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A Revolta da Vacina
Com barricadas e quebra-quebra, população diz não às medidas de Cruz
Quando estabeleceu a vacinação obrigatória, Oswaldo Cruz não imaginava a resistência que teria de enfrentar. Revoltada por ter sido expulsa de suas casas pelo prefeito Pereira Passos e oprimida pelas medidas autoritárias do governo, a população não aceitou a ordem do Diretor Geral de Saúde Pública, e foi para as ruas. No dia 13 de novembro de 1904, eclodia a Revolta da Vacina. Sob a influência da oposição, o povo armou barricadas, organizou greves e quebra-quebra, trocou tiros com a polícia. No dia 14, a Escola Militar da Praia Vermelha aderiu aos protestos.
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Charge manifesta revolta da população contra a vacinação obrigatória instituída por Oswaldo Cruz | | | A casa de Oswaldo Cruz tornou-se alvo dos manifestantes. O sanitarista pediu a sua mulher que saísse de casa com os filhos, e seguiu para o palácio disposto a renunciar para acalmar a ira da população. O presidente Rodrigues Alves não deixou: "esta revolta não é contra o senhor, é contra mim", teria dito.
Finalmente, no dia 16, o governo conseguiu dominar a situação. A região conhecida como Porto Arthur, no Bairro da Saúde, foi a última a se render. Os lideres da revolta foram presos, e Rodrigues Alves retomou o controle da cidade. No entanto, a vitória militar veio acompanhada por uma grande derrota política: a obrigatoriedade da vacina fora revogada.
Alguns anos mais tarde, a população pagaria alto pela revolta. Em 1908, a cidade foi assolada por uma violenta epidemia de varíola, e todos correram aos postos de vacinação para se imunizar. No mesmo ano, o Instituto Soroterápico Federal havia sido rebatizado de Instituto Oswaldo Cruz. O Brasil finalmente reconhecia seu grande sanitarista.
Renata Ramalho Ciência Hoje/RJ |