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Notícias / Medicina e Saúde

Viagra para mulheres

Medicamento contra a impotência masculina também pode ajudar no prazer sexual feminino

Por: Mariana Benjamin

Publicado em 20/11/2006 | Atualizado em 19/10/2009

 


Uma possível solução para as mulheres que possuem alguma disfunção orgástica acaba de ser testada com sucesso: o Viagra. O mesmo medicamento usado por homens contra a impotência também é capaz de aumentar o prazer sexual feminino, conclui a ginecologista Ana Lúcia Cavalcanti em sua tese de doutorado apresentada no Departamento de Ginecologia da Universidade de São Paulo.

Segundo a pesquisadora, o clitóris e o pênis são semelhantes em alguns aspectos: em ambos, a excitação gera maior fluxo sangüíneo. Na mulher, esse estado provoca também lubrificação vaginal. “O Viagra agiria como um vasodilatador. Ao aumentar a circulação, a sensibilidade clitoriana e a intensidade do orgasmo também se tornariam maiores, gerando mais prazer”, explica.

A pesquisa foi realizada com 22 mulheres entre 49 e 59 anos, todas na menopausa, que apresentavam alguma disfunção orgástica, como ausência ou retardo do prazer sexual. Para evitar que outros fatores influenciassem no resultado, as selecionadas também não tomavam remédios regularmente e não tinham nenhuma doença. “Quem está na fase reprodutiva é mais favorável ao efeito da droga; por isso, escolhi mulheres na menopausa, em que os vasos são mais velhos e a elasticidade menor”, esclarece. “Além disso, são poucos os estudos com mulheres, principalmente nessa faixa etária.”

Cavalcanti optou por utilizar a metodologia do ‘duplo placebo’, em que nem as pacientes nem a pesquisadora sabiam quem está tomando o remédio e quem está com uma pílula falsa. Em um primeiro momento, as mulheres responderam a um questionário sobre sexualidade elaborado pela pesquisadora, com perguntas como a freqüência com que elas mantêm relações sexuais e se sentem prazer. Depois, as pacientes foram examinadas com um Doppler, aparelho similar ao ultra-som, que mede o índice de resistência do sangue e sua velocidade dentro do vaso.

Uma vez identificado o estado natural das pacientes, a ginecologista pediu para que cada uma tomasse a pílula e, cerca de uma hora mais tarde, no momento de pico do remédio, refez o exame. A partir daí, Cavalcanti pediu que elas tomassem o medicamento uma hora antes de ter relações sexuais durante quinze dias. Ao final do processo, a ginecologista mediu pela última vez o fluxo sangüíneo de suas pacientes e aplicou novamente um questionário.

O resultado foi significativo: 99,9% das mulheres que tomaram o Viagra constataram um aumento na lubrificação vaginal e 68,9% afirmaram que a intensidade do orgasmo e a sensibilidade do clitóris também cresceram. Porém, as pacientes que tomaram o placebo também relataram mudanças: 18,9% declararam mais prazer clitoriano. “Isso só demonstra que são muitas as variáveis que influenciam a sexualidade da mulher. Fatores sociais e religiosos, a relação entre o casal e outras questões interferem no prazer sexual feminino”, explica a ginecologista.

Por isso, Cavalcanti alerta que o médico deve ter cuidado na hora de receitar o remédio. “É preciso que se avalie caso a caso. Se a paciente diz não ter mais prazer com o marido, mas, ao mesmo tempo, está em uma péssima fase da relação, não é o Viagra que resolverá o problema.”


Mariana Benjamin
Ciência Hoje On-line
20/11/2006

 

 
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