SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 
   
   
   
   
   
 
 PERFIS -  BORIS FAUSTO

Um advogado na história
Fausto só seguiu carreira acadêmica após se aposentar como assessor jurídico

Quase 10 anos depois de formado em direito, Boris Fausto passou a trabalhar como assessor jurídico da Universidade de São Paulo (USP), em 1962. Ele sempre se interessara por ciências sociais e, como trabalhava na universidade, decidiu cursar a faculdade de história. "As aulas eram no prédio em que eu trabalhava, e eu só precisava atravessar o corredor para assistir aula", lembra.

O advogado formou-se em história pela USP em 1966. Após cursar a segunda graduação, ele ingressou no doutorado - "na época, não era necessário fazer um mestrado". O trabalho com que concluiu o curso apresentou uma nova interpretação para a revolução de 1930 e revelou seu talento como historiador. No início de 1969, Fausto começou a dar aula no departamento de história. No entanto, aquele não era o momento em que sua carreira acadêmica deslancharia: era a época do AI-5, e o historiador optou por se afastar da faculdade. "Minha entrada não chegou nem mesmo a ser formalizada."

Fausto continuou a trabalhar como assessor jurídico, embora também tenha enfrentado dificuldades políticas na reitoria. Ele se sustentava essencialmente com esse salário, e diz que nunca politizou sua atuação - "nem havia como". No entanto, o historiador teve o que chama de "uma pequena carreira na repressão" e chegou a ser preso duas vezes, a primeira em 1964 e a segunda em 1970. "Mas isso não foi nada comparado ao que alguns dos meus colegas passaram."

Campus da USP, onde Boris Fausto estudou e trabalhou

Apesar das dificuldades, Fausto não abandonou a carreira de história. Paralelamente a suas atividades jurídicas, ele passou períodos curtos no exterior visitando universidades e pesquisou diversos aspectos da história do Brasil. Em 1975, recebeu o título de Livre Docente em história, também pela USP. No ano seguinte, sua tese Trabalho urbano e conflito social seria publicada.

A carreira acadêmica, no entanto, ganharia fôlego após sua aposentadoria como assessor jurídico, em 1988. "Eu tinha guardado os títulos na gaveta, e mais tarde eles me foram úteis." Fausto foi convidado para trabalhar como professor no departamento de ciência política da USP, e passou publicar cada vez mais, inclusive no exterior. Em 1994, foi lançado outro livro seu com grande repercussão, História do Brasil. A boa receptividade do livro faz crer que virá a se tornar outro clássico.

Em 1998, Fausto iniciou outra carreira, a de colunista. Desde então, tem um espaço fixo no jornal Folha de S. Paulo, onde escreve às segundas-feiras. "É uma experiência muito gratificante", avalia. "O feed-back é imediato."

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO