Conseqüências da falta de água podem ser trágicas
Relatório da ONU mostra que problema já é realidade em países pobres e populosos
Por: Gisele Lopes
Publicado em 31/03/2003 | Atualizado em 09/10/2009
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A poluição, o crescimento populacional e as mudanças no clima da Terra são indicados como os fatores que mais agravam a crise. Por dia, duas toneladas de lixo (industrial, químico, agrícola e de origem humana) são despejadas nas reservas de água limpa do planeta. Como apenas um litro de água contaminada basta para poluir 8 litros de água pura, a poluição atinge níveis que crescem em altas proporções. A situação afeta sobretudo os países em desenvolvimento, onde cerca de 50% da população está exposta a fontes de água poluídas. Embora seja o maior continente do globo, a Ásia é o local mais afetado pelo aumento na população: ela abriga 60% dos habitantes do planeta, embora possua apenas 36% da reserva de água doce. A situação é parecida, embora em menores proporções, na África e na Europa. No entanto, nos países desenvolvidos o problema é diferente: a melhoria nas condições de vida fez crescer a utilização per capita de água a níveis que em breve serão inviáveis. As mudanças climáticas desempenham papel fundamental nesse quadro. Embora seja difícil antever o que ocorrerá com o clima, as previsões para aumento de condições extremas, como enchentes, furacões e tornados, preocupam os especialistas, pois esses fatores poderiam acentuar a quantidade de lixo acumulado em fontes de água. O aumento da temperatura global também pode, segundo o relatório da ONU, piorar a qualidade da água.
Na crise que se apresenta, a escassez é apenas parte do problema; a contaminação e a degradação dos ecossistemas aquáticos são as maiores causas de vítimas. Por ano, mais de 5 milhões de pessoas são atingidas por males decorrentes da ingestão de água contaminada, do contato com insetos vetores que habitam as águas poluídas e de infecções e verminoses, comuns em locais onde a água é insuficiente até para a higiene básica. Contra esse tipo de doença não existe vacina: a única proteção é a prevenção.
A viabilização do plano de metas da ONU, que estabelece que até 2015 deverá ser reduzido pela metade o número de pessoas sem acesso à água potável e saneamento básico, foi um dos principais temas de debate do Fórum. As conclusões do encontro foram redigidas na Declaração Ministerial, que, entre outros pontos, ressalta o compromisso de auxílio aos países mais pobres e a necessidade de investimentos em planos de desenvolvimento sustentável.
Gisele Lopes
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