasil. Foi a partir do resíduo da produção do óleo essencial de suas folhas que ela desenvolveu um corante natural, que já patenteou.<br /><br /></p>
<h3>Resíduo ou corante?</h3>
<p>O aromático <em>Corymbia citriodora</em> é uma espécie florestal de vasto potencial comercial. Sua madeira é resistente, mas propícia ao trabalho manual. É uma excelente alternativa para construção civil, confecção de móveis, postes, dormentes e lenha. E suas folhas, impregnadas de citronelal (substância com acentuado cheiro cítrico), possibilitam a produção de óleos essenciais que são usados como aromatizantes em desinfetantes, saunas e banheiros, além de balas e chicletes. O Brasil é líder na produção desse versátil óleo.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/291/imagens/coresdafloresta02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/imagens/coresdafloresta02.jpg/image_preview" alt="Eucalipto" title="Eucalipto" height="324" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">O óleo essencial de eucalipto, usado como aromatizante em desinfetantes, saunas, banheiros, balas e chicletes, é feito a partir das folhas e galhos da planta. (foto: Sydney Oats/ Flickr – CC BY 2.0)</dd>
</dl>

<p>O óleo essencial é produzido por destilação, a partir de folhas e pequenos galhos cozidos em água fervente. O vapor gerado é resfriado, permitindo recuperar o resíduo. Com coloração escura, esse resíduo apresenta-se diluído na água. Para aumentar o teor de sólidos e taninos (substâncias efetivamente corantes), seca-se a solução obtida até a redução de 14 vezes do volume do efluente.</p>
<p>Ao corante natural podem ser adicionadas substâncias como sulfato de ferro e alumínio, que ajudam a fixação da cor no tecido e permitem maior versatilidade nas cores obtidas, que variam entre cinza, marrom e ocre.</p>
<p>Em parceria com uma empresa, Rossi prepara esses corantes para aplicação comercial. Os custos de produção ainda são maiores do que os dos corantes sintéticos. Porém, além do processo sustentável, a procedência natural do produto agrega valor à peça tingida. “Torna-se uma alternativa para um público que não se importa em pagar um pouco mais em troca de um produto com viés ecológico. O mercado de corantes naturais para aplicação têxtil é voltado a esses consumidores”, aposta Rossi.<br /><br /><strong>Rafael Foltram</strong><br />Especial para Ciência Hoje/ SP<br /><br /><em>Texto originalmente publicado na <a title="Edição 291" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291">CH 291</a> (abril de 2012).</em></p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Rafael Foltram</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Engenharia Florestal</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Engenharia têxtil</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-26T14:33:27Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/parasitoides-insetos-beneficos-e-crueis">
  <title>Parasitoides: insetos benéficos e cruéis</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/parasitoides-insetos-beneficos-e-crueis</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>No famoso filme <em>Alien, o oitavo passageiro</em> (1979), de Ridley Scott, astronautas enfrentam um organismo alienígena com um ciclo de vida aterrorizante: ainda em estágio larval, ele é inserido no corpo de um humano, do qual se alimenta durante algum tempo, até emergir, rompendo o abdômen do hospedeiro e causando a morte deste. Embora assustador, tal comportamento está longe de ser ficção científica. Essa estratégia de vida é utilizada por um grupo muito comum de insetos terrestres: os parasitoides, misto de parasita e predador.</p>
<p>Um parasitoide geralmente não se alimenta de outros organismos na fase adulta, mas apenas de açúcares e pólen. A fêmea fecundada coloca seus ovos ou larvas, perto, sobre ou dentro dos hospedeiros – quase sempre outros insetos, mas também aranhas e pequenos crustáceos sem carapaças (do grupo Isopoda). Os hospedeiros, na maioria das vezes, estão em estágio pré-adulto (ovo, larva, ninfa ou pupa).</p>
<div class="pullquote">As larvas dos parasitoides comumente crescem dentro do hospedeiro e
 usam os tecidos deste como alimento</div>
<p>As larvas dos parasitoides comumente crescem dentro do hospedeiro (endoparasitoides) – em alguns casos, sobre estes (ectoparasitoides) – e usam os tecidos deste como alimento, mas sem matá-los de imediato. Após certo tempo, essas larvas matam o hospedeiro, tornam-se pupas, passam por metamorfose e emergem como adultos aptos para reprodução. Os adultos vão encontrar um indivíduo do sexo oposto para copular, iniciando novamente o ciclo de vida.</p>
<p>A diversidade de parasitoides é enorme. Há cerca de 150 mil espécies descritas, um décimo dos insetos conhecidos. A maioria dos insetos desse tipo (78%) está distribuída em diversas famílias da ordem dos himenópteros – são vespas de tamanho corporal reduzido, em geral com alguns milímetros de comprimento. Outros (cerca de 20%) pertencem à ordem dos dípteros (moscas) e são representados principalmente por espécies da família dos taquinídeos. Além disso, besouros da família dos estafilinídeos também apresentam essa estratégia de vida.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/291/imagens/parasitoides02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/imagens/parasitoides02.jpg/image_preview" alt="Endoparasitoide" title="Endoparasitoide" height="301" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Endoparasitoide emergindo de uma pupa de mosca. (foto cedida pelos autores)</dd>
</dl>

<p>Os endoparasitoides apresentam uma relação fisiológica muito estreita com seus hospedeiros, controlando o metabolismo destes de maneira bastante sofisticada. As substâncias liberadas por esses insetos dentro do organismo atacado alteram muitos processos, desde funções hormonais e mecanismos de defesa até a taxa metabólica, a composição da hemolinfa (o ‘sangue’ dos insetos), a excreção e o desenvolvimento de estruturas reprodutivas.<br /><br /></p>
<h3>Presas ativas ou paralisadas</h3>
<p>Em muitos casos, o ataque do parasitoide ocorre quando o hospedeiro ainda é muito pequeno, com um suprimento de nutrientes insuficiente para o desenvolvimento de seu algoz. Por isso, muitos parasitoides, chamados de coinobiontes, permitem que os hospedeiros continuem ativos e estimulam sua alimentação para suprir as próprias necessidades nutricionais.</p>
<p>Esse fenômeno é muito comum nas espécies gregárias, que introduzem ou depositam várias larvas no mesmo hospedeiro (o termo <em>koino</em>, do grego, significa ‘comum’). Nesse caso, o número de ‘invasores’ que chega à fase adulta depende da intensidade da alimentação do hospedeiro.</p>
<div class="pullquote">Em muitos casos, o ataque do parasitoide ocorre quando o hospedeiro ainda é muito pequeno</div>
<p>No caso dos parasitoides solitários, a mobilidade e alimentação (e, portanto, o crescimento) dos hospedeiros são inibidas por substâncias paralisantes geralmente inoculadas durante a postura de seus ovos. A paralisia do hospedeiro reduz sua capacidade de defesa e de retirada de nutrientes da hemolinfa, beneficiando o ‘hóspede’, chamado nesse caso idiobionte (<em>idio</em>, do grego, significa ‘único’). Além disso, ao deixar de procurar alimento, o organismo invadido reduz sua exposição a outros predadores, cujo ataque mataria também o endoparasitoide.</p>
<p>No entanto, nem sempre um parasitoide solitário paralisa seu hospedeiro. A espécie <em>Psyllaephagus baccharidis</em>, himenóptero da família dos encirtídeos, é uma das exceções a essa regra. Ela ataca as ninfas do inseto <em>Baccharopelma dracunculifoliae</em>, da família dos psilídeos (<em>Psyllaephagus</em> significa ‘comedor de psilídeos’), que suga a seiva e induz a formação de galhas – um tipo de tumor de planta (ver ‘As galhas: tumores de plantas’, em <em>CH</em> nº 19) – no alecrim-do-campo (<em>Baccharis dracunculifolia</em>).</p>
<p>O parasitoide localiza as galhas ainda pequenas e, com seu aparelho ovopositor, põe seus ovos junto às ninfas que lá se desenvolvem. Cada larva do invasor se desenvolve dentro de uma ninfa e a estimula a se alimentar mais. Após determinado período, que varia de um a quatro meses, o parasitoide devora os tecidos do hospedeiro e usa o envoltório externo deste (a cutícula) como pupa, um processo denominado mumificação. Após a metamorfose, <em>P. baccharidis</em> sai da pupa dentro da galha, escava um túnel através da parede desta e emerge.</p>
<p>O estímulo do parasitoide à alimentação das ninfas causa um aumento indireto do tamanho da galha, o que drena mais energia da planta. Além disso, caso haja ninfas sadias ao lado de ninfas parasitadas na mesma galha, as primeiras também atingem maior tamanho corporal e podem tornar-se adultos de maior sucesso reprodutivo.</p>
<p>De forma geral, parasitoides coinobiontes são benéficos para as plantas, como o alecrim-do-campo, já que regulam a população de insetos herbívoros. Por outro lado, podem causar certo grau de prejuízo à planta, porque os danos causados pelos herbívoros parasitados e estimulados podem ser maiores que os dos herbívoros sadios. Entretanto, como veremos a seguir, a grande maioria dos parasitoides pode ser utilizada de forma benéfica pelo homem.<br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu apenas o início do artigo publicado na <a title="Edição 291" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291">CH 291</a>. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. <dl class="image-inline captioned">
<dt><a title="Parasitoides: insetos benéficos e cruéis" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291/pdf_aberto/parasitoides291.pdf"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" title="PDF aberto (gif)" height="13" width="38" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:38px"></dd>
</dl>
</div>
<p><br /><strong>Mário Marcos do Espírito Santo<br />Maurício Lopes Faria</strong><br />Departamento de Biologia Geral<br />Universidade Estadual de Montes Claros (MG)<br /><strong>Jhonathan Oliveira Silva</strong><br />Departamento de Ecologia<br />Universidade de Brasília<br /><strong>Karla Nunes Oliveira</strong><br />Departamento de Biologia Geral<br />Universidade Federal de Viçosa (MG)<br /><strong>Geraldo Wilson Fernandes</strong><br />Departamento de Biologia Geral<br />Universidade Federal de Minas Gerais</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Mário M. E. Santo, Maurício L. Faria, Jhonathan O. Silva, Karla N. Oliveira e Geraldo W. Fernandes</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Entomologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Ecologia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-24T17:21:45Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/retrato-de-um-poeta-atormentado">
  <title>Retrato de um poeta atormentado </title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/retrato-de-um-poeta-atormentado</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>O corpo pendia de uma tábua, preso por um cadarço ou liga vermelha que lhe envolvia o pescoço. “Na manhã de 4 de julho de 1789, menos de 48 horas depois de ter se desmandado na sessão de interrogatório, incriminando os amigos mais queridos, <a class="external-link" href="http://educacao.uol.com.br/biografias/claudio-manuel-da-costa.jhtm">Cláudio Manuel da Costa</a> foi encontrado morto num quarto improvisado de calabouço… roído pelo remorso, pelo asco de si próprio, assistindo à passagem vertiginosa da sua vida – como dizem que acontece aos moribundos…”. Eis a descrição dos últimos momentos do poeta mineiro nas palavras de <a class="external-link" href="http://www.revistadehistoria.com.br/secao/entrevista/laura-de-mello-e-souza">Laura de Mello e Souza</a> que, não sem tempo, <a class="external-link" href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/884466-livro-mostra-claudio-manuel-da-costa-como-inconfidente-atormentado.shtml">fez a biografia que o poeta merecia</a>.</p>
<div class="pullquote">O leitor não terá a menor dúvida, depois de ler essa biografia, que Cláudio Manuel da Costa pôs fim à própria vida</div>
<p>Suicídio ou assassinato? Os historiadores divergem sobre como morreu, afinal, esse grande árcade das Minas setecentistas, autor do célebre poema épico <em>Vila Rica</em>, e integrante da não menos célebre Inconfidência Mineira. Laura sugere que Cláudio se matou, não com base em novas evidências sobre o episódio, senão pelo que conseguiu reconstruir da vida, personalidade e sentimentos do biografado. O leitor não terá a menor dúvida, depois de ler essa biografia, que Cláudio Manuel da Costa pôs fim à própria vida, atormentado por mil demônios, coberto de desonra e vergonha.</p>
<p>O sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), em artigo clássico de 1979, afirmou que toda biografia histórica tende a produzir uma “ilusão biográfica”. Parte-se de um nome cuja importância histórica é, em certa medida, reconhecida academicamente e, ato contínuo, constrói-se uma narrativa linear que dá sentido à vida do biografado enquanto personagem. Segundo Bourdieu, o biógrafo constrói uma “coerência de vida”, para o bem ou para o mal, que pouco tem a ver com a história do biografado.</p>
<p>Isso vale para a biografia de Cláudio Manuel da Costa? Vale e não vale, ao mesmo tempo, quer para essa biografia, quer para muitas outras biografias históricas. Vale porque, para o historiador, a opção de reconstituir (o verbo é mesmo esse) a vida de algum personagem – seja graúdo, seja minúsculo – tem a ver com o seu destino, com o papel que desempenhou em determinado fato ou processo, com seu eventual valor de exemplo de grupos ou movimentos sociais. Há um grau elevado de convencionalismo narrativo que é próprio do gênero biográfico, seja da biografia histórica, seja da biografia <em>tout court</em>.</p>
<div class="pullquote">Toda a história ali contada o é através de uma sucessão de dilemas e 
incertezas, de um combate sem trégua entre a razão e o sentimento</div>
<p>Criar ou não ilusões é algo que depende do historiador, de seu engajamento, de sua relação com o personagem, de sua perícia no manejo das fontes, da prudência maior ou menor das interpretações. Em todo caso, a biografia de Cláudio assinada por Laura resistiria à crítica teoricista e generalizante que faz Bourdieu aos biógrafos. No mínimo porque toda a história ali contada o é através de uma sucessão de dilemas e incertezas, de um combate sem trégua entre a razão e o sentimento, entre a ordem e a subversão. Um mar de possibilidades que fervilharam na vida do poeta insurgente. Que foi também burocrata diligente do império português nas partes do Brasil.</p>
<dl class="image-left captioned">
<dt><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/imagens/claudiomananueldacosta.jpg/image_mini" alt="Claudio Manuel da Costa" title="Claudio Manuel da Costa" height="200" width="160" /></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:160px">Desenho retrata Cláudio Manuel da Costa: ordem e subversão convivem na mesma pessoa. (imagem: Wikimedia Commons)</dd>
</dl>

<p>Nascido em Minas, filho de pai português e mãe paulista, Cláudio estudou no colégio inaciano do Rio de Janeiro, depois em Coimbra. Bacharel em Leis, tentou a carreira eclesiástica nos anos 1750, mas dela desistiu, um tanto pela demora das diligências de <em>genere et moribus</em>, outro tanto porque se enamorou da escrava Francisca Arcângela, que lhe deu cinco filhos e ganhou a liberdade, além da responsabilidade de gerir sua casa. Desde 1760 se tornou mais um burocrata, entre outros do império português – almotacé da Câmara de Mariana, procurador substituto da Coroa e da Fazenda. Exerceu com êxito a advocacia, em Minas, e tornou-se juiz. A vida de Cláudio Manuel da Costa não teria a menor graça não fosse, em primeiro lugar, o seu talento literário e o envolvimento na Inconfidência; em segundo lugar, a perícia da biógrafa na tessitura da história.</p>
<p>Laura de Mello e Souza consegue, por meio da biografia em foco, contar a história do povoamento das Minas, movido pela cobiça de todos; os modos de governar do Antigo Regime em partes ultramarinas, com a sistêmica mescla entre o público e o privado; as tensões sociais e políticas do fim do século 18, prelúdio da conjuração nas Gerais. Esta é uma dimensão do livro convencionalmente histórica: a biografia se sustenta pela exemplaridade; Cláudio não passa de um burocrata do sistema; fica-se conhecendo, em detalhe, os estilos governativos do “viver em colônias”.</p>
<p>Mas não reside aí o melhor do livro, senão na articulação entre a vida pública de Cláudio e suas ideias expressas na literatura, o esboço de um espírito crítico (sem deixar de ser áulico) na epopeia da fundação de Minas. Melhor ainda é a articulação entre a vida pública do poeta com as cogitações que faz a autora sobre sua vida privada – pouco documentada – mas presumível em vários aspectos. Refiro-me à ambição de Cláudio por posições maiores e mais bem remuneradas, seu complexo de inferioridade por ser brasileiro, não mais do que um “letrado de aldeia” – Nelson Rodrigues diria que Cláudio foi um precursor do ‘complexo de vira-lata’ que flagela os brasileiros.</p>
<p>Do envolvimento de Cláudio na Inconfidência e da própria conjuração, Laura diz tudo, e naturalmente enfatiza os protestos de inocência de Cláudio, depois de preso, mormente seu empenho loquaz em delatar os companheiros. Queria se livrar dos piores castigos. Fraqueza humana, face nada edificante do poeta, que sentiu o próprio golpe, ferido pelo sentimento de culpa. Era mesmo melancólico por natureza, Laura nos convence disso.</p>
<div class="pullquote">A maior qualidade do livro, porém, não está na articulação disso ou daquilo, senão na narrativa literária esmeradíssima</div>
<p>A maior qualidade do livro, porém, não está na articulação disso ou daquilo, senão na narrativa literária esmeradíssima. O livro parece uma novela que começa mansinha e, com o desenrolar dos capítulos, tensiona o leitor até alcançar nível dramático, emocionante, trágico. É livro de história ou de ficção? Livro de história, claro, mas temperado pela imaginação da autora, que sabe preencher, como poucos, as lacunas de informação por meio da cogitação de possibilidades. Ousa mesmo diversas interpretações psicologizantes, todas verossímeis, algumas absolutamente verdadeiras, ainda que as fontes não ajudem. Em certos casos, raríssimos e bem calculados, vale parodiar o cronista Fernando Calazans: se as fontes não ajudam, azar das fontes. O livro, em todo caso, é de uma consistência histórica impecável.</p>
<p>Não é de hoje que considero Laura de Mello e Souza a mais brilhante historiadora brasileira dos últimos tempos. Externei essa opinião em um artigo, ainda nos anos 1980, deslumbrado com a mistura de pesquisa e narrativa que ela faz como ninguém. Passaram-se décadas e minha opinião continua a mesma – robustecida pela idade e experiência. Gerações de estudantes e pesquisadores acham o mesmo, desde então, e tomam a obra de Laura como modelo e inspiração. A tais qualidades, Laura acrescentou um refinamento literário que, apesar dele mesmo, não descura da prova empírica – e lamenta quando ela falta. “O historiador vive às voltas com os limites fluidos entre a verdade e a mentira, o fato e a ficção, a narrativa e a ciência…” No caso do suicídio de Cláudio Manuel da Costa, diz Laura, “nunca se saberá se o fez por desespero ou excesso de razão”.<br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado">
<p align="center"><strong>Cláudio Manuel da Cost</strong><strong>a</strong><br />Laura de Mello e Souza<br />São Paulo, 2011, Companhia das Letras<br />272 páginas – R$ 29,50</p>
<span style="float: none;"></span></div>
<p>&nbsp;</p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu resenha publicada no <em>sobreCultura 8.</em>&nbsp;Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral do suplemento.&nbsp; <a title="sobreCultura 8" class="internal-link" href="/revista-ch/sobrecultura/colecao-sobrecultura/sobreCultura%208.pdf"><img class="image-inline" src="../../imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" /></a></div>
<p><br /><strong>Ronaldo Vainfas</strong>&nbsp; <br />Departamento de História <br />Universidade Federal Fluminense</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Ronaldo Vainfas</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Livros</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>História</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>sobreCultura</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-21T17:13:46Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/cemiterio-dos-pretos-novos">
  <title>Cemitério dos Pretos Novos</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/cemiterio-dos-pretos-novos</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>O Rio de Janeiro foi palco de capítulos marcantes da história da escravidão no Brasil. Por décadas foram desembarcados, comercializados e enterrados em sua área portuária milhares de escravos vindos da África, na maior das diásporas humanas conhecidas.</p>
<p>No contexto brasileiro, o Rio de Janeiro foi a grande capital da empresa escravagista, já que seus portos – segundo historiadores como o norte-americano Herbert S. Klein e o brasileiro Manolo Florentino – receberam cerca de metade dos africanos trazidos para a América portuguesa. Por isso, a cidade tem grande importância nos estudos sobre o tráfico negreiro.</p>
<p>Em 1996, um achado acidental, durante a reforma de uma casa na Gamboa, confirmou que sob a malha urbana estava situado um dos mais importantes cemitérios de escravos conhecidos no Brasil. A localização do Cemitério dos Pretos Novos (criado em 1769 e extinto em 1830), um sítio histórico e arqueológico único na América, havia sido perdida devido ao intenso crescimento urbano ocorrido na área do Valongo (que abrange os atuais bairros de Gamboa e Saúde) após seu fechamento oficial em 1830.</p>
<div class="pullquote">Esse cemitério seria utilizado majoritariamente para abrigar os corpos de africanos que morriam antes de serem vendidos</div>
<p>Esse cemitério seria utilizado majoritariamente para abrigar os corpos de africanos que morriam antes de serem vendidos (daí a expressão ‘pretos novos’), o que constitui uma memória importantíssima e, ao mesmo tempo, um terrível testemunho desse processo histórico. Reconhecido pela memória local como um dos marcos da história da escravidão, o cemitério é hoje objeto de interesse de instituições de patrimônio histórico, de cientistas e sobretudo da comunidade da Gamboa.</p>
<p>O Cemitério dos Pretos Novos foi criado por Luís Melo Silva Mascarenhas (1729-1790), o marquês do Lavradio, então vice-rei do Brasil, por conta da transferência do porto de desembarque dos escravos do cais da praça XV, no centro da cidade, para o Valongo, na época fora dos limites urbanos.</p>
<p>Para o novo cemitério foi demarcada uma quadra com lados de 50 braças (tamanho aproximado de um campo oficial de futebol), terreno apontado em mapas e documentos de época. Segundo registros históricos, podia ser avistado dos trapiches e armazéns do mercado, de onde os escravizados teriam continuamente a visão aterradora do ir e vir dos corpos. Os cadáveres por vezes permaneciam dias insepultos, até que alguém os cobrisse precariamente com alguma terra.</p>
<p>Situado em área aberta e arenosa da praia da Gamboa, próximo ao morro da Saúde, esse cemitério passou a receber os enterros feitos anteriormente no largo de Santa Rita, em frente à igreja de mesmo nome, hoje no Centro da cidade do Rio de Janeiro. O historiador Júlio César Pereira, que pesquisou os arquivos da igreja, revelou que, nos últimos seis anos de uso do cemitério do Valongo, foi superada a média de mil enterros por ano.</p>
<p>O estudo de ossos e dentes ainda presentes na área desse cemitério, que teria recebido dezenas de milhares de corpos, segundo estimativas de alguns autores, é muito importante para aprofundar o conhecimento sobre os africanos escravizados e trazidos ao Brasil colonial.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/291/imagens/cemiteriodospretos02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/291/imagens/cemiteriodospretos02.jpg/image_preview" alt="Resto de arcada dentária" title="Resto de arcada dentária" height="305" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Arcada dentária com polimento dos dentes, associado ao uso de plantas na higiene dentária. (foto: Sheila M. Souza)</dd>
</dl>

<p>Embora o cemitério nunca tenha sido objeto de escavações sistemáticas, o salvamento de 1996 proporcionou uma pequena coleção de dentes e ossos humanos dispersos, estudados inicialmente pela bioarqueóloga Lilia Cheuiche Machado (1938-2005), do Instituto de Arqueologia Brasileira, onde está hoje o acervo. Foram também recuperadas contas de vidro, louça e outros materiais relacionados ao contexto urbano do Rio de Janeiro e à escravidão.</p>
<p>A pesquisadora confirmou fatos descritos na literatura histórica, como a queima dos corpos e seu enterro em valas comuns, e verificou a predominância de jovens e de indivíduos do sexo masculino, resultado consistente com a população preferencial para o tráfico. Infelizmente, o estudo do material ficou inconcluso, devido ao falecimento de Lilia Machado.</p>
<p>Recentemente, um grupo de pesquisadores que já acumulam estudos sobre populações do passado, inclusive sobre os temas de escravidão e afrodescendência na América, retomou a pesquisa dos remanescentes humanos recuperados no Cemitério dos Pretos Novos. Os novos projetos multidisciplinares, apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), visam caracterizar melhor as origens dos indivíduos e descrevê-los em aspectos antes não estudados.</p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu apenas o início do artigo publicado na <a title="Edição 291" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291/edicao-291">CH 291</a>. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. <span class="Apple-style-span"><a title="Cemitério dos Pretos Novos" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/291/pdf_aberto/pretosnovos291.pdf"><img style="float: none;" class="image-inline" src="../../imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" /></a></span></div>
<p><br /><strong>Sheila Mendonça de Souza</strong><br />Departamento de Endemias Samuel Pessoa<br />Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca<br />Fundação Oswaldo Cruz<br /><strong>Della Collins Cook</strong><br />Departamento de Antropologia<br />Universidade de Indiana (Estados Unidos)<br /><strong>Murilo Quintans Bastos</strong><br />Programa de Pós-graduação<br />Laboratório de Geocronologia<br />Departamento de Geoquímica e Recursos Minerais<br />Universidade de Brasília<br /><strong>Ricardo Ventura Santos</strong><br />Departamento de Antropologia<br />Museu Nacional<br />Universidade Federal do Rio de Janeiro e<br />Departamento de Endemias Samuel Pessoa<br />Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca<br />Fundação Oswaldo Cruz</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Sheila M. Souza, Della C. Cook, Murilo Q. Bastos e Ricardo V. Santos</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Antropologia</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>História do Brasil</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-20T17:07:41Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/ser-ter-e-compartilhar">
  <title>Ser, ter e compartilhar</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/ser-ter-e-compartilhar</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<h3>Compartilhar direitos<br /></h3>
<p>por <strong>Ana Sílvia Couto Abreu<br /></strong><br />Novos modos de construção e de circulação de bens culturais vêm trazendo consequências favoráveis às condições de acesso a esses bens. Temos, atualmente, maneiras de produzir e fazer circular uma obra que implicam uma diferente relação entre o autor e seu público; isso porque, com as novas possibilidades de convergência tecnológica – como o surgimento de redes sociais com compartilhamento de arquivos, escaneamento de obras, <em>downloads</em> e arquivamento no computador, entre outras –, esferas são eliminadas nessa relação, tradicionalmente mediada, no mundo impresso, pelos editores de obras.</p>
<p>Nesse momento em que se fortalece o discurso pela abertura – conteúdo aberto, <em>software</em> livre, código-fonte aberto, <em>download</em> grátis de músicas e vídeos, repositórios de bibliotecas disponibilizados na internet com possibilidade de cópias de obras de literatura –, os direitos autorais são postos em questão.</p>
<div class="pullquote"> Sabemos que o surgimento do <em>copyright </em>não se deu sem disputas</div>
<p>Não que a relação autor e direitos tenha sido, em outros tempos, algo sem questionamentos; sabemos que o surgimento do <em>copyright </em>não se deu sem disputas. Ocorre que a circulação de informações no meio digital, em diferentes instâncias de interlocução, como <em>blogs</em>, <em>wikis</em>, ambientes virtuais de aprendizagem e redes sociais, vem colocando desafios ao arquivo jurídico vigente sobre direitos autorais.</p>
<p>Temos, então, um movimento de reconfiguração da legislação de direitos autorais. No Brasil, esse movimento foi inicialmente liderado pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, que destacou como pauta emergente a necessidade de se repensar a política autoral, levando em consideração o bem comum e o interesse público, no sentido de estabelecer políticas culturais baseadas no equilíbrio entre os direitos do autor e os direitos de acesso e uso pela sociedade. Esse posicionamento coloca-se ao lado da esfera pública, entendida como povo e não meramente como mercado, procurando estabilizar, no quadro jurídico, transformações em curso.</p>
<p>Nossa atual Lei do Direito Autoral (LDA), em vigor desde 1998, é altamente restritiva. Gestos cotidianos, como gravar um filme para assistir em outro horário, copiar uma música do computador para aparelho portátil, fazer cópia de livro para estudo, baixar e trocar arquivos, são tidos como ilegais.</p>
<p>Há, então, um jogo de forças entre o que é permitido juridicamente, em relação aos modos de produção e circulação de bens culturais, e o que é, de fato, realizado pelas pessoas, revelando-se a necessidade de uma mudança na legislação, já que esta deve representar e regular o modo de ser de uma determinada sociedade em seu tempo.</p>
<p>O embate, que é sempre político, tem sido intenso, com eventos<br />diversos ocorrendo pelo país, manifestações circulando via <em>blogs</em>, Twitter, Facebook etc., criação de redes e comitês para discussão da LDA, envolvendo instâncias diversas, com posicionamentos em confronto: associações tidas como responsáveis pela proteção ao autor, representantes de diversos setores da sociedade e o Estado.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/290/imagens/gil.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/imagens/gil.jpg/image_preview" alt="Gilberto Gil" title="Gilberto Gil" height="300" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Gilberto Gil, ministro da Cultura de 2003 a 2008, destacou como pauta de sua gestão a necessidade de se repensar a política autoral do país. (foto: Miguel Perez Subias/ Flickr – CC BY-NC-SA 2.0)</dd>
</dl>

<p>A atual gestão do Ministério da Cultura não legitimou o anteprojeto enviado à Casa Civil em 2010, colocando-o novamente para debate, em 2011; isso significou uma espécie de apagamento do relevante processo democrático – com fóruns, seminários, consulta pública do anteprojeto – que sustentou os debates sobre os direitos autorais no Brasil desde 2007.</p>
<p>Recentemente, uma nova versão do anteprojeto da LDA foi enviada à Casa Civil. Embora não tenha sido divulgada oficialmente, circulam na mídia trechos indicando uma proximidade com a versão anterior, no que se refere tanto à possibilidade de cópia de CD para outro suporte (para uso pessoal e sem visar lucro) quanto à condição de exibir filmes em escolas.</p>
<p>Entretanto, não sabemos em que medida o direito de acesso a bens culturais, de forma menos restritiva que a atual, realmente será garantido, possibilitando, por exemplo, para fins didáticos e de pesquisa, tanto a reprodução completa de obras – e não de pequenos fragmentos apenas, como está na lei atual – quanto a dispensa da prévia e expressa autorização do titular, no caso de reprodução e distribuição de obras protegidas, conforme anunciava o anteprojeto de 2010. Certamente, esse gesto político, que se configura juridicamente, traria importantes efeitos na formação de leitores e de potenciais autores do Brasil.</p>
<p><strong>Ana Sílvia Couto Abreu</strong> é linguista e professora do Departamento de Metodologia de Ensino e do Programa de Pós-graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos</p>
<p>____________________</p>
<h3>Por que colaborar?</h3>
<p>por <strong>Viktor Chagas<br /></strong><br />Por anos a fio a sociologia da ação cooperativa tem buscado responder a uma questão que parece intrigar os cientistas sociais. Por que colaborar? Qual a motivação de um indivíduo ao somar seus esforços na confluência de um projeto coletivo? Em especial no contexto da produção de bens simbólicos, o limiar entre a atuação colaborativa e a fraude ou plágio de ideias é suficientemente tênue para criar imbricações ainda maiores. Afinal, as criações têm dono ou são fruto de um dado contexto cultural e histórico?</p>
<div class="pullquote">Garantir que as ideias possam ser usufruídas pela coletividade parece ser uma das 
questões que mais têm movido juristas, cientistas políticos e uma gama 
de pesquisadores</div>
<p>Garantir que, uma vez que sejam atribuídas a um ‘criador’ ou ‘autor’, tais ideias possam ser usufruídas pela coletividade parece ser uma das questões que mais têm movido juristas, cientistas políticos e uma gama de pesquisadores com efetivo interesse no problema do acesso aos bens culturais. Entretanto, a pergunta que recebem em troca é invariavelmente uma inversão da primeira: como garantir que, uma vez disponíveis e acessíveis publicamente, tais esforços sejam recompensados eficazmente?&nbsp; Em resumo, qual a motivação de determinado autor para disponibilizar sua obra ao público?</p>
<p>O modelo tradicional de direito autoral e propriedade intelectual responde a essas perguntas entendendo que o conceito de autoria é a principal, se não única, contrapartida aos criadores. Historiadores como Elizabeth Eisenstein, Robert Darnton e Peter Burke ressaltam que essa compreensão foi forjada de modo a lidar com um contexto histórico particular, que coincidia com a própria definição do objeto livro – basta lembrar que a ideia de autoria se desenvolve em paralelo à evolução das técnicas de encadernação, à divisão da estrutura dos incunábulos em capítulos e ao processo de catalogação dos impressos em bibliotecas.</p>
<p>A esse modelo se contrapunha a autoria coletiva ou desconhecida, típica da cultura popular. E, nesse sentido, o direito autoral coincide com a prevalência da visão utilitarista e da dinâmica produtiva do mercado editorial, em que a escassez do bem cultural como produto material se sobrepõe a seu valor de uso. A solução jurídica, contudo, talvez não responda aos desafios impostos pela produção contemporânea. O que dizer, por exemplo, dos autores de um romance colaborativo na <em>web</em> ou de pesquisadores que se dedicam a escrever em conjunto um verbete para a Wikipédia? A estes, talvez a autoria não seja a contrapartida mais evidente para seus esforços intelectuais.</p>
<dl class="image-left captioned">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/290/imagens/MAUSS.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/imagens/MAUSS.jpg/image_mini" alt="Mauss" title="Mauss" height="200" width="126" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:126px">'Ensaio sobre a dádiva', de Marcel Mauss: as economias de cooperação substituiriam o monopólio da autoria. (foto: reprodução)</dd>
</dl>

<p>A economia da cooperação<em> on-line</em>, como nomeia o sociólogo norte-<br />-americano Peter Kollock, se funda sobre o preceito da dádiva e, nesse modelo, a autoria é substituída por um cálculo de custos e benefícios sobre o bem público resultante. Eu colaboro porque tenho a expectativa de que outros colaborem, quero contribuir para a construção do bem público de que farei uso individualmente. Mais do que isso: eu colaboro porque quero colaborar mais do que o outro ou quero que minhas colaborações tenham valor socialmente. No axioma do antropólogo Marcel Mauss (1872-1950): dar, receber,<br />retribuir. As economias de cooperação substituem o monopólio da autoria pelos indicadores de participação do usuário num dado grupo.</p>
<p>Como postula o cientista político Robert Axelrod, a colaboração está principalmente calcada nas relações de confiança e na repetição. Um determinado jogador só colabora com um projeto coletivo se tiver a convicção de que os outros também estão dispostos a tanto; e esta convicção é adquirida apenas por meio de uma sequência de rodadas com resultados semelhantes, uma espécie de período de observação, em que a constância é indicativo de um cenário também confiável. São esses atributos que garantem a estabilidade do sistema, uma vez que a ação cooperativa está para além do indivíduo. Assim, não há porque colaborar se o futuro é incerto...</p>
<p>Aí está o paradoxo da legislação autoral tradicional: o futuro é incerto; é preciso resguardar o autor. Preservando-se o autor, preserva-se, entretanto, o acesso ao bem produzido por ele, como lembra Kembrew McLeod, que provocativamente registrou a expressão “<em>freedom of expression</em>” como marca de sua propriedade nos Estados Unidos em 1998.</p>
<p>O erro desse sistema está na premissa de que é a autoria a motivação definitiva para a criação e é ela que deve ser recompensada. Em um sistema de produção compartilhada, essa é apenas uma variável em todo o processo. A confiança e a constância talvez sejam elementos meritórios mais complexos do que a própria noção de autoria, que, em última instância, é capaz de garantir motivação a uma estreia, jamais a uma obra consolidada. Por que então colaborar? Porque, diferentemente do modelo tradicional, em que um autor se celebriza pela sua produção, na produção colaborativa o que conta é o processo. do Brasil.
<strong><br /></strong></p>
<p><strong><br />Viktor Chagas </strong>é jornalista e professor do&nbsp;<strong> </strong>Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense <strong><br /></strong></p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu os artigos publicados na seção Dois pontos do <em>sobreCultura 8.</em>&nbsp;Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral do suplemento.&nbsp; <a title="sobreCultura 8" class="internal-link" href="/revista-ch/sobrecultura/colecao-sobrecultura/sobreCultura%208.pdf"><img class="image-inline" src="../../imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" /></a></div>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Ana Sílvia Couto Abreu/ Viktor Chagas</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Direito</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Internet</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Web 2.0</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Tecnologias digitais</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>sobreCultura</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-17T15:56:57Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/preambulo-da-revolucao-copernicana">
  <title>Preâmbulo da revolução copernicana</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/preambulo-da-revolucao-copernicana</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>O polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) frequentou várias universidades europeias, tendo estudado medicina, direito canônico e economia. Mas sua paixão era a astronomia. Na história da evolução do conhecimento científico, Copérnico tem lugar de destaque, graças à sua obra <em>De revolutionibus orbium coelestium</em> (<em>As revoluções dos orbes celestes</em>). Em contraposição ao sistema geocêntrico, então em vigor, <em>De revolutionibus</em> apresentou o sistema heliocêntrico, desencadeando a chamada revolução copernicana.</p>
<div class="pullquote">Por conter dados que permitem analisar a formação e evolução do 
pensamento astronômico copernicano, o documento tem grande valor 
histórico</div>
<p>A obra foi publicada em 1543, mas as ideias de seu autor sobre o novo sistema estavam sendo gestadas havia muito tempo. Por volta de 1512, ele fez circular entre colegas um pequeno texto manuscrito, em latim, conhecido hoje como <em>Commentariolus</em>. Nessa obra de poucas páginas, Copérnico faz a primeira descrição de sua teoria heliocêntrica. Por conter dados que permitem analisar a formação e evolução do pensamento astronômico copernicano, o documento tem grande valor histórico.</p>
<p>Para que se compreenda a importância do <em>Commentariolus</em>, é preciso conhecer algumas características do modelo geocêntrico adotado à época. Os astrônomos da Antiguidade, ao notar certa regularidade e periodicidade no movimento dos corpos celestes, tentaram usar a composição de círculos uniformes para explicar esse movimento. A origem dessa proposta parece ter fundo filosófico, em que só o movimento circular uniforme é perfeito: sempre igual a si mesmo, fechado, sem início nem fim.</p>
<p>Ao longo dos séculos, os astrônomos buscaram composições de círculos (ou esferas) em movimento uniforme para reproduzir os movimentos aparentes observados no céu, o que ficou conhecido como “procura de teorias para salvar fenômenos”.</p>
<dl class="image-inline captioned">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/290/imagens/preambulo-da-revolucao02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/imagens/preambulo-da-revolucao02.jpg/image_preview" alt="Nicolau Copérnico" title="Nicolau Copérnico" height="339" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">Ao apresentar suas ideias sobre o sistema heliocêntrico, Nicolau Copérnico (1473-1543) desencadeou a chamada revolução copernicana. (foto: Wikimedia Commons)</dd>
</dl>

<p>Na Idade Média, esses círculos ou esferas ganharam o nome ‘orbes’. A procura de tais composições levou à criação de sistemas formados por círculos (ou esferas) que se movem sobre outros círculos (ou esferas). Chamou-se ‘deferente’ (ou seja, transportador) o círculo principal associado a cada corpo celeste, sobre o qual ocorre o movimento de círculos menores.</p>
<p>Estes, apoiados sobre o deferente, foram chamados de ‘epiciclos’. A Terra – ou outro ponto, denominado ‘excêntrico’ – pode ser o centro do deferente. Quanto mais complexo o movimento aparente do astro, maior o número de epiciclos adotados para tentar reproduzi-lo.</p>
<p>O movimento de cada círculo (ou esfera) era geralmente uniforme, preservando o chamado Princípio da Regularidade. Mas, para “salvar fenômenos”, o astrônomo grego Ptolomeu (90-168) incluiu um ponto geométrico chamado ‘equante’ (que não coincidia com a Terra nem com o centro do círculo), em relação ao qual a velocidade angular do movimento principal é uniforme. A localização do equante é simétrica à da Terra em relação ao centro do círculo.<br /><br /></p>
<h3>Modelo heliostático</h3>
<p>Nos primeiros parágrafos do <em>Commentariolus</em>, Copérnico refere-se às abordagens adotadas pelos gregos para explicar o movimento dos planetas. Em particular, destaca que, além de excêntricos e epiciclos, Ptolomeu e outros astrônomos precisaram introduzir os equantes para tentar reproduzir as disparidades mostradas pelos dados numéricos das observações. Isso o incomodava, pois os equantes violavam o Princípio da Regularidade. Os planetas não se moveriam com velocidade uniforme em seus orbes deferentes nem em torno de seus centros.</p>
<div class="pullquote">Copérnico decidiu apresentar um modelo que, além de resolver o problema, seria mais simples e conveniente</div>
<p>Copérnico decidiu então apresentar um modelo que, além de resolver o problema, seria mais simples e conveniente, desde que atendidas as exigências destacadas a seguir: não há um centro único de todos os orbes, o centro da Terra não é o centro do mundo, mas apenas o da gravidade e do orbe lunar; todos os orbes giram em torno do Sol (portanto, o centro do mundo está perto do Sol); a distância entre a Terra e o Sol é insignificante se comparada com a distância às estrelas; o movimento aparente do firmamento se deve à rotação da Terra em torno de seu eixo; qualquer movimento aparente do Sol não é causado por ele, mas pela Terra e pelo nosso orbe, com o qual giramos em torno do Sol; os movimentos retrógrados aparentes dos planetas não pertencem a eles, mas à Terra (apenas o movimento desta explica muitas irregularidades aparentes no céu).</p>
<p>Após algumas argumentações relativas a tais exigências, Copérnico apresenta a ordem dos orbes e o período de revolução de cada um dos corpos. O mais alto é o das estrelas fixas, seguido de Saturno, Júpiter, Marte, Terra e Vênus; Mercúrio é o último.<br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu apenas o início da seção ‘Memória’ da <a title="Edição 290" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/290">CH 290</a>. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. <dl class="image-inline captioned">
<dt><a title="Preâmbulo da revolução copernicana" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/290/pdf_aberto/memoria290.pdf"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" title="PDF aberto (gif)" height="13" width="38" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:38px"></dd>
</dl>
</div>
<p><br /><strong>Othon Winter</strong><br />Grupo de Dinâmica Orbital e Planetologia<br />Universidade Estadual Paulista (<em>campus</em> Guaratinguetá)</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Othon Winter</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>História da Ciência</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Astronomia</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-12T15:10:09Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>


 <item rdf:about="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/supermercados-espacos-de-cultura-cientifica">
  <title>Supermercados: espaços de cultura científica?</title>
  <link>http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/supermercados-espacos-de-cultura-cientifica</link>

  


  <content:encoded>
    <![CDATA[
<p>A ideia de ciência como atividade que traz benefícios e progresso para a humanidade é bem disseminada. Por isso, quando um produto industrial utiliza termos científicos em sua embalagem ou em sua propaganda, os consumidores são levados a crer que aquele produto é inovador ou apresenta vantagens em relação aos concorrentes. O uso da ciência – ou do conceito de ciência existente na sociedade – para estimular o consumo, por ampla variedade de produtos, torna os supermercados e locais afins divulgadores coadjuvantes de ciência?</p>
<p>A ciência está tão difundida na sociedade que uma simples ida ao supermercado pode suscitar uma série de questões relacionadas a esse campo do conhecimento. Nas prateleiras vemos grande quantidade de produtos que apresentam, nos rótulos e nas propagandas, diversas referências a termos científicos. É o caso daqueles que dizem ter vitaminas e sais minerais, lactobacilos vivos e até elementos químicos como zinco, selênio, potássio e ferro, a exemplo de certos pudins, pães e achocolatados.</p>
<div class="pullquote">O uso de termos científicos visa chamar a atenção do consumidor e convencê-lo de que um produto é melhor que os demais</div>
<p>O uso dessas palavras visa chamar a atenção do consumidor e convencê-lo de que um produto é melhor que os demais por ser enriquecido com determinados elementos, incluir novas tecnologias ou produzir efeitos mais precisos.</p>
<p>Um sabão em pó alega ter uma tecnologia que remove manchas mais que os outros, pois é multiação. Há iogurtes que dizem conter <em>Dan regularis</em>, bacilo que ajuda o intestino, pastilhas para vasos sanitários que afirmam ter bicarbonato de sódio em sua fórmula e muitos outros exemplos.</p>
<p>De modo mais ou menos intenso, a ciência presente em vários produtos é usada como forma de propaganda. Muitos desses conceitos são de entendimento relativamente fácil para boa parte do público, mas isso não acontece com outros, o que pode gerar uma mistificação da ciência.</p>
<dl class="image-inline captioned image-inline">
<dt><a rel="lightbox" href="/revista-ch/2012/290/imagens/supermercados02.jpg"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/290/imagens/supermercados02.jpg/image_preview" alt="Supermercado" title="Supermercado" height="300" width="400" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:400px">As prateleiras dos supermercados estão repletas de produtos que fazem referência a termos científicos em seus rótulos como forma de propaganda. (foto: Flickr/ astro1991 – CC BY 2.0)</dd>
</dl>

<p>Já que essas mercadorias são veículos de termos científicos, poderiam os supermercados ser considerados espaços de divulgação da ciência, ou lugares que contribuem para a formação de uma cultura científica?</p>
<p>Devemos ressaltar que o objetivo, aqui, não é verificar a validade dos efeitos alegados pelos produtos ou a veracidade dos processos tecnológicos supostamente usados em sua fabricação, e menos ainda checar se de fato contêm os elementos e compostos anunciados. O que procuramos estabelecer é a relação entre público, ciência e <em>marketing</em>, entendendo como esse tripé está associado do ponto de vista da divulgação da ciência.<br /><br /></p>
<h3>Divulgação na prateleira</h3>
<p>Quando vê produtos com termos científicos, o consumidor – quer os entenda ou não – torna-se consciente da existência dessas palavras e de sua circulação na sociedade. Portanto, de alguma forma, os termos científicos nas embalagens divulgam algo no campo da ciência, ainda que de forma bem menos complexa e intencional do que as instituições voltadas especificamente para essa divulgação.</p>
<div class="pullquote">Nos supermercados, não se trata de transformar a ciência em produto, e sim de usá-la para auxiliar a promoção de um produto</div>
<p>Alguns podem ver isso apenas como estratégia de propaganda: o ‘<em>marketing</em> científico’. No entanto, o princípio básico dessa modalidade de <em>marketing</em>, segundo a cientista social Sarita Albagli, é o de que o conhecimento – e sobretudo o discurso que o contém – também é um produto. Nesse caso, o público deve ser seduzido pelo discurso e absorver a ideia de que consumir um conhecimento (ir a feiras científicas ou museus, adquirir publicações ligadas à ciência etc.) é bom para ele.</p>
<p>Nos supermercados, não se trata de transformar a ciência em produto, e sim de usá-la para auxiliar a promoção de um produto. No <em>marketing</em> científico, os recursos mercadológicos são aplicados para estimular o consumo do próprio conhecimento e de produtos relacionados às ciências.</p>
<p>No caso do uso de termos científicos para atrair o consumidor, ocorre o inverso: o conhecimento científico é aproveitado no fazer mercadológico. Com base nisso, podemos entender o supermercado e outros locais afins como espaços coadjuvantes de divulgação da ciência.<br /><br /></p>
<div class="bloco-centralizado">Você leu apenas o início do ensaio publicado na <a title="Edição 290" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/290">CH 290</a>. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. <dl class="image-inline captioned">
<dt><a title="Supermercados: espaços de cultura científica?" class="internal-link" href="/revista-ch/2012/290/pdf_aberto/ensaio290.pdf"><img src="http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/imagens/pdf_aberto_gif.gif/image_preview" alt="PDF aberto (gif)" title="PDF aberto (gif)" height="13" width="38" /></a></dt>
 <dd class="image-caption" style="width:38px"></dd>
</dl>
</div>
<p><br /><strong>Luis Felipe Dias Trotta</strong> e<strong><br />Moema de Rezende Vergara </strong><br />Museu de Astronomia e Ciências Afins, <br />Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação</p>
]]>
  </content:encoded>
aa
  <dc:publisher>No publisher</dc:publisher>
  <dc:creator>Luis Felipe Trotta e Moema Vergara</dc:creator>
  <dc:rights></dc:rights>
  
   <dc:subject>Ciência</dc:subject>
  
  
   <dc:subject>Divulgação científica</dc:subject>
  
  <dc:date>2012-04-10T14:22:16Z</dc:date>
  <dc:type>Matéria</dc:type>
 </item>

 


</rdf:RDF>

