Ferramentas Pessoais
a a a
Revista CH / 2012

A crise econômica internacional e o Brasil

Como os avanços econômicos e sociais que o país tem vivido podem ser afetados pelos abalos à economia mundial e até que ponto o país é vulnerável? Em série de artigos na CH 289, economistas analisam a questão com perspectivas distintas.

Por: Celia Lessa Kerstenetzky

Publicado em 07/02/2012 | Atualizado em 07/02/2012

A crise econômica internacional e o Brasil

Para o economista Reinaldo Gonçalves, os países desenvolvidos sairão da crise em médio prazo, enquanto no Brasil, se não houver mudanças significativas, as locomotivas voltarão aos trilhos e o vagão da 3ª classe descarrilará. (ilustração: Mauricio Planel)

O Brasil tem vivido, nos últimos anos, a feliz combinação de avanços econômicos e progresso social, em uma escala de que não se tem memória em muitas gerações.

Se não foi espetacular na comparação com os competidores usuais China e Índia, o crescimento da economia nos deixou em situação vantajosa no que se refere, por exemplo, ao emprego: ao contrário dos ‘rivais’, crescemos no mesmo ritmo que nossos empregos e apoiados em prodigiosa expansão do mercado interno, por sua vez ineditamente abastecido por políticas sociais em sentido amplo.

O inglês Richard Titmuss (1907-1973), fundador do campo teórico do Estado de bem-estar, descreveria nosso experimento recente como uma instância do “crescimento social” com que sonhava.

Não que os problemas remanescentes de crescimento social insuficiente tenham sido eliminados: longe disso. Ainda assim, enquanto a minha geração (a geração do ‘milagre’) cresceu embalada na esperança do crescimento econômico, a nova geração parece energizada pela queda da desigualdade e pelo desenvolvimento humano, aspirações mais exigentes, que serão muito provavelmente referências na formação de suas preferências políticas.

Contudo, o Brasil, assim como o homem, não é uma ilha. Desde 2008, o mundo desenvolvido sofre as consequências de uma crise financeira com epicentro nos Estados Unidos e que, como um rastilho, se espalhou pelas economias europeias e, em menor medida, pelas emergentes, agora globalizadas.

É bem verdade que não se pode generalizar a crise para toda a Europa não periférica, pois o estado de bem-estar tem se expandido, em combinação virtuosa com o crescimento econômico, no tradicional modelo de crescimento social da Escandinávia.

Nos Estados Unidos e em vários países da zona do euro, porém, a crise financeira se converteu em crise fiscal e, nessa qualidade, vem consumindo empregos, escolas, clínicas, proteção social, além de aumentar a pobreza e a desigualdade e gerar insegurança.

Os reflexos da crise, mesmo que modestos, já se fazem sentir nas economias periféricas. Até quando serão modestos?

Os reflexos, mesmo que modestos, já se fazem sentir nas economias periféricas. Até quando serão modestos? Artigo publicado na revista anti-intervencionista The Economist saudava o crescimento apoiado no mercado interno e as políticas brasileiras anticíclicas (que visam suavizar as flutuações no nível da atividade econômica) como muito efetivas para explicar o fato de o Brasil ser o último a entrar e o primeiro a sair da crise de 2008.

No entanto, a crise internacional persiste. Qual exatamente a natureza da crise atual e sua ascendência na crise do mercado imobiliário americano? Quais as possibilidades de reversão? O contágio é evitável? As iniciativas que suavizaram seus efeitos por essas bandas em 2008-2009 podem/devem ser de novo acionadas? Até que ponto estamos vulneráveis à crise por desatenção a fragilidades estruturais que seriam mais propriamente nossas?

Essas e algumas outras questões são tratadas, com perspectivas distintas, pelos economistas Reinaldo Gonçalves, Fernando Cardim de Carvalho e Márcio Garcia em três artigos na CH 289.

Você leu o texto de introdução da série de três artigos sobre a crise econômica internacional publicada na CH 289. Clique no ícone a seguir para ler a série na íntegra PDF aberto (gif)


Celia Lessa Kerstenetzky
Departamento de Ciência Política
Universidade Federal Fluminense

Ações do documento
blog comments powered by Disqus
novobannerch.jpg  

pchael
Assinatura digital

acervo digital

Clique aqui para informações

Suplemento cultural

banner sC

Quer publicar na CH?

Se você é pesquisador e gostaria de submeter um artigo para publicação na Ciência Hoje, confira antes nossas instruções para autores.

Acesso aos PDFs

A cada nova edição da CH impressa, alguns artigos e seções estarão disponíveis para todos os leitores. Esses itens estarão identificados com o ícone PDF aberto. Os outros artigos e seções (identificados com o ícone PDF fechado) em breve estarão disponíveis para os assinantes da CH.

RSS

RSS gif

Seja notificado sempre que for publicada na CH On-line uma nova matéria da CH impressa. Saiba mais sobre RSS.

Sua opinião

Caro leitor, gostaríamos de contar com sua colaboração, respondendo a uma breve pesquisa para aprimorarmos ainda mais a qualidade da revista Ciência Hoje. Na edição deste mês: 1) Qual o artigo de que você mais gostou? 2) Qual o artigo de que você menos gostou? Deixe suas respostas nesse fórum ou envie-as para cienciahoje@cienciahoje.org.br. Obrigado por sua participação!

 
Parceria: 

Ciencia Hoy