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Quando crescer, vou ser... paleontólogo

Há milhões de anos, surgiram os primeiros habitantes do nosso planeta! Muito tempo depois, as plantas, os insetos e os peixes foram aparecendo. Novos tipos de vida vieram com os dinossauros, os répteis voadores, as primeiras aves de caudas compridas e dentes e, após muito tempo, as preguiças gigantes. Com tantos seres que já não existem, apareceram uma nova ciência e um novo profissional, capaz de reconstituir a história da vida na Terra. Assim é o paleontólogo, que, munido de picareta, martelo, paciência e muito estudo no laboratório, tenta recuperar o passado da vida na Terra.

O primeiro passo no trabalho do paleontólogo é definir o tipo de organismo, a época histórica e o local a serem estudados. Depois, o pesquisador deve encontrar uma pista que indique a passagem desse ser pelo nosso planeta. É aí que a aventura começa!

Muitos profissionais saem em expedições à procura de fósseis, como são chamados os vestígios de um animal ou vegetal que se preservaram ao longo do tempo, muitas vezes durante milhões de anos. Esses vestígios, que podem ser ossos, pegadas, dentes -- e até as fezes! --, são encontrados em rochas formadas pelo acúmulo de materiais sólidos. Não raro, a descoberta de fósseis revela grandes surpresas!

O paleontólogo Cástor Cartelle, da Universidade Federal de Minas Gerais, é especialista em mamíferos que habitaram o Brasil há 15 mil anos e já participou de inúmeras expedições. Ele conta que é preciso ter um olho treinado para encontrar um fóssil. Além disso, o profissional tem de estar habituado com a falta de conforto. "Podemos ficar dias em lugares sem infra-estrutura e não encontrar um fóssil sequer", diz.

Outras vezes, os caçadores de fósseis se vêem diante de perigos reais! "Já presenciei uma revoada imensa de morcegos ao entrar em uma gruta, fiquei cara a cara com uma onça e encontrei inundações", revela Cartelle.

Se você associou isso aos filmes de Indiana Jones, cuidado! Esse personagem era arqueólogo, ou seja, estudava povos antigos a partir dos objetos deixados por eles. É comum confundir as duas profissões.

É bom lembrar, também, que o paleontólogo nem sempre participa de expedições. "Muitos profissionais trabalham no laboratório, na análise de pequenos organismos e de plantas fósseis", diz o paleontólogo Ismar de Souza Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segundo ele, depois de encontrar um fóssil, é preciso removê-lo, utilizando materiais como martelo, formão e picareta e levá-lo ao laboratório, onde será preparado e analisado. O paleontólogo descreve a peça encontrada e tenta descobrir a que organismo pertencia, como vivia aquele ser e que interpretação pode-se fazer sobre ele.

Esse trabalho requer muita paciência e costuma levar anos para ser concluído. "Em alguns casos, fica difícil separar fóssil e rocha; em outros, faltam pistas sobre a origem daquele material", explica Ismar. "É como uma formiga levando comida para o formigueiro", compara Cartelle. "De folha em folha, elas completam o estoque; de fóssil em fóssil, nós completamos a análise."

Apesar das dificuldades, os paleontólogos acreditam que o trabalho é compensador. "Ao analisar e reproduzir a vida do passado, nós entendemos muito mais sobre a vida atual e como as mudanças aconteceram", diz Cartelle. Para Ismar, é emocionante estar diante de um objeto de milhões de anos e descobrir coisas novas sobre um ser já extinto.

Aliás, foi isso que lhe chamou a atenção para a paleontologia. "Desde os sete anos, interesso-me pela origem da vida na Terra", diz Ismar. Quando adolescente, ele sonhava em encontrar um fóssil e colecionava reportagens sobre o tema. Você também pode fazer isso, caso tenha gostado da profissão. Mas, se não gostou, ainda há chance de se tornar paleontólogo!

Foi o que aconteceu com Cartelle, que decidiu fazer biologia na universidade, porque queria estudar biologia marinha. Mas seu pior professor era o de paleontologia. De tanto não gostar das aulas, ele passou a ler mais sobre o assunto. E não é que se apaixonou?

Ciência Hoje das Crianças 127, agosto 2002
Sarita Coelho,
Ciência Hoje/RJ

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