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A descoberta da depressão alastrante Mecanismos responsáveis pela 'onda de Leão' ainda são desconhecidos
A depressão alastrante, descoberta por Aristides Leão, é um fenômeno no qual ocorre uma queda acentuada na amplitude da atividade elétrica espontânea do córtex cerebral quando estimulado artificialmente; essa depressão se propaga a áreas vizinhas e, após certo período de tempo, retorna ao quadro normal. O estímulo pode ser provocado por um toque, choque elétrico ou substância química. No entanto, até hoje não se sabe qual é o mecanismo que origina naturalmente o fenômeno.
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Arisitdes Leão descobriu a depressão alastrante ao estudar o córtex cerebral de um coelho, como na imagem acima | | |
A descrição da 'onda de Leão' ajuda no diagnóstico de doenças ainda pouco compreendidas como a epilepsia e a enxaqueca. "Não conhecemos o mecanismo responsável pela depressão, mas compreendemos que ela está profundamente ligada ao metabolismo", afirma Hiss Martins Ferreira.
Aristides descobriu o fenômeno quando pesquisava a epilepsia experimental, nos Estados Unidos. Em um experimento em 1943, Leão colocou uma fileira de eletrodos na superfície cortical do cérebro de um coelho. O primeiro eletrodo estimularia a região, enquanto os outros registrariam as ondas elétricas. Dessa forma, ele reparou que, ao ser estimulada, a região sofria uma depressão intensa e duradoura de oscilações elétricas espontâneas, que se expandia lentamente e, ao fim de cerca de 15 minutos, retornava à normalidade.
Muitos cientistas já haviam observado o fenômeno mas não se preocuparam em investigá-lo. Com o artigo "Spreading depression of activity in the cerebral cortex", baseado em sua tese de doutorado e publicado em 1944 no Journal of Neurophysiology, Leão causou impacto no campo da neurofisiologia e abriu novas perspectivas de conhecimento do sistema neural.
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Gráfico mostra diminuição e recuperação progressiva da atividade elétrica espontânea no córtex cerebral de um coelho. O fenômeno atinge sucessivamente as regiões onde estão aplicados os eletrodos (de 1 a 7), a partir da região estimulada (S) | | | De volta ao Brasil, Leão se aprofundou nos estudos da depressão alastrante. Em 1947, concluiu seu primeiro trabalho feito todo ele no país, no qual registrou valores da variação de voltagem que acompanhava a lenta progressão da depressão. Segundo Ferreira, esse foi o seu grande trabalho realizado no Brasil. "A variação lenta é a marca registrada da ocorrência da depressão alastrante no sistema nervoso central", afirma.
Com o desenvolvimento das pesquisas, Leão comprovou que o fenômeno não se restringe ao córtex, e pode ser identificado em outras estruturas neurais. Ferreira se dedicou então à pesquisa da depressão em retinas isoladas de animais, sobretudo sapos e pintos. Ele observou que essas áreas também apresentavam o efeito da depressão alastrante, em forma de ondas, perceptíveis a olho nu.
Romualdo José do Carmo explica que a propagação da onda de Leão é semelhante à marcha de um tipo de epilepsia estudada pelo médico inglês Hughlings Jackson (1835-1911). "Esse tipo de crise epiléptica se manifesta clinicamente em grupos musculares de determinada região do corpo, depois se propaga para outros músculos do mesmo lado", afirma.
Em busca de respostas, muitos centros de pesquisa ainda se dedicam aos estudos da depressão alastrante, sobretudo na República Tcheca, nos Estados Unidos e no Brasil, no Laboratório de Neurofisiologia da UFRJ que leva o nome de Aristides Leão.
Rodrigo Polito Ciência Hoje on-line janeiro/2003 |