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O pequeno Cesare Lattes, aos três meses | | |
Cesar Lattes deve seu sobrenome a um pequeno rio europeu. No século XV, a rainha Isabel ordenou que os judeus de Espanha e Portugal deixassem a região. Os antepassados do físico cruzaram então um riacho que separa a Espanha da França e adotaram seu nome, acrescentando a ele um T. Séculos mais tarde, já na Itália, a católica Carolina, mãe de Cesar, precisou de uma autorização do Vaticano para se casar com seu pai, Giuseppe Lattes. A autorização foi concedida com uma condição: que os filhos fossem educados na religião católica.
No entanto, Cesar Lattes só seria batizado na adolescência, na época em que Hitler e Mussolini subiram ao poder - o banqueiro Giuseppe tinha medo de que os filhos fossem perseguidos por serem judeus. Ele e Carolina haviam se mudado para o Brasil em 1921. Seu filho - Cesare Mansueto Giulio Lattes - nasceria três anos mais tarde, em 11/07/1924, em Curitiba. Já adulto, o físico assumiria o prenome Cesar, por sugestão da esposa. "Ninguém sabia pronunciar meu nome direito", justifica.
Lattes manifestou cedo o desejo de se tornar professor de Física. Ele descobriu que tinha facilidade para lidar com ciências exatas, e ficava tentado pelas férias de três meses por ano dos professores. Cesar contrariou com isso uma orientação do pai: com medo da instabilidade e da possibilidade de uma mudança, ele havia sugerido que o filho escolhesse uma profissão que pudesse "levar na cabeça" - algo como otorrinolaringologista ou atuário. Mas Giuseppe acatou a escolha de Cesar, e apresentou-o a Gleb Wataghin, um grande físico da época, cliente de sua casa bancária. Wataghin foi o mentor da precoce carreira de Lattes, que aos 19 anos já era seu assistente.
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O físico russo Gleb Wataghin, mentor de Lattes | | |
Dando aulas preparatórias para o vestibular, Cesar conheceu a pernambucana Marta, que se tornaria sua esposa. O casamento já dura 56 anos, e lhe deu 4 filhas e 9 netos. Os mais velhos estão na faculdade, mas nenhum deles demonstrou ainda desejo de seguir a profissão do avô. Mesmo assim, Lattes costuma presenteá-los com microscópios, para desenvolver o gosto pela ciência.
Aposentado, Cesar Lattes vive hoje em Campinas, onde gosta de ler, caminhar e ouvir música. Mas ele não se desligou completamente da atividade científica, como mostram suas freqüentes visitas ao Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.
Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ