|
O militante da ciência À frente da Academia, Leão lutou com simplicidade pelo progresso científico do país
Na função de presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), que exerceu de 1967 a 1981, Aristides Pacheco Leão protegeu cientistas perseguidos pelo regime militar, defendeu publicações científicas e assinou convênios importantes para o desenvolvimento científico do país.
|

|
|
|
Aristides Leão recebe homenagem da ABC por seuseptuagésimo aniversário, em novembro de 1984 | | |
Embora não se interessasse por política, Leão se destacou na presidência da Academia. Manteve sempre um bom relacionamento com os militares que assumiram o governo do país. Durante o mandato do general Médici na presidência da República, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) passou a ser coordenado pelo general Arthur Mascarenhas Façanha, que admitira saber pouco sobre o assunto, em 1972. Leão se tornou amigo do oficial e evitou que muitos cientistas fossem perseguidos. "Acontecia de Aristides e outros cientistas saírem com o coronel Tebano, assistente de ordem do general Façanha, para libertar os pesquisadores que eram aprisionados pelos militares", afirma Elisabeth Leão.
|

|
|
|
Leão recebe o prêmio Álvaro Alberto em 1973. Atrás dele, a esposaElisabeth. O mais alto à esquerda é Romualdo José do Carmo, queestudou a depressão alastrante com Aristides a partir dos anos 70 | | |
Em 1970 a Revista Brasileira de Biologia teve sua publicação ameaçada pela censura do governo. Os editores seriam cassados e não poderiam continuar seu trabalho. Além de impedir a ação dos militares, Leão fez a Academia assumir exclusivamente a responsabilidade editorial e financeira da revista, antes assistida por um conselho científico.
Preocupado com a relação da Academia com outros órgãos científicos internacionais de importância, Leão assinou vários convênios, por exemplo, com a Royal Society da Inglaterra e com o Japan Society for the Promotion of Science.
Elisabeth acredita que o sucesso como presidente da Academia tenha sido alcançado graças ao humanismo de Leão. "Ele tinha um enorme respeito pelo outro. Ouvia tudo o que alguém tinha para falar e se preocupava demasiadamente com os problemas alheios", afirma.
|

|
|
|
Elisabeth recebe de Eduardo Krieger (esq.), presidente da ABC, título póstumo de presidente emérito da instituição para seu marido (no quadro ao fundo) | | |
Sua atuação lhe rendeu muitos títulos, como os prêmios Einstein, em 1961, Álvaro Alberto em 1973, e Moinho Santista, em 1974 -- consideradas importantes premiações científicas. Leão ganhou também o prêmio de personalidade global em 1977, das Organizações Globo. Como reconhecimento ao trabalho realizado pelo neurofisiologista, os acadêmicos entregaram a Elisabeth em 1994, quatro meses após a morte de Aristides, o título de presidente emérito da Academia Brasileira de Ciências, e a biblioteca da instituição foi batizada com seu nome.
Rodrigo Polito Ciência Hoje on-line janeiro/2003 |