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 PERFIS -  ANTÔNIO HOUAISS

A grande obra da vida de Houaiss
Dicionário tem lançamento previsto para 2001 em edições impressa e eletrônica

"O que a maioria dos dicionários tem feito é a repetição do acervo de cem mil palavras, que representa um ideal do século 19", declarou Antônio Houaiss a Ciência Hoje em 1987. Essa postura crítica levou-o, a partir de 1986, a elaborar aquela que seria a obra de sua vida: um dicionário com a definição de mais de 227 mil palavras e locuções. Para criar esse banco de dados, o filólogo fundamentou-se em dicionários de língua portuguesa a partir do século 16, fontes literárias e científicas em geral e dicionários, glossários e vocabulários de línguas fundamentais.

Por sete anos, Houaiss dedicou-se à sua obra prima, até que a falta de recursos o fez interromper o trabalho. Quando conseguiu verba para continuar as pesquisas, o filólogo criou o Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa, e retomou o dicionário ao final de 1997. A partir daí, a pesquisa foi conduzida em paralelo com a elaboração da obra.

A editora Objetiva se integrou ao projeto, para o qual criada uma tipologia exclusiva, chamada 'fonte Houaiss'. Segundo Alfredo Gonçalves, da editora, a idéia caiu "como um bálsamo" para o filólogo. "A edição de um dicionário tem necessidades específicas que as fontes existentes não contemplam." A nova fonte permitirá o uso de sinais gráficos diferenciados e levará à economia de cerca de 300 páginas do dicionário.

Além de uma equipe de 40 pessoas no Brasil, o dicionário conta com 12 especialistas pesquisando em Portugal. Palavras de uso corrente em todos os países lusófonos, inclusive regionalismos, serão relacionadas. Como a unificação ortográfica do português ainda não é uma realidade, estão sendo preparadas duas versões, uma com a norma portuguesa e outra com a brasileira. O dicionário fornece a data em que as palavras apareceram no idioma e registra-as desde o século 9, no caso das que se mantiveram no português moderno. Palavras do português arcaico e antigo também são registradas. "Antigas palavras geram por derivação novas palavras, e conseguimos explicá-las pelo entendimento daquelas", justifica o lexicógrafo Mauro Villar, sobrinho de Houaiss encarregado de finalizar o dicionário.

O filólogo faleceu em 7 de março de 1999, deixando sua obra inacabada. "Ele não tinha medo de morrer, mas não queria que isso acontecesse antes de fechar o dicionário", diz a colaboradora Fátima Scaranno. O Dicionário Houaiss tem lançamento previsto para meados de 2001 em livro, CD-ROM e internet. Inicialmente, o filólogo idealizara uma obra para ser lançada também em disquete - à época, poucos tinham computador, e o CD-ROM ainda não era uma mídia popularizada.

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ

 

 
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