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Especiais / A Amazônia em debate

Uma exploração racional da Amazônia

Por: admin

| Atualizado em 18/09/2009

 

 
  ESPECIAIS - A AMAZÔNIA EM DEBATE

Uma exploração racional da Amazônia
Livro defende modelos de manejo sustentável como opção à extração predatória


Em cinco séculos de exploração predatória, a Mata Atlântica teve a área que ocupava reduzida a cerca de 5% do território original. Hoje, teme-se que a Amazônia, principal responsável pela primeira posição do Brasil no ranking de biodiversidade da ONG Conservation International, sofra uma devastação do mesmo porte. Embora 87% da floresta ainda estejam de pé, a taxa de desmatamento nos anos 1990 foi de 20 mil quilômetros quadrados por ano.

550 mil km2 foram devastados na Amazônia ao longo do século 20


Às diversas iniciativas de conservação inspiradas por esse temor, vem se juntar o livro A floresta amazônica , a ser lançado durante a Reunião Especial da SBPC sobre a Amazônia. O autor, o jornalista Marcelo Leite, editor de ciência da Folha de S.Paulo , explica na introdução que "o objetivo central do livro é desfazer a imagem de que a floresta tenha estado ou vá estar aí para sempre". Ao longo da obra, Leite defende modelos de exploração racional da floresta amazônica.

O manejo florestal sustentável, em oposição à exploração predatória da madeira, é um exemplo de como se pode aproveitar economicamente de forma racional os recursos da Amazônia. Leite cita estudos que apontam a vocação florestal da região (83% da Amazônia Legal são imprestáveis para o gado ou o cultivo) e que mostram que a extração sustentável de madeira é 35% mais rentável que a predatória. "Danificando menos a mata, sobretudo árvores mais jovens, e também preservando árvores adultas de menor qualidade para que continuem a reproduzir-se, o manejo florestal garante uma reposição mais rápida da madeira com valor comercial", explica Leite.

Segundo o livro, a instituição de madeiras certificadas poderia trazer
vantagens ambientais e econômicas para a atividade madeireira


O autor lista também uma série de outras medidas que garantiriam uma exploração da floresta conjugada à preservação da cobertura vegetal e ao aumento da renda da população local. Entre elas, encontram-se o desenvolvimento do ecoturismo, a intensificação da agricultura em áreas degradadas, a instituição de acordos locais e municipais para controle de queimadas ou a ampliação das unidades de preservação.

O equilíbrio ecológico da Amazônia é fundamental, por exemplo, para a regulação dos climas regional e global. Adotar as medidas expostas acima seria importante para manter esse equilíbrio e evitar os impactos ambientais e sociais que sua ruptura provocaria, como a erosão do solo, a incidência de doenças como a malária ou o risco de incêndios, entre outros.

A argumentação de Marcelo Leite é toda fundamentada em estudos científicos recentes (o item mais antigo da bibliografia data de 1991). Ele descreve algumas das mais importantes pesquisas feitas na Amazônia nos últimos anos. Esses estudos levam-no a concluir que repetir com a Amazônia o padrão de exploração praticado na Mata Atlântica seria, "mais que reincidir num crime contra a natureza e a civilização, (...) uma forma de irracionalidade econômica, que não cabe em conceito algum de modernidade".

A floresta amazônica
Marcelo Leite
Publifolha (coleção Folha Explica), 2000
99 páginas



Bernardo Esteves
Ciência Hoje/RJ
abril/2001
 
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