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 PERFIS - JOSÉ REIS

O rei das crianças
Biólogo é um dos responsáveis pela proliferação de feiras de ciências no país

Uma faceta pouco conhecida de José Reis é sua preocupação e dedicação às crianças. Idealizador de concursos e feiras de ciências e autor de livros para o público infanto-juvenil, o biólogo discute o quê e como deve ser ensinado para desenvolver nas crianças o gosto pelas disciplinas científicas.

Baseando-se na fábula A cigarra e a formiga, Reis escreveu um livro com o mesmo nome, direcionado à infância pré-escolar. São também de sua autoria os livros As galinhas do Juca, no qual aproveita suas pesquisas sobre galinhas realizadas no Instituto Biológico de São Paulo, e
O menino dourado, com noções de microbiologia, para a infância alfabetizada. Para os mais velhos, preparou uma novela que se desenrola em um instituto científico fazendo um verdadeiro passeio pela história natural - Aventuras no mundo da ciência.

Preocupado com a forma como nossas crianças são educadas, Reis traduziu o livro Iniciação à Ciência, de E.N.C. Andrade e Julian Huxley. Na introdução à obra, Reis expõe suas opiniões sobre o ensino de ciências no Brasil, fazendo duras críticas a professores que cobram de seus alunos de nível médio que decorem termos. "Muito maior sentido tem familiarizar o aluno com o hábito de pensar cientificamente do que sobrecarregá-lo com idéias inertes."

Inspirado na fábula, Reis escreveu um livro infantil chamado A cigarra e a formiga

Por sua influência, a Fundação Clubes de Ciências foi incrementada pelo Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (Ibecc), e várias feiras de ciências foram realizadas no país inteiro. Em certa ocasião, tendo sido convidado a participar de uma feira de ciências na cidade de Taquarituba (SP) e a ir ao México receber um prêmio de jornalismo, optou pela primeira. Preocupado com o estímulo aos jovens cientistas, foi o incentivador de projetos como Ciranda da Ciência (promovido pela Hoescht e pela Fundação Roberto Marinho) e Estação Ciência (do CNPq). Idealizador de diversos concursos para a juventude, seu papel foi fundamental no prêmio 'Cientistas do Amanhã', promovido pela Unesco e pelo Ibecc.

Como explicar tamanha paixão? A resposta é dada pelo próprio professor, citando dom Duarte Nunes Leão em entrevista a Ciência Hoje: "tentei ensinar aos outros o que de outrem não pude aprender".

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ

 

 
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