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 ARTES E LITERATURA

Escher, arquiteto de outros mundos
Conheça o incrível artista que fazia gravuras impossíveis de se explicar com palavras!

Você consegue imaginar uma construção em que a parede é também chão e o chão é também teto? Parece algo impossível -- e realmente é, em nosso mundo cotidiano. Mas não é no papel. Para encanto e espanto de muita gente, o artista gráfico Maurits Cornelis Escher mostrou uma composição em que parede, chão e teto coincidem e formam um conjunto lógico. Difícil de entender? Dê uma olhada no desenho acima. Não por acaso, essa gravura chama-se Outro mundo.

O efeito de tridimensionalidade foi obtido por Escher no papel: temos a estranha sensação de vermos a cena ao mesmo tempo de cima, de baixo e do mesmo nível !

Conceber outros mundos e concretizá-los com impressionante domínio técnico (quase sempre na forma de gravuras em madeira e pedra) era a especialidade desse artista. Escher nasceu nos Países Baixos (Holanda), na Europa, em 1898 e viveu até 1972. Ele foi também matemático, fotógrafo e arquiteto. Veja ao lado o auto-retrato pintado por ele em 1943.

No século 20, artistas e cientistas nem sempre conseguiram se entender e comunicar. Escher foi uma das exceções. Ele adorava a matemática e muitas de suas gravuras partem de figuras geométricas e formam fascinantes quebra-cabeças. Os cientistas também admiravam (e admiram ainda) seu trabalho. Suas gravuras lhes permitem ilustrar pensamentos difíceis de explicar com palavras, além de gerar novas idéias.

Na juventude, Escher viajou muito. Durante as viagens, ia desenhando tudo o que lhe interessava. Depois, usava os desenhos para fazer suas gravuras. Numa viagem pela costa da Itália rumo à Espanha, fez cópias detalhadas dos mosaicos mouros vistos em Alhambra e em Córdoba. Já nessa época sentiu-se atraído pela possibilidade, que iria explorar vida afora, de dividir toda a superfície plana do papel com formas regulares. Escher apreciava o efeito rítmico dessa repetição. Mas, em vez de usar os motivos puramente decorativos dos mosaicos mouros -- repetições de figuras geométricas --, ele começou a usar pássaros, peixes, répteis, plantas etc.

Os mosaicos que Escher viu nas viagens que fez pela Espanha quando jovem teriam grande influência em suas gravuras, como mostra o exemplo acima



Na primeira vez em que olhamos para as gravuras de Escher dificilmente percebemos tudo o que há nelas para ver. Com suas formas recortadas encaixando-se umas nas outras, ilusões ópticas ou construções impossíveis, elas praticamente exigem uma segunda olhada. E quanto mais nos detemos nessas imagens, mais nos surpreendemos com o que antes não havíamos notado ou compreendido.

Apesar da estranheza de suas imagens, Escher não via o mundo como um total absurdo. Na verdade, seu grande desafio, como artista, era buscar explicações e relações lógicas entre os fenômenos. Da mesma forma como fazem os
 cientistas.

Eis uma figura impossível em três dimensões e possível apenas no papel: uma cascata que alimenta a si mesma, criando uma máquina com movimento que não acaba nunca e que não consumiria energia. Isso aconteceria no nosso mundo?
























adaptado do artigo originalmente publicado
em Ciência Hoje das Crianças 86
escrito por Sheila Kaplan

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