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 PERFIS - MAURÍCIO DA ROCHA E SILVA

A fundação da SBPC
Na sociedade, Rocha e Silva defendeu liberdade de cientistas durante ditadura

Maurício da Rocha e Silva lutou junto a José Reis, Paulo Sawaya e outros pesquisadores pela criação de uma Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) nos moldes da similar norte-americana e da Royal Society inglesa. Os cavaleiros andantes, como Maurício, José e Paulo ficaram conhecidos, conscientizavam os cientistas da importância da sociedade, que foi fundada com 265 assinaturas em 1948 -- mesmo ano de descoberta da bradicinina. No ano seguinte, seria realizada a primeira reunião anual da SBPC, que atualmente reúne cerca de 70 sociedades e associações científicas, e seria lançada a revista Ciência e Cultura, até hoje em circulação.

Paulo Sawaya e José Reis, cavaleiros
andantes como Rocha e Silva

O fator decisivo para o surgimento da SBPC foi a iniciativa do então governador de São Paulo, Adhemar de Barros, de transformar o Instituto Butantã em simples produtor de soros e vacinas, em detrimento da prática da pesquisa básica. Assim, alguns cientistas resolveram criar uma associação para defender seus interesses e lutar pelo avanço da ciência nacional.

Rocha e Silva assumiu a presidência da sociedade por três vezes e a vice-presidência outras cinco. Conselheiro de 1959 a 1963, recebeu o título de presidente de honra em 1969. Na reunião de 1958, que comemorou os dez anos da entidade, aconteceram os primeiros debates sobre a questão nuclear. À época era instalado o primeiro reator do país, em São Paulo. Rocha e Silva discursou em defesa da SBPC, da ciência e da pesquisa básica em resposta ao Ministério da Educação, que havia proposto a abolição da pesquisa científica nas universidades e sua substituição pelo ensino vocacional e pelo desenvolvimento tecnológico.

Rocha e Silva - segundo da direita para a esquerda - discursou
em defesa da pesquisa básica na 10a reunião da SBPC

Na década de 1950, a SBPC assumiu postura mais politizada, acentuada com o golpe de estado de 1964. O clima de perseguição levou Rocha e Silva, então presidente da sociedade, a escrever um editorial de Ciência e Cultura em que exigia do governo o retorno de cientistas exilados para que a ciência não fosse "tratada como atividade clandestina sujeita a inquéritos e perseguições pessoais". A repressão aos cientistas, contudo, tornou-se ainda mais severa.

Raquel Aguiar
Ciência Hoje/RJ
novembro/2001

Leia também o perfil de José Reis

 

 
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