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Notícias / Farmacologia

Unha-de-gato contra o herpes labial

Planta amazônica dá origem a novo medicamento para combater a doença

Por: Rachel Dimetre

Publicado em 15/06/2005 | Atualizado em 22/10/2009


 Boa notícia para os portadores do herpes labial: um novo medicamento contra essa doença, feito a base de uma planta brasileira, deve ser comercializado a partir de julho. Batizado Imunomax, o fármaco é um gel de aplicação local, que age diretamente sobre os sintomas e dá alívio aos pacientes. Os últimos testes foram concluídos em dezembro de 2004 por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF).

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O gel para tratar o herpes labial foi produzido a partir da Uncaria tomentosa . Foto: Universidade de Wisconsin.

O medicamento foi produzido a partir de um extrato retirado da planta Uncaria tomentosa – mais conhecida como unha-de-gato –, abundante na região amazônica. Essa erva já vinha sendo utilizada como fitoterápico no tratamento do herpes e por isso havia indícios de seu efeito antiinflamatório. A comprovação científica dessa propriedade foi obtida pela equipe de Luiz Querino Caldas e Beni Olej, do Centro de Pesquisa Clínica (CPC), unidade da UFF voltada para o estudo e desenvolvimento de novos fármacos.
 
A obtenção do extrato da unha-de-gato foi feita pelo laboratório Herbarium, que comercializará o novo remédio. A equipe do CPC se encarregou de testar o medicamento em voluntários humanos, o que vem sendo feito desde 2004.
 
Os ensaios foram feitos com voluntários que apresentavam casos freqüentes de atividade do vírus, divididos aleatoriamente em dois grupos. Um deles recebeu o Imunomax, enquanto o outro – o grupo de controle – recebeu o Aciclovir, medicamento usualmente adotado contra o herpes labial. Os voluntários receberam uma cartela na qual deveriam detalhar as fases do tratamento (horário de aplicação do gel, desfechos clínicos) com o acompanhamento dos responsáveis.
 
Os testes não indicaram qualquer efeito colateral do novo gel e confirmaram sua eficácia: os voluntários tiveram diminuição de até 20% de sintomas como dor, ardência e queimação. “A vantagem do Imunomax em relação aos medicamentos atualmente usados contra o herpes consiste em diminuir o tempo de duração de cada episódio da doença”, afirma Luiz Querino Caldas.
 
O herpes labial é caracterizado por pequenas erupções cutâneas nos lábios que provocam dor, coceira e ardência, além do prejuízo estético. “Essa doença afeta de 20 a 45% da população brasileira”, estima o farmacologista Luiz Querino Caldas. Ela é causada por um vírus, que se mantém incubado e pode ser ativado por fatores como exposição solar, baixa imunidade ou problemas emocionais. Quando a doença se manifesta, há a possibilidade de contágio através do contato social ou pelo uso compartilhado de copos, canudos e talheres.
 
O combate do herpes é feito com anti-sépticos de uso local, antiinflamatórios e antivirais – o mais habitual é o antiviral Aciclovir. Alguns médicos prescrevem uma vacina, mas sua eficácia depende do indivíduo.
 
O novo medicamento age sobre os sintomas da doença, mas não se sabe ainda se ele tem ação antiviral. Os pesquisadores da UFF pretendem agora realizar testes para verificar essa propriedade. Mais ensaios clínicios também seriam necessários para verificar se o Imunomax é indicado também para o tratamento do herpes genital – causado por um vírus do mesmo grupo daquele que provoca a doença nos lábios.


Rachel Dimetre
Especial para Ciência Hoje On-line
15/06/05

 
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