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Um pra cada um

A jararaca é cobra peçonhenta. Seu veneno causa inchaço no local e hemorragia

No Brasil, há cerca de 260 espécies catalogadas de serpentes, das quais cerca de 40 são peçonhentas. Quem nunca ouviu falar em jararaca, surucucu, cascavel e coral? Esses são os principais grupos de serpentes peçonhentas existentes no nosso país.

Grupos? Sim, senhor! O termo jararaca, por exemplo, refere-se a mais de 20 espécies de serpentes com características semelhantes, como a forma da cabeça e do corpo. Da mesma forma, surucucu, cascavel e coral também são grupos de serpentes peçonhentas. Então, em nome da precisão, é bom determinar de qual espécie estamos falando ao chamar de jararaca a vizinha chata que detesta brincadeira de criança!

O veneno de cada grupo de serpentes peçonhentas tem uma composição diferente. Por isso, sua ação irá provocar sintomas distintos! Por exemplo, a peçonha do grupo jararaca, encontrado em todo o país, tem efeito local: causa inchaço e hemorragia; além disso, destrói os músculos da região onde é injetada. A ação do veneno das serpentes do grupo surucucu, que vivem na Mata Atlântica e Amazônia, produz sintomas semelhantes aos gerados pela peçonha do grupo jararaca.

Já a toxina do grupo cascavel provoca visão dupla, paralisa os músculos do animal e impede que ele se movimente. Serpentes desse grupo podem ser encontradas em todo o país, exceto na Mata Atlântica e na Amazônia. O veneno do grupo das corais, por sua vez, mata por parada respiratória ao bloquear os movimentos de um músculo chamado diafragma, que é responsável pela respiração. O diafragma se contrai e relaxa. Graças a esse movimento, ocorre a entrada de ar nos pulmões, chamada inspiração, e a saída de ar, a expiração. E se o diafragma não se movimenta... não há respiração!

Uma picada de cascavel provoca visão dupla e paralisia dos músculos,
impedindo que a presa se movimente

A cada ano, cerca de 20 mil pessoas são picadas por cobra no Brasil. Acidentes com serpentes do grupo jararaca são os mais freqüentes e acontecem, sobretudo, no campo. O socorro precisa ser rápido. O médico determina qual grupo de cobra picou a pessoa por meio dos sintomas que ela apresenta. Afinal, cada grupo de serpentes peçonhentas apresenta um veneno específico, que provoca sintomas diferentes.

Começa, então, o tratamento. É hora de dar ao paciente injeções, xaropes ou comprimidos, certo? Errado! A pessoa picada por cobra será tratada com soro. Pensa que existe um soro capaz de neutralizar todos os venenos de cobra? Nada disso! Para tratar a intoxicação provocada pela peçonha de cada grupo de serpentes, há um soro específico. Por isso é tão importante o médico definir qual a espécie ou o grupo da serpente que picou a pessoa. Há um soro para neutralizar a peçonha da coral, outro para impedir a ação do veneno da jararaca e assim por diante.

Mas o melhor mesmo é prevenir! Então, anote: evite andar descalço pelo mato. De cada dez picadas, sete acontecem abaixo do joelho. Além disso, não coloque as mãos dentro de buracos, montes de folhas ou troncos de árvores. Prefira usar um pedaço de pau, pois de cada seis picadas, uma é nas mãos. Se você seguir esses conselhos, irá diminuir bastante as chances de ser picado por uma cobra!

Veja ainda:
O que fazer em caso de picada?
Como é produzido o soro?

Ciência Hoje das Crianças 126, julho 2002
Mara Figueira,
Ciência Hoje/RJ,
Maria de Fátima Domingues Furtado,
Departamento de Herpetologia e
Rosalvo Guidolin,
Departamento de Produção e Desenvolvimento de Soros Hiperimunes,
Instituto Butantan.

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