Em 1937, os físicos norte-americanos Carl Anderson e Seth Neddermeyer encontraram uma partícula que parecia ser o méson de Yukawa. Ela foi identificada em raios cósmicos (partículas de núcleos atômicos vindas do espaço que bombardeiam constantemente a atmosfera superior terrestre). Essas partículas tinham a massa prevista pelo japonês e se desintegravam como ele havia imaginado. No entanto, pouco depois, verificou-se que elas não interagiam com nêutrons e prótons da maneira esperada. As partículas foram chamadas de mésons mi, ou múons.
Dez anos depois, Cesar Lattes confirmaria a existência dos mésons pi no laboratório de física cósmica de Chacaltaya, na Bolívia. Analisando imagens colhidas de raios cósmicos, ele não só pôde detectar os píons, mas também observou que eles decaíam rapidamente em duas outras partículas: o múon e uma outra de carga neutra, que não podia ser registrada nas chapas fotográficas. Os píons podem ter carga neutra, positiva ou negativa. Eles carregam consigo informações que são trocadas entre prótons e nêutrons, e alteram a composição dessas partículas, podendo afetar inclusive sua carga.
A descoberta do méson pi marcou o início da física de partículas elementares, ou física de altas energias.
Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ