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Comida de dinossauro
Além de trazer informações sobre o ambiente em que viveram os dinossauros, a paleobotânica também é capaz de indicar quais plantas, provavelmente, eles comiam. Como você sabe, há animais que se alimentam apenas de outros animais. Por isso, são chamados de carnívoros. Outros -- os herbívoros -- comem somente plantas. Por fim, há os que comem de tudo: os onívoros.
Basta analisar os dentes de um animal para saber do que ele se alimenta. Isso porque os dentes são adaptados ao tipo de alimentação. Os carnívoros, por exemplo, têm dentes pontudos, enquanto os dentes dos herbívoros são planos.
Quando encontramos um dinossauro que tem dente de herbívoro, sabemos que ele comia plantas. Mas... que plantas? Pode ser qualquer uma, certo? Não necessariamente! A partir da paleobotânica, é possível saber quais plantas viviam na mesma época dos dinossauros. Ou quais eram encontradas junto ou próximo a certas espécies desses animais! Assim, os cientistas podem eliminar as plantas que, com certeza, não poderiam fazer parte da dieta dos dinossauros e trabalhar apenas com as mais prováveis.
Quer um exemplo? Sabe-se que os dinossauros que viveram entre aproximadamente 195 milhões de anos e 140 milhões de anos atrás não comiam plantas com flores pelo simples fato de que, neste período, não existiam plantas com flores! Elas apareceram apenas entre 136 milhões de anos e 65 milhões de anos atrás. Da mesma forma, sabe-se que plantas do extinto grupo das progimnospermas não faziam parte da dieta dos dinossauros. Adivinhe por quê! Os dinossauros não existiam no período em que as progimnospermas viveram.
A paleobotânica não é a única ferramenta que pode trazer informações sobre os ambientes do passado. No entanto, sem ela, seria impossível imaginar dinossauros ou qualquer outro animal -- terrestre, principalmente -- em um lugar que não fosse o deserto. Afinal, assim seria o mundo sem as plantas, as bactérias, os fungos etc.
Ciência Hoje das Crianças 127, agosto 2002 Carlos Eduardo Lucas Vieira, Programa de Pós-graduação em Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul |