Os primeiros americanos
Nova teoria sobre povoamento das Américas provoca polêmica
Por: Thaís Fernandes
Publicado em 09/01/2001 | Atualizado em 29/09/2009
O crânio mais antigo do continente, com cerca de 12 mil anos, pertencente a uma mulher (batizada de Luzia), teve suas feições reconstituídas. A partir daí, Neves demonstrou que elas se assemelhavam mais às dos africanos e aborígenes australianos que às dos índios atuais. Assim, os povos mongolóides - ancestrais dos índios - teriam chegado à América do Sul há cerca de 9 mil anos, substituindo totalmente os paleoamericanos, que se refugiaram em áreas remotas do continente até a extinção. Para confirmar a teoria, iniciou-se a busca pelos descendentes de Luzia. Um grupo de geneticistas coordenados por Sérgio Pena e Vânia Prado, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), após descobrir que cerca de 30% dos brancos brasileiros possuem linhagem materna ameríndia, decidiu analisar o DNA mitocondrial da população branca que habita a região do Vale do Jequitinhonha (MG), onde viviam os extintos índios botocudos (os mais parecidos com Luzia). Segundo Vânia, "é pouco provável que se encontrem nessa população linhagens não-mongolóides" - que nunca foram identificadas entre índios brasileiros. A geneticista acredita que o povo de Luzia, assim como os mongolóides, também teve origem na Ásia. Segundo Walter Neves, será difícil encontrar traços genéticos não-mongolóides na população atual, pois mesmo que parte dos genes do povo de Luzia tenha sido absorvida por grupos asiáticos, deve-se levar em consideração perdas de linhagens mitocondriais que ocorrem, por exemplo, quando uma mulher só tem filhos homens. Por isso, o bioarqueólogo atenta para a importância da análise de DNAs fósseis. "Só assim aceitarei a hipótese dos geneticistas." Neves busca os descendentes de Luzia por meio da análise morfológica de crânios indígenas anteriores à chegada de Cabral e à miscigenação. Ele encontrou peças com características intermediárias entre Luzia e os mongolóides, mas não chegou a resultados definitivos, em virtude da pequena quantidade de amostras. Mas os melhores resultados, segundo Vânia Prado, só serão obtidos se arqueologia e genética trabalharem em conjunto. "Uma depende da outra para confirmar seu trabalho." Thaís Fernandes Ciência Hoje on-line 09/01/01 |


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