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 PERFIS -  BORIS FAUSTO

Escrever: a paixão de Boris Fausto
A Revolução de 30 é seu livro de maior reconhecimento até hoje

"De tudo o que eu faço, o que eu mais gosto é escrever." A declaração de Boris Fausto reflete a carreira na qual mais se destacou: a de escritor. Ele é o autor de livros que relatam a história do país sob o ângulo de temas como criminalidade, imigração, política ou operariado. O historiador também editou e organizadou algumas obras, além de colaborar com livros e jornais. Desde 1998, Fausto se dedica à sua coluna de opinião publicada semanalmente na Folha de S. Paulo. Essa foi uma novidade para o escritor, que nunca tivera participação regular em nenhum jornal. "É interessante ter aquele espaço certo e limitado para escrever", comenta. "Hoje, quando me pedem um artigo de 30 páginas, eu pergunto: 'tudo isso?!'."

Entre os livros que escreveu, o que obteve maior reconhecimento até hoje foi A Revolução de 30 - historiografia e história, publicado em 1970. "É o livro do Boris Fausto", reconhece o autor. No entanto, ele faz algumas críticas à obra: "Esse reconhecimento se dá porque é uma tese nova, mas não é um livro trabalhado." A obra surgiu de sua tese de doutorado, em que propôs uma explicação inovadora para a ascensão de Getúlio Vargas ao poder: a solução era um compromisso em um momento em que nenhum setor tinha condições de se impor sozinho.

Com isso, Fausto contestava as duas teses defendidas até então, de que a revolução teria significado a ascensão ao poder da burguesia industrial ou da classe média urbana aliada ao tenentismo. Para explicar seu raciocínio, o historiador discute o sistema político oligárquico, o papel das elites regionais e a função das forças armadas no contexto, classificando sua atuação como a de uma classe específica e não de uma parte da classe média.

Personagens da Revolução de 1930, tema do mais conhecido livro de Fausto.
Entre eles, Getúlio Vargas e Luiz Carlos Prestes (primeiro e terceiro à esquerda)

O livro tornou-se um clássico: em 1997, a editora Companhia das Letras lançou a 16a edição com uma nova introdução, na qual o autor apresenta questionamentos a sua tese, expõe idéias de outros intelectuais sobre o assunto e reafirma as proposições da obra original. A tese do ascenso da burguesia industrial, questionada por ele, seguia uma tendência que acreditava que o processo histórico brasileiro repetia aquele vivido pela Europa Ocidental. "A história não dá previsibilidade, ela dá marcos de compreensão", explica.

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ

 

 
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