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 PERFIS - FERNANDO LOBO CARNEIRO

Criação da pós-graduação em engenharia
Lobo Carneiro fundou a Coppe em 1968 e leciona até hoje

Em 1967, ainda empregado no INT, Fernando Lobo Carneiro recebeu pelo professor Luis Bevilacqua um convite de Alberto Coimbra, que então idealizava a Coppe -- Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia da UFRJ. Coimbra queria que o engenheiro participasse do projeto, que pretendia instalar os cursos de mestrado e doutorado em engenharia no Brasil.

Lobo Carneiro trabalha no computador ao final de 2000 (arquivo pessoal)


"Eu nem sabia direito o que era pós-graduação, procurei me informar", o professor ri. Na época, Lobo Carneiro possuía apenas o diploma de graduação. Foi designado para completar a organização do Programa de Engenharia Civil (iniciada pelo professor Bevilacqua), que coordenou de 1968 até 1982. Nesse período e depois, ministrou disciplinas relacionadas com análise estrutural e tecnologia do concreto. Orientou 29 teses de mestrado e três de doutorado. Até então, só havia doutorado em engenharia para aqueles que concorriam a cargo de livre-docente ou professor.

A Coppe idealizou os primeiros programas de computador nacionais para o cálculo de estruturas. Junto com os alunos, aos 55 anos, Lobo Carneiro fez um curso para aprender a trabalhar com computadores. Tirou o segundo lugar da turma, e foi motivo de gozações.

O professor foi responsável pela implantação do Laboratório de Estruturas do programa de Engenharia Civil da Coppe, considerado um dos mais modernos do mundo. Em 1994, o laboratório se tornou o Laboratório de Estruturas Professor Fernando Lobo Carneiro. Na Coppe, ele também coordenou o primeiro programa de cooperação técnica com a Petrobrás, que contribuiu para o desenvolvimento nacional de tecnologias de exploração de petróleo em águas profundas.

Lobo Carneiro durante congresso em Punta del Este, Uruguai (arquivo pessoal)

A preocupação em abrir caminhos para a pesquisa e para os estudantes foi constante para Lobo Carneiro, que sempre procurou encaminhar para a Coppe alunos que tivessem vocação para a pesquisa. "Atualmente o corpo de professores de pós-graduação da Coppe é quase todo formado de antigos alunos meus", orgulha-se. Trabalhou durante 14 anos na UFRJ como professor adjunto no curso de engenharia, na cadeira de resistência de materiais. Por sete vezes foi paraninfo e patrono de turmas de formandos da graduação, reconhecimento que muito o honrou. "Até hoje, o contato com meus alunos é ótimo", conta o professor. Ele detesta aulas silenciosas: é movido pelos questionamentos e contestações dos alunos.

O professor recebeu o Prêmio "Bernardo A. Houssay" em 1984, concedido pela Organização dos Estados Americanos, competindo com 39 candidatos, de 12 países. Foi premiado pelo CNPq e recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFRJ e da UFBA. É membro de honra e ex-presidente da Rilem e recebeu do INT o título de pesquisador emérito. Foi condecorado com a Grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico e é membro-titular da Academia Brasileira de Ciências, além de participar do Instituto Brasileiro do Concreto e da Academia Nacional de Engenharia.

Raquel Aguiar
Ciência Hoje/RJ
setembro/2001

 

 
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