Embora o livro sobre a revolução de 30 ainda seja a obra mais conhecida de Boris Fausto, outros trabalhos do autor também se destacaram. Entre eles, o que obteve maior reconhecimento foi História do Brasil, lançado em 1994 pela Edusp. "Quando falo de A Revolução de 30, estou sendo injusto com o História do Brasil, que também teve uma receptividade excelente." A obra é o primeiro volume da Coleção Didática, voltada para alunos e professores de segundo grau, mas sem as limitações tradicionais dos livros dedicados a esse público.
Fausto conduz o leitor pela história do país desde o descobrimento, com o objetivo de fornecer os elementos essenciais para que se compreenda o presente a partir do passado. Ao contrário da maioria dos livros didáticos, que tendem a apresentar apenas uma interpretação dos fatos como a verdadeira, o livro expõe versões conflitantes para determinados episódios. "O que o leitor tem em mãos não é a História do Brasil (...), mas uma História do Brasil", diz o autor na introdução.
O livro que mais tocou o escritor, no entanto, foi Negócios e ócios - história da imigração. "É mais história familiar do que uma história da qual eu estou distanciado, na terceira pessoa", diz o autor. A partir de sua família, Fausto relembra a saga dos imigrantes que chegaram a São Paulo nos anos 1920, quando 35% da população da cidade era composta por estrangeiros. Ele mistura vida pública e vida privada para apresentar ao leitor a São Paulo daqueles anos até o início dos anos 1950.
 |
|
|
Dois livros de Boris Fausto | | |
O escritor Boris Fausto se encontra em plena atividade. No momento, ele prepara uma nova edição de Crime e quotidiano: a criminalidade em São Paulo (1880-1924), lançado pela editora Brasiliense em 1984, e se prepara para publicar pela editora Jorge Zahar, ainda em 2001, Pensamento nacionalista autoritário.
A longeva carreira do escritor talvez se deva em parte a sua adaptação às inovações tecnológicas, como o advento do computador pessoal e da Internet. Boris Fausto se lembra de, certa vez, em uma biblioteca nos Estados Unidos, perguntar onde estava o fichário. "A bibliotecária apontou um computador e eu pensei: fiquei analfabeto de novo." Os livros de Fausto, que eram escritos a mão e datilografados, passaram a ser diretamente digitados. "Nunca gostei de máquina de escrever, então passei direto do papel e caneta para o computador."
Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ