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 PERFIS - FERNANDO LOBO CARNEIRO

Lobo Carneiro e o petróleo
Engenheiro ajudou a criar Petrobrás e firmar excelência brasileira na extração offshore

Lobo Carneiro em conferência no Clube de Engenharia, em 27/04/1948

"A primeira vez que tive contato com o petróleo foi quando me formei, em 1934, e trabalhava no INT. Comecei estudando a influência da mistura de álcool anidro na gasolina. O instituto já tinha feito o primeiro carro a álcool no Brasil por volta de 1926, que foi do Rio a São Paulo e voltou. Mas o combustível corroía partes do motor, sobretudo carburador e mangueiras. Chegamos à conclusão surpreendente de que a mistura de até 22% de álcool anidro melhorava a gasolina em vez de piorar." Setenta anos depois desses estudos, toda a gasolina comercializada no Brasil contém de 20 a 24% de álcool anidro.

A segunda vez que o petróleo surgiu na vida do engenheiro foi em 1939. O general Júlio Caetano Horta Barbosa fora nomeado presidente do Conselho Nacional do Petróleo. Parente de Lobo Carneiro, ele emitiu um ofício que anunciava a descoberta da primeira jazida de petróleo em quantidade comercial em Lobato (BA) e requisitava o trabalho do engenheiro, sob o argumento de que precisava de pessoas de confiança. Assim, Lobo Carneiro foi enviado para estágio em uma refinaria no Uruguai. Com a guerra, no entanto, frustrou-se o projeto de construir uma refinaria em Duque de Caxias. Designado para atividades burocráticas, Lobo Carneiro preferiu retomar seu trabalho no INT, onde permaneceria até 1968.

Dona Zenaide na Grécia, à época em que conheceu Lobo Carneiro

A questão do petróleo retorna à vida de Lobo Carneiro pela terceira vez na década de 1950, com viés político. Como secretário técnico do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional, Lobo Carneiro articulou a campanha "o petróleo é nosso" e redigiu praticamente todo o material publicado durante cerca de cinco anos. Foi eleito suplente de deputado federal (na época, o sistema de representação proporcional instituía que o total de votos de cada partido fosse dividido: os mais votados seriam deputados, e os demais, suplentes). Sua candidatura foi inscrita pelo Partido Republicano Trabalhista, apesar de contar com o apoio de setores do Partido Republicano e sobretudo da esquerda. Roberto Morena, do PCB, foi o mais votado, e eleito deputado.

Quando a lei do petróleo começou a ser discutida, em 1951, Lobo Carneiro passou a substituir Morena, sob a condição de que não representaria nenhum partido e trataria exclusivamente da questão do petróleo. Assim que a Petrobrás foi criada, Lobo Carneiro afastou-se da Câmara. O presidente Eurico Gaspar Dutra chegou a pedir sua demissão do serviço público em decorrência de um discurso 'subversivo' realizado na Paraíba a favor da nacionalização do petróleo.

O petróleo surgiria na carreira de Lobo Carneiro ainda mais uma vez. O engenheiro coordenou um convênio da Petrobrás com a Coppe, que desenvolvia softwares para cálculo da ação das ondas do mar sobre as torres metálicas das estações de extração offshore de petróleo. Por meio de observações no mar e análise de modelos reduzidos, a parceria com a Coppe contribuiu para a primazia brasileira na extração de petróleo em águas profundas.

Raquel Aguiar
Ciência Hoje/RJ
setembro/2001

 

 
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