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De onde vêm as gordurinhas?
Entenda o que acontece com as calorias que ingerimos e não gastamos!

Comer demais engorda! Mas o que é comer demais? Para os médicos especialistas em nutrição, comer demais é comer acima do nosso gasto de energia. E nós gastamos energia em tudo o que fazemos -- correndo, nadando, dançando, caminhando, andando de patins, pensando e até dormindo. Só que os gastos de energia são diferentes: tudo aquilo em que empregamos mais força física consome mais energia. Para dormir, por exemplo, ficamos praticamente parados, só o nosso organismo (incluindo aí o nosso cérebro) é que funciona. Neste caso, o gasto de energia certamente é menor do que durante a aula de educação física na escola.

Um carro, para se mover, precisa de combustível -- seja gás, álcool, gasolina, eletricidade, luz solar etc. E a energia de que precisamos? Vem de onde? Claro: vem dos alimentos, daqueles que contêm proteínas, açúcares e gorduras.

A energia fornecida pelos alimentos é medida em calorias. Os atletas consomem muita energia, por isso, precisam comer mais do que pessoas sedentárias, aquelas que não praticam atividade física regularmente. Assim, podemos dizer que as calorias que os atletas ingerem são transformadas em corridas, em saltos e em músculos. No entanto, se uma pessoa sedentária comer o mesmo que um atleta, as calorias que não forem transformadas em energia vão se acumular e fazê-la engordar.

Mas o que acontece dentro do nosso organismo com as calorias que não são gastas e sobram? Elas ficam guardadas na forma de gordura, principalmente no tecido adiposo, e serão utilizadas quando for necessário. É o mesmo que ocorre quando não gastamos toda a nossa mesada. O que sobra podemos, então, guardar na caderneta de poupança ou mesmo no cofrinho.

E o que ocorre quando fazemos muito exercício num dia e comemos pouco? Da mesma forma que precisaremos tirar dinheiro do cofrinho ou da caderneta de poupança, se gastarmos além do valor da nossa mesada, o organismo vai buscar energia nas suas reservas, ou seja, no tecido adiposo. Quando gastamos mais energia do que ingerimos, ele tira energia das gorduras estocadas e, aí, emagrecemos.

Mas as coisas não são tão simples assim. Até que os alimentos estejam prontos para serem utilizados ou armazenados, passam por um longo processo bioquímico. O termo pode parecer complicado, mas quer dizer química da vida (bio, em grego, significa vida). Para entender melhor, podemos comparar o nosso organismo com um laboratório de química com muitos funcionários.

Os funcionários mais ativos do laboratório do corpo são as enzimas. Elas estão em toda parte do organismo e algumas delas têm a função de modificar os alimentos que ingerimos para que possam "viajar" pela corrente sangüínea. As enzimas atuam desde a boca até o intestino, transformando arroz, batata, carne e tudo o mais em unidades bem pequenas, fáceis de serem transportadas pelo sangue. A carne, por exemplo, se transforma em moléculas de aminoácidos (que formam as proteínas) e em gorduras. Já os alimentos ricos em carboidratos -- como arroz, massas e doces -- viram moléculas de vários tipos de açúcar, como a glicose e a frutose.

continua...

Ciência Hoje das Crianças 118, outubro 2001
Débora Foguel,
Departamento de Bioquímica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

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