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O pai da divulgação científica no Brasil Linguagem fácil e temas variados são preocupações fundamentais de Reis
A divulgação científica no Brasil conheceu seus anos românticos da década de 40 até o final dos anos 70. Não por acaso, José Reis iniciou nessa época sua carreira de divulgador, incutindo o gosto pela ciência em adultos e crianças. Nos artigos pioneiros que escreveu a partir de 1932 para a revista Chácaras e quintais, o biólogo aprendeu a adaptar o conteúdo científico a um meio de comunicação e a uma linguagem acessível a seu público.
Isso era apenas o começo. Em 1947, após passar um período na administração pública, Reis foi convidado a escrever sobre administração na empresa Folha da Manhã (responsável pela Folha da Noite e pela Folha de S. Paulo). Em seguida, passaria a escrever sobre temas científicos e se tornaria editor de ciência do jornal. Entre 1962 e 67, já com registro profissional de jornalista, foi diretor de redação da Folha de S. Paulo. Ainda hoje, o professor mantém no jornal a coluna 'Periscópio' no suplemento dominical Mais!.
Quando fundou a SBPC, José Reis se preocupou em criar uma revista de divulgação científica apoiada pela entidade. Nasceu então Ciência e Cultura, que ele dirigiu por três diferentes períodos, o último em 1998.
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Exemplares da revista Ciência e Cultura, da qual Reis foi editor | | |
O divulgador de ciência José Reis é extremamente didático e se preocupa em abordar tanto temas novos, como o último tipo de satélite, quanto aquilo que é maravilhosamente banal, como o desabrochar de uma flor. Para ele, mais importante que saber muito é saber bem. Ele ressalta a importância de não usar 'cientificismos' mas sim palavras correntes, como se escrevesse para si próprio quando criança.
José Reis afirma ter escrito diversas vezes por sugestão de leitores e ter mantido longa correspondência com alguns deles. Mas é extremamente modesto ao abordar essa relação. Em entrevista concedida a Ciência Hoje em seu primeiro número, em 1982, afirmou: "creio que o leitor identifica em [meus] escritos a única virtude que eles realmente têm, a sinceridade".
Renata Ramalho Ciência Hoje/RJ |