Ferramentas Pessoais
a a a
Revista CH / 2012

Bom de bico e de... número

Estudo sugere que pombos podem raciocinar matematicamente. As aves foram capazes de organizar conjuntos de objetos em ordem crescente de número. Trata-se da primeira vez que essa habilidade mental é observada em um não primata.

Por: Cássio Leite Vieira

Publicado em 16/02/2012 | Atualizado em 16/02/2012

Bom de bico e de... número

Exemplo das muitas formas e cores apresentadas aos pombos no experimento que mostrou que esses animais são capazes de ordenar conjuntos com diferentes números de elementos. (foto: Damian Scarf)

Pombos são vistos como pragas urbanas: fazem sujeira e transmitem doenças. Mas, depois de ler esta nota, é possível que o leitor tenha outro olhar para esses pássaros. Razão (impressionante): eles podem raciocinar matematicamente. É a primeira vez que essa habilidade mental é encontrada em um não primata.

Em 1998, um estudo com macacos Rhesus fez época. Mostrou que esses animais podiam ordenar dois conjuntos, pondo aquele com menor número de elementos antes do segundo. Experimentos comprovaram essa capacidade em outros primatas.

De lá para cá, será que algum especialista da área chegou a pensar que pombos fariam o mesmo?

A equipe de Damian Scarf, da Universidade Otago (Nova Zelândia), treinou três pombos por um ano. A metodologia era mais ou menos essa: em uma tela, surgiam, na frente da ave, um retângulo amarelo, duas figuras ovais vermelhas e três barras também amarelas. Se os pombos bicassem as figuras em ordem crescente de elementos, ganhavam alimento. Ou seja, os animais aprenderam que o importante era a quantidade de figuras, não a forma ou a cor delas.

Finalizado o treino, veio nova etapa. Agora, na tela, surgiam, para os pombos, dois conjuntos de figuras (também com formas e cores distintas), mas, dessa vez, contendo de um a nove elementos e... os animais foram capazes de apontar a sequência ascendente para cada par.

Os resultados mostram que as escolhas dos pombos estão longe de serem meramente aleatórias

Segundo Scarf, os resultados, publicados em dezembro de 2011 na Science, mostram que as escolhas dos pombos estão longe de serem meramente aleatórias.

Em resumo: os pombos sabiam ordenar os conjuntos.

A líder do estudo de 1998 com os macacos Rhesus, Elizabeth Brannon, da Universidade Duke (Estados Unidos), se mostrou surpresa com os resultados. Para ela, impressiona o fato de cérebros distantes milhões de anos na escala evolutiva terem resolvido o problema de modo semelhante.

Distinção em nome da clareza: vários animais, até mesmo insetos, são capazes de discriminar quantidades, mas não se mostraram, até agora, dotados da capacidade de raciocinar numericamente. Isso, por enquanto, parece ser mérito apenas de primatas e... pombos. E há pesquisadores da área que acreditam que habilidades até mais complexas estão presentes nos animais.

O leitor gosta de comportamento animal e lê em inglês? Então, fica a sugestão de artigo que faz bom apanhado dos últimos resultados nesse campo.

Cássio Leite Vieira
Ciência Hoje/ RJ

Texto originalmente publicado na CH 289 (janeiro/fevereiro de 2012).

Ações do documento
blog comments powered by Disqus
Banner loja 

pchae
Quer publicar na CH?

Se você é pesquisador e gostaria de submeter um artigo para publicação na Ciência Hoje, confira antes nossas instruções para autores.

Acesso aos PDFs

A cada nova edição da CH impressa, alguns artigos e seções estarão disponíveis para todos os leitores. Esses itens estarão identificados com o ícone PDF aberto. Os outros artigos e seções (identificados com o ícone PDF fechado) em breve estarão disponíveis para os assinantes da CH.

RSS

RSS gif

Seja notificado sempre que for publicada na CH On-line uma nova matéria da CH impressa. Saiba mais sobre RSS.

Índices

Baixe arquivos de PDF com os índices dos últimos volumes da revista Ciência Hoje:

Sua opinião

Caro leitor, gostaríamos de contar com sua colaboração, respondendo a uma breve pesquisa para aprimorarmos ainda mais a qualidade da revista Ciência Hoje. Na edição deste mês: 1) Qual o artigo de que você mais gostou? 2) Qual o artigo de que você menos gostou? Deixe suas respostas nesse fórum ou envie-as para cienciahoje@cienciahoje.org.br. Obrigado por sua participação!

 
Parceria: 

Ciencia Hoy