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A conjectura básica da teoria moderna dos sistemas dinâmicos formulada por Palis e Smale aplica os conceitos de hiperbolicidade e estabilidade para indicar que a maioria dos sistemas tem seu comportamento essencial regido por um número finito de atratores (hiperbólicos ou estranhos).

Quando se dedicou ao estudo dos sistemas caóticos, Palis estudou as bifurcações (mudanças de estruturas dinâmicas em sistemas que dependem de parâmetros). Adotou viés probabilístico em detrimento do ponto de vista geométrico-topológico seguido na década anterior, que o levara à formulação da conjectura global dos sistemas dinâmicos.

 
 PERFIS - JACOB PALIS

Um carioca de Uberaba
Conjecturas de estabilidade são provadas por aluno de Palis 20 anos mais tarde

Jacob Palis se lembra de ter chegado ao Rio de Janeiro à noite. Mineiro de Uberaba, tinha 16 anos e ficou encantado ao ver o Pão de Açúcar pela janela na manhã seguinte. "Realmente, sou carioca", admite. Já freqüentou muito a praia de Grumari, mas hoje prefere Búzios, onde costuma passar os fins-de-semana.

Maurício Peixoto e Élon Lima, dois professores do Impa fundamentais na formação de Jacob Palis


Jacob era um aluno um pouco indisciplinado no colégio marista de Uberaba, mas sempre gostou muito de matemática. Era o mais novo de uma família de oito irmãos; todos freqüentaram a universidade conforme o desejo do pai, Jacob.

O bacharelado em Engenharia foi concluído em 1962 e no ano seguinte Palis estagiou no Impa, onde teve contato com dois professores marcantes: Maurício Peixoto e Élon Lima. O último aconselhou-o a procurar Stephen Smale para orientar seu doutorado. O norte-americano era especialista em sistemas dinâmicos, área a que o brasileiro se dedicaria em especial. Palis, que jamais pensou em residir definitivamente nos Estados Unidos, retornou ao Brasil e ao Impa em 1967.

Durante os anos 1960, Palis atuou sobretudo na área de estabilidade global dos sistemas dinâmicos. Elaborou com Stephen Smale a conjectura básica da teoria moderna dos sistemas dinâmicos, que seria provada cerca de vinte anos depois por Ricardo Mañé, seu aluno de doutorado. Na década de 1970, o brasileiro dedicou-se progressivamente à teoria dos sistemas caóticos -- de comportamento complexo e imprevisível.

Apaixonado pela matemática e pelo ensino, Palis se destaca por incentivar novos talentos. É ilustrativa a história de Leonardo Macarini. Embora não possuísse o segundo grau completo, concluiu o doutorado no Impa no ano 2000, aos 23 anos. Na ocasião, Palis pleiteou a validação do diploma do rapaz pelo Ministério da Educação e a convalidação dos estudos secundários e universitários que não teve. O pedido foi aprovado por unanimidade em outubro de 2001, o que abre um precedente para jovens autodidatas.

Nos corredores do Impa, onde desenvolveu as pesquisas que o tornaram célebre, Palis conheceu sua segunda esposa, com quem tem uma filha de treze anos. Maria José era então aluna de doutorado no Impa, e leciona atualmente na UFRJ. Palis tem ainda dois filhos de seu primeiro casamento: uma economista e um administrador de empresas.

Raquel Aguiar
Ciência Hoje/RJ
outubro/2001

Leia também o perfil de Maurício Peixoto

 

 
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