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Revista CH / 2010

Pavimentação com bagaço de cana

Uma nova mistura de asfalto substitui o uso de fibra de celulose por bagaço de cana de açúcar. Além de simples e barata, a medida permite reutilizar sobras do processo de fabricação do açúcar e do álcool.

Por: Bruna Ventura

Publicado em 07/06/2010 | Atualizado em 07/06/2010

Pavimentação com bagaço de cana

Anualmente são produzidos, no Brasil, cerca de 132 milhões de toneladas de bagaço de cana. Cada tonelada de cana moída gera cerca de 270 kg do bagaço (foto: flickr.com/Royal Olive – CC BY-NC-ND 2.0).

Pesquisadores comprovaram que o bagaço de cana pode ser usado como aditivo estabilizante para o asfalto, evitando que o cimento escorra durante as etapas de mistura ou de aplicação.

“A principal vantagem do bagaço de cana em relação às outras fibras é o custo significativamente inferior”, afirma Cláudio Leal, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF). “Além disso, o aproveitamento desse rejeito industrial também contribui para o desenvolvimento sustentável”, ressalta o pesquisador.

O uso do bagaço de cana evita que toneladas desse resíduo sejam descartadas sem aproveitamento

A solução foi desenvolvida para o asfalto do tipo pedra matrix (ou SMA, na sigla em inglês), desenvolvido na Alemanha no final da década de 1960. Essa mistura asfáltica é empregada em rodovias com tráfego intenso, aeroportos, áreas de carga e descarga, paradas de ônibus, estacionamentos e até em pavimentos perpétuos.

“Em função do contato grão a grão das britas maiores, o SMA é mais resistente a deformações permanentes do que misturas asfálticas convencionais”, aponta Leal. O uso do bagaço de cana na mistura evita que toneladas desse resíduo sejam descartadas sem aproveitamento.

Fibra de celulose versus bagaço de cana: uso para misturas asfálticas
A fibra de celulose é substituída por bagaço de cana de açúcar, resíduo industrial que, antes despejado no meio ambiente, passa a ser reaproveitado (foto: Cláudio Leal).

20% do bagaço vira resíduo

De acordo com o pesquisador, a produção de açúcar e álcool gera cerca de 270 kg de bagaço por tonelada de cana de açúcar moída. Estima-se que a safra brasileira produza aproximadamente 132 milhões de toneladas de bagaço por ano.

O aproveitamento deste rejeito industrial é simples: “O bagaço precisa apenas ser seco e peneirado"

Embora a maior parte seja queimada nas caldeiras das próprias usinas para geração de energia térmica ou elétrica, cerca de 20% são rejeitados no meio ambiente.

O aproveitamento deste rejeito industrial é simples: “O bagaço precisa apenas ser seco e peneirado. É diferente da produção da celulose, que envolve a polpação da madeira, um processo químico complexo e que gera alguns efluentes”, distingue Leal.

Considerando-se que a produção de uma tonelada de SMA absorve cerca de 3 kg de aditivo, o gasto com a fibra de celulose é de aproximadamente R$ 12 por tonelada de asfalto. Sua substituição, portanto, representaria uma redução de custos significativa.

A construção de um trecho experimental usando a nova fórmula do SMA está prevista para o segundo semestre de 2010, na BR-356, entre Campos dos Goytacazes e São João da Barra, no norte fluminense do estado do Rio de Janeiro.

“Já foi feito um inventário do pavimento existente, e o projeto de reforço foi elaborado”, diz o pesquisador. A vida útil do asfalto SMA é quase 50% maior do que a de misturas comuns. 

Bruna Ventura
Ciência Hoje/RJ


Texto publicado na CH 270 (maio/2010)

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