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Muito mais que um tempero

Tomilho cultivado no Brasil tem alta concentração de substância antibacteriana, mostra estudo

Por: Guilherme de Souza

Publicado em 08/07/2008 | Atualizado em 29/09/2009

 

Uma espécie de tomilho cultivada no Brasil e amplamente usada como tempero tem alta concentração de uma substância antibacteriana chamada timol, presente em todas as plantas do gênero. Essa característica aumenta o valor comercial do óleo essencial extraído dessa espécie de tomilho, que pode representar uma fonte de renda promissora para os agricultores brasileiros.

As plantas do gênero Thymus, popularmente conhecidas como tomilhos, são usadas com inúmeras finalidades, desde a culinária até a medicina fitoterápica. Os romanos da Antigüidade, por exemplo, banhavam-se com chá de tomilho antes das batalhas, porque acreditavam que isso lhes daria coragem. Atualmente, três espécies do gênero são usadas como tempero, entre elas a Thymus vulgaris, cultivada no Paraná e no interior de São Paulo e comercializada no mercado brasileiro.

Exemplar de Thymus vulgaris, espécie de tomilho cultivada no Brasil. De suas folhas é possível extrair óleo essencial rico em uma substância anti-séptica chamada timol (foto: Cristina Dabague).

Uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Paraná (UFPR) constatou que o óleo essencial extraído das folhas de T. vulgaris de cultivos paranaenses tem de 50% a 57% de timol, o que caracteriza sua boa qualidade, quando comparado a óleos analisados em países europeus. Estudos com outras espécies de tomilho revelaram concentrações de timol que variam de 13% a 58%.

“Em termos de qualidade, o óleo essencial de tomilho do Paraná não fica abaixo de nenhum outro”, destaca a tecnóloga de alimentos Elizabete Jakiemiu, que desenvolveu a pesquisa em seu mestrado no Departamento de Engenharia Química da UFPR.

Segundo a pesquisadora, a alta concentração de timol encontrada pode ser atribuída em parte à qualidade do solo e do clima paranaenses. As plantas cultivadas no Paraná também tiveram bom rendimento na extração de óleo essencial: 1,8%, enquanto as especificações internacionais apontam um mínimo de 1,2%.

Apesar dos bons resultados, muitos agricultores desconhecem o potencial do tomilho. “Como o uso da planta ainda é limitado no país, ela é pouco cultivada”, ressalva Jakiemiu.

Da culinária à medicina
No Brasil, o tomilho é vendido seco para ser usado diretamente na comida, assim com outros temperos. Da planta também é possível extrair seu óleo essencial, rico em timol, muito usado em anti-sépticos bucais e pastilhas para dor de garganta. Porém, é mais comum as indústrias brasileiras utilizarem timol extraído de outras fontes, pois boa parte do tomilho cultivado no país é comercializado como tempero.

Em outros países, como a França, o óleo essencial de tomilho é usado como aromatizante na culinária, sendo aplicado em pequenas doses (pouco menos de uma gota) no alimento. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não regulamentou o uso do produto no preparo de alimentos, pois não existem estudos no país sobre seus possíveis efeitos tóxicos. O óleo também é usado no exterior na fabricação de perfumes, devido ao seu aroma forte e marcante.

A produção de óleo essencial de tomilho no país poderia elevar a renda dos agricultores brasileiros, já que o preço do produto seria bem maior que o da planta seca. “Se houver um aumento na produção e uma parceria entre produtores e laboratórios, os ganhos serão consideráveis”, aponta Jakiemiu.

A pesquisadora sugere que sejam criadas usinas, na forma de cooperativas ou de associações, para extrair o óleo essencial de tomilho, cuja matéria-prima seria fornecida pelos agricultores. Ela explica que o óleo deve ser rapidamente armazenado, pois é facilmente oxidado pela ação da luz e do calor, o que provoca a perda de alguns de seus componentes, inclusive o timol. “Uma extração eficiente diminui o tempo de exposição do óleo à luz”, afirma.

Segundo Jakiemiu, o óleo essencial de tomilho nacional poderia ser comercializado para indústrias brasileiras para a produção de fármacos e perfumes e, no futuro, ser usado como aromatizante culinário. “Acredito que o mercado internacional também receberia muito bem o produto brasileiro, já que não é possível cultivar tomilho em qualquer tipo de clima.”


Guilherme de Souza
Especial para a Ciência Hoje On-line / PR
08/07/2008

 

 
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