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Um templo para a ciência Instituto idealizado pelo sanitarista tornou- se um conceituado centro de pesquisa
Com a confirmação da peste bubônica em Santos, o Instituto Soroterápico Federal foi fundado em 1900, no Rio de Janeiro. Sediado na fazenda de Manguinhos, o Instituto foi primeiramente comandado pelo Barão de Pedro Afonso. Para o cargo de diretor técnico, o Barão convidou Oswaldo Cruz, que junto com Adolpho Lutz e Vital Brasil, havia diagnosticado o primeiro caso da peste em Santos. Dotados de personalidade forte, os dois diretores logo entraram em conflito. O sanitarista queria estimular a pesquisa experimental e a formação de novos profissionais, enquanto o Barão preferia priorizar o desenvolvimento de soros e vacinas. Em 1902, o Barão deixou o Instituto e Oswaldo assumiu a direção geral.
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O Castelo de Manguinhos, como esboçado por Cruz (esq.) e como é hoje (dir.) | | |
Em 1904, o sanitarista iniciou a construção daquela que é hoje a única edificação neo-mourisca da cidade do Rio de Janeiro - o Castelo de Manguinhos. Oswaldo acreditava que a ciência deveria ter um templo para que fosse reconhecida e conservada. O projeto foi baseado em croquis desenhados pelo próprio sanitarista, inspirado no palácio de Alhambra, em Granada.
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Charge representa Oswaldo Cruz atrás do Castelo de Manguinhos, combatendo a febre amarela e a peste bubônica | | |
Em 1907, já conhecido como o responsável pelo saneamento do Rio de Janeiro, Oswaldo Cruz ganhou em Berlim a medalha de ouro do Congresso de Higiene e Demografia. Sua volta ao Brasil foi festejada, e o Instituto Soroterápico foi rebatizado de Instituto Oswaldo Cruz. O sanitarista abandonou um ano depois a Diretoria Geral de Saúde Pública e passou a se dedicar exclusivamente a seu Instituto.
O trabalho da instituição não se limitou ao Rio de Janeiro. Seus cientistas fizeram expedições por todo o país, pesquisando e combatendo doenças. Em uma dessas expedições, Carlos Chagas descobriu o barbeiro vetor do Trypanosoma cruzi, protozoário que causa a doença de Chagas.
O Instituto, hoje rebatizado de Fundação, desenvolve e fabrica vacinas, investe em pesquisa biomédica, oferece tratamento hospitalar à comunidade e atua em diversos setores da saúde pública, desenvolvendo, por exemplo, estudos sobre Aids e produzindo medicamentos genéricos. Em 2000, a instituição comemora seu centenário, como um dos mais renomados centros de pesquisa da América Latina e uma referência importante para cientistas do Brasil e do mundo.
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Para saber mais: visite o site da Fiocruz para mais detalhes |
Renata Ramalho Ciência Hoje/RJ |