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 PERFIS - OSWALDO CRUZ

Um enorme laboratório
No Rio de Janeiro, sanitarista combate febre amarela, peste bubônica e varíola

Como mostra a caricatura acima, Oswaldo Cruz foi alvo de chacota ao tentar sanear o Rio de Janeiro

Conhecido como "Túmulo dos Estrangeiros", o Rio de Janeiro do início do século 20 era considerado um desafio ao desenvolvimento do país. O presidente Rodrigues Alves, ciente da importância de ter uma capital moderna, estabeleceu como prioridade o saneamento e a reforma urbana da cidade. Para isso, convidou o engenheiro Pereira Passos para a prefeitura e o sanitarista Oswaldo Cruz para a Diretoria Geral de Saúde Pública.

Enquanto Pereira Passos realizava o "Bota Abaixo", como ficou conhecida a reforma da cidade, Oswaldo Cruz transformava o Rio em um gigantesco laboratório, combatendo doenças com métodos revolucionários. Baseando-se em trabalho do cubano Carlos Finlay, o sanitarista elegeu como prioridade no combate à febre amarela o extermínio do mosquito Aedes aegypti. Sua brigada mata-mosquitos entrava em casas procurando por locais onde o mosquito pudesse procriar e colocava petróleo em ralos e bueiros. A mídia ridicularizava seus atos com charges e artigos. O número de casos da doença, no entanto, comprovava a eficácia do combate.

Oswaldo Cruz dedicou-se também ao combate da peste bubônica, utilizando para isso método ainda mais controverso: a compra de ratos. Algumas pessoas passaram a criar ou comprar ratos para revendê-los à saúde pública. Certo personagem, conhecido como "Amaral dos Ratos", chegou a ser preso, e declarou que comprava ratos, sim, mas que os seus eram autênticos espécimes cariocas, enquanto outros importavam-nos de São Paulo.

Tentativa de eliminação de focos do Aedes aegypti no início do século 20

O terceiro grande desafio do sanitarista veio em 1904, quando o Rio de Janeiro foi assolado por uma epidemia de varíola. Oswaldo mandou ao Congresso uma lei que reiterava a vacinação obrigatória instituída em 1837, mas que nunca foi cumprida. Aproveitando-se da ignorância da população, a oposição se fortaleceu: espalhou boatos de que as vacinas eram feitas dos ratos comprados e explorou o pouco tato político do Diretor de Saúde Pública. Os protestos fugiram ao controle: era a Revolta da Vacina.

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ

 

 
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