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Na onda de Aristides Leão Pesquisador é conhecido por ter descrito importante fenômeno neurofisiológico
As imagens deste perfil foram cedidas pela Academia Brasileira de Ciências / Projeto Memória
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Leão na biblioteca de sua casa, na Urca (Rio de Janeiro) | | | Autor de um dos artigos de neurofisiologia mais citados do mundo, o brasileiro Aristides Azevedo Pacheco Leão dedicou sua vida ao desenvolvimento da ciência no país. O neurofisiologista, conhecido por ter descrito o fenômeno da depressão alastrante, exerceu papel fundamental à frente da Academia Brasileira de Ciências e foi também um estudioso da fauna e flora em suas horas livres.
Aristides nasceu no Rio de Janeiro a 3 de agosto de 1914 e teve influência de seu tio, Antonio Pacheco Leão, para seguir carreira na área biológica. Obteve seu doutorado em ciências médicas na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde estudou epilepsia experimental em córtex cerebral de coelhos e identificou um fenômeno importante para a neurofisiologia e neuropatologia: a depressão alastrante, que ficou conhecida como a 'onda de Leão'. Aos 30 anos, publicou sua pesquisa na mais importante revista da área, em um artigo considerado clássico no meio acadêmico.
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Aristides Leão no laboratório de biofísica da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil (atual UFRJ) | | |
Quando retornou ao Brasil, Leão dedicou seus esforços ao estudo da depressão alastrante. Apesar das condições desfavoráveis dos laboratórios em que trabalhou, em nenhum momento interrompeu suas experiências. Trabalhava no anfiteatro de fisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil (atual UFRJ) com equipamentos precários ou improvisados. "Uma vez um professor de clínica havia abandonado um eletrocardiógrafo. Aristides foi ao almoxarifado e pegou o aparelho para fazermos nossas pesquisas", conta o professor Hiss Martins Ferreira, que trabalhou com Leão por mais de 40 anos.
"Aristides foi um dos maiores biologistas brasileiros de seu tempo", considera Ferreira. "Ninguém dominava os fundamentos como ele." Além de sua dedicação à neurofisiologia, Leão tinha um vasto conhecimento sobre diversos assuntos, sobretudo a natureza, pela qual era apaixonado. "Não houve uma pergunta que fiz a ele, sobre qualquer assunto, que não fosse respondida adequadamente e com justificativas", afirma o biofísico Romualdo José do Carmo, que pesquisou a depressão alastrante com Aristides a partir dos anos 70.
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Aristides Leão (esq.) ao lado do professor Hiss Martins Ferreira, com quem trabalhou por mais de 40 anos | | |
Na presidência da Academia Brasileira de Ciências, que exerceu durante 15 anos, Leão foi um perfeccionista. "Até para despachar documentos de pouca importância pesquisava no dicionário a palavra correta para ser empregada, mesmo que o receptor não dedicasse atenção alguma ao texto", conta Ferreira.
Ao lado de Elisabeth Raja Gabaglia Leão, com quem viveu por quase 40 anos, Aristides fez muitas excursões pelo mundo, a maioria a convite de entidades internacionais. Ela conta que, em uma das viagens que fez sozinho, a Nairóbi (Quênia), aos 75 anos, Leão trabalhou muito, e teve conseqüentemente sua imunidade comprometida. Com isso, desenvolveu herpes zóster, que não conseguiu curar até o dia de sua morte, em 14 de dezembro de 1993, por insuficiência respiratória. "Ele sentia dores todos os dias durante os últimos cinco anos de sua vida", afirma Elisabeth, que mantém em perfeito estado o escritório e a biblioteca do cientista.
Rodrigo Polito Ciência Hoje on-line janeiro/2003 |