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Notícias / Astronomia e Exploração Espacial

Saturno atinge ponto mais próximo da Terra

Evento só ocorre uma vez a cada trinta anos e permite observação privilegiada de anéis

Por: Adriana Melo

Publicado em 17/02/2002 | Atualizado em 08/10/2009

A distância entre a Terra e Saturno atinge em 17 de dezembro seu menor valor possível. A última vez em que Saturno esteve tão perto foi há trinta anos (período em que ele percorre sua órbita ao redor do Sol). Como naquela ocasião, os anéis estão voltados para a Terra e refletem a luz do Sol, o que torna o planeta mais brilhante e sua observação mais surpreendente. O planeta pode ser visto a olho nu, mas seus anéis só são identificados com o uso de pequenos telescópios.

Saturno fotografado em 1981 pela sonda Voyager 2. Duas de suas luas - Réia e Dione - podem ser vistas a sul e sudeste respectivamente (foto: Nasa/JPL)


Saturno e o Sol estão em lados opostos do céu com a Terra entre ambos, o que ocorre aproximadamente a cada 13 meses. Essa oposição será a melhor em trinta anos porque Saturno está no ponto de sua órbita mais próximo do Sol. Sua trajetória é elíptica, com um lado 6% mais perto do Sol que o outro.

 

 

O tamanho das órbitas da Terra e de Saturno não
está representado proporcionalmente: Saturno é 9,5 vezes mais distante do Sol do que a Terra

No dia 17, Saturno 'nascerá' às 19h30 (hora de Brasília) e ficará visível por toda a noite. O planeta está atualmente na constelação de Touro e é fácil localizá-lo. "Deve-se olhar para a porção nordeste-leste do céu após o pôr-do-sol", explica o físico Marcomede Rangel, do Observatório Nacional. "Saturno tem coloração amarelada e sua luminosidade não oscila como a das estrelas." O planeta estará perto da Lua, que está em Touro. Saturno permanecerá próximo à Terra por muitas semanas.

 

Saturno é o segundo maior planeta do Sistema Solar, com 120.536 km de diâmetro equatorial (cerca de nove vezes maior que o da Terra). Visto ao telescópio, é um dos mais belos corpos celestes, devido aos seus anéis. O astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642) foi o primeiro a observá-los, em 1610, quando apontou para Saturno sua luneta rudimentar e descobriu o que acreditou serem dois satélites. A existência dos anéis só seria confirmada 45 anos mais tarde, pelo astrônomo holandês Christiaan Huygens (1629-1695).

 

Foto dos anéis de Saturno feita em novembro de 1980 pela sonda Voyager 1 e realçada em computador por técnicos da Nasa


Durante muitos anos pensou-se que os anéis eram gasosos; depois, que fossem sólidos. Atualmente admite-se que são compostos por milhares de partículas minúsculas que, vistas em conjunto, parecem formar uma massa sólida. A origem dos anéis, no entanto, permanece obscura. Acredita-se que eles teriam se formado pelo despedaçamento de um satélite ou asteróide pela gravidade de Saturno. Segundo outra hipótese, eles seriam compostos por fragmentos de um satélite que não conseguiu se constituir, ou seja, não se condensou.

 

Os anéis teriam surgido muito depois de Saturno: alguns cientistas acreditam que eles são contemporâneos dos primeiros dinossauros, ou seja, surgiram há poucas centenas de milhões de anos (Saturno surgiu há 4,8 bilhões de anos). Enquanto o planeta gira em sua órbita, os anéis arrastam poeira espacial; se os anéis tivessem a mesma idade do planeta, não seriam claros e brilhantes, e sim escurecidos pelo acúmulo de poeira.

Saturno já foi visitado pelas sondas Pioneer 11 (1979), Voyager 1 (1980) e Voyager 2 (1981). A sonda Cassini está a caminho do planeta, onde deve chegar em julho de 2004. Será a primeira nave a entrar na órbita de Saturno e irá soltar uma cápsula prevista para pousar em Titã , maior satélite de Saturno.

Adriana Melo
Ciência Hoje on-line
17/12/02    

 

 
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