SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 
   
   
   
   
   
 
 PERFIS -  GILBERTO FREYRE

Menino de engenho
Aos oito anos de idade, Gilberto Freyre ainda não sabia ler e escrever

Gilberto com o pai Alfredo, em 1917

Filho de um juiz de direito e de uma senhora da aristocracia nordestina da cana de açúcar, Gilberto Freyre veio ao mundo no Recife, em 15 de março de 1900. A casa em que ele nasceu se situava na Estrada dos Aflitos - nome sintomático da inquietude que caracterizaria o pensamento e a atuação do antropólogo.

Aos seis anos de idade, já disposto a dar trabalho, Gilberto fugiu de casa e se abrigou em Olinda, cidade de seus amores da qual escreveria, em 1939, o Segundo guia prático, histórico e sentimental. Seus pais não poderiam antever o escritor que o menino se tornaria: Gilberto não conseguia aprender a ler e escrever, e destacava-se pelos desenhos. Tomava aulas com o pintor Telles Júnior, que reclamava de sua insistência em deformar os modelos.

Como menino de engenho que era, Freyre teve suas primeiras relações sexuais com uma bananeira e uma vaca, "antes pacata que debochada", conforme contou à revista Playboy. "Muito brasileiramente", sua primeira mulher foi uma empregada da família, cinco anos mais velha que ele. O romance durou dois anos, durante os quais o menino pulava o muro a cada vez que vinha do quarto da namorada, para dar a impressão de estar vindo da rua.

Embora de família católica, Gilberto foi educado no Colégio Americano Gilreath, uma escola protestante que dizia não fazer propaganda religiosa. Por isso, muitas das famílias mais importantes do Recife de então entregaram a educação dos filhos aos americanos. No entanto, o diretor lia e comentava versículos da bíblia no início das aulas. Incentivado por essa catequese e impressionado pela nova forma de ser cristão que aprendeu com a leitura de Tolstói, Freyre passou a ver Cristo como um renovador social. Aos 16 anos, ele se declarou socialista cristão; aos 17, tornou-se membro da Igreja Batista e passou a pregar o Evangelho, para desespero da mãe.

Iniciação sexual dos meninos de engenho retratada na edição em
quadrinhos de Casa-grande & senzala (desenhos: Ivan Wasth Rodrigues)

No mesmo ano, Gilberto tornou-se bacharel em Ciências e Letras, sendo escolhido orador de sua turma. Como paraninfo, foi convidado o historiador Oliveira Lima, de quem se tornaria amigo. Mais tarde, Freyre escreveria o prefácio de seu livro, Memórias, a pedido da viúva.

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO