SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 
   
   
   
   
   
   
 
 PERFIS -  SIMÃO MATHIAS

Um projeto de universidade
Mathias foi responsável pela unificação dos departamentos de química da USP

Simão Mathias não foi apenas um cientista de laboratório: construir uma universidade em que houvesse intercâmbio, na qual se fizesse presente um espírito universitário, era uma de suas maiores preocupações. Em 1960, o professor Hauptmann, diretor do departamento de química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, faleceu, deixando inacabado o processo de unificação dos departamentos de química de toda a universidade. Mathias assumiu então a direção do departamento e passou a liderar esse movimento.

Simão Mathias e colegas no Instituto de Química da USP

A resistência encontrada por parte dos colegas dos outros departamentos não era pouca. Preferiam ficar cada um em sua unidade de origem, não queriam se misturar. O diretor, no entanto, logo encontraria um argumento convincente: uma doação de 500.000 dólares da Fundação Ford, vinculada ao processo de integração. Seduzidos pela perspectiva de laboratórios mais modernos e bem equipados, os diversos departamentos foram oficialmente reunidos em 1970, fundando o Instituto de Química.

Simão Mathias lendo em seu apartamento em São Paulo

No curso desse processo, no entanto, Mathias já estava envolvido em outra causa: a reforma universitária. Passou a participar ativamente das discussões sobre o tema, animado com a aproximação entre os departamentos de química. O professor chegou a apresentar um projeto de universidade integrada. No entanto, em 1969, antes que o projeto pudesse ser desenvolvido, a repressão aumentou e muitos cientistas foram cassados. Mathias se sentiu "moralmente cassado" e quis se aposentar. Os companheiros de trabalho o convenceram a ficar, mas ele recusou se candidatar à direção do Instituto de Química e ficou apenas à frente de seu departamento.

Esse foi provavelmente um dos piores períodos da vida do químico. Seu filho caçula, Gilberto, participava dos movimentos de resistência à ditadura. Mathias abrigou-o junto com a namorada, embora discordasse das idéias de ambos. Quando a polícia política descobriu que Simão os acolhera, sua casa foi invadida, e ele, levado preso. Gilberto tinha deixado o local horas antes, avisado de que poderia ser encontrado. A experiência não impediu que Mathias continuasse socorrendo perseguidos políticos. Sem nunca ter participado de qualquer movimento, o professor deu apoio - inclusive financeiro - a diversos 'subversivos', apesar da grande repressão.

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ

 

 

  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO