Energia solar para irrigar plantações
Sistemas de irrigação acionados pela luz do sol podem diminuir custos da produção agrícola em MG
Por: Igor Waltz
Publicado em 08/04/2008 | Atualizado em 29/09/2009
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Pimenta acredita que a economia proporcionada pelo uso da energia solar possa aumentar os lucros dos pequenos e médios agricultores, que gastam atualmente em torno de R$ 600 em energia por hectare. Dessa forma, seria possível promover a fruticultura em pequena escala, com base na agricultura familiar.
O engenheiro esclarece que, para garantir o bom funcionamento do sistema, são necessários cinco painéis solares por hectare, que representam um gasto de cerca de R$ 10 mil. “Apesar de os painéis fotovoltaicos ainda apresentarem um alto custo inicial, eles podem ficar mais baratos com a realização de novas pesquisas e o aumento da demanda”, estima. “Além disso, o investimento inicial seria amortizado ao longo do tempo, já que as placas fotovoltaicas têm vida útil de aproximadamente 25 anos”.
Mas Pimenta admite que investimentos governamentais seriam de grande valia para viabilizar o projeto, sobretudo para os pequenos e médios agricultores, bem como os envolvidos na agricultura familiar.
Região ideal
Segundo o pesquisador, a região é ideal para implementar um sistema de produção de eletricidade com base na energia solar. Muitas comunidades e propriedades rurais não têm acesso à energia elétrica, por estarem distantes dos centros urbanos. Além disso, as características climáticas peculiares do norte de Minas Gerais facilitariam a adoção do método.
“A região, de clima semi-árido, apresenta cerca de 10 horas diárias de luz solar em praticamente todas as estações e um período de chuvas concentrado entre dois a quatro meses do ano”, conta Pimenta. “Com um suporte técnico, as populações menos favorecidas poderão ser beneficiadas por esse potencial.”
O projeto também busca estudar três métodos diferentes de irrigação, para avaliar qual é o mais eficiente para a fruticultura. Entre os sistemas a serem testados estão o gotejamento, que emprega uma vazão lenta e constante próxima à raiz; o gotejamento enterrado, no qual a água é lançada diretamente no subsolo; e a microaspersão, que consiste em jatos de água lançados para o alto e que caem de forma similar à chuva. Os pesquisadores medirão ainda a quantidade de água adequada para a produção.
O grupo prevê ainda a realização de cursos e projetos de extensão voltados para a agricultura familiar, na tentativa de ajudar os produtores e as comunidades a se habituarem à nova tecnologia de irrigação. “Pretendemos também estimular a produção de polpas e cremes com as frutas cultivadas, como forma de complementar a renda desses pequenos agricultores”, acrescenta Pimenta.
Igor Waltz
Ciência Hoje On-line
08/04/2008


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