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Outro olhar sobre os manguezais
Exposição mostra a beleza pouco percebida desses ecossistemas e busca conscientizar a população para sua importância


Mostrar ao público a beleza dos manguezais e conscientizá-lo para a conservação desses ecossistemas: esta é a proposta da exposição Reflexo das marés , que acontece na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) até o dia 21 de setembro. O evento é promovido pelo Núcleo de Estudos dos Manguezais (Nema), grupo formado na Uerj em 1994 pelo professor Mário Luiz Gomes Soares.

A mostra reúne fotografias de manguezais tiradas pelos integrantes do Nema e do Instituto Marés – organização não-governamental criada pelo grupo para atuar na conservação desses ecossistemas. A idéia da exposição Reflexo das marés surgiu durante um trabalho de campo realizado por essas duas instituições na Área de Proteção Ambiental Tinharé, em Guarapuá, Bahia.

“Olhando para as fotografias, percebemos que tínhamos uma visão diferenciada dos manguezais”, conta a oceanógrafa Beatriz Barbosa, do Instituto Marés. “Em um ambiente que a maioria das pessoas acha poluído e feio, conseguimos enxergar muita beleza”. O grupo percebeu que mostrar esse outro olhar para a população poderia ser um jeito eficaz de conscientizá-la para a conservação dos mangues.

Nas grandes cidades costeiras, as pessoas dão pouca importância para o manguezal, em parte porque elas abrigam mangues muito degradados, como é o caso da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Assim, o ecossistema acaba associado somente ao mau cheiro e à sujeira, e não à beleza desses ambientes, que fica evidente quando eles estão bem conservados. Por isso, acreditam os integrantes do Instituto Marés e do Nema, entrar em contato com a “beleza oculta” dos mangues pode modificar essa opinião da população urbana.

A exposição pretende mostrar ainda que, além da beleza, os manguezais são importantes para a vida de muitos seres vivos, incluindo o próprio homem. Com o auxílio dos textos que acompanham cada foto e das explicações de integrantes do Instituto Marés que orientam a visita, o público descobre que os manguezais são refúgio de muitas espécies, que encontram ali abrigo para reprodução, alimentação e desenvolvimento.

Além disso, esses ecossistemas protegem a linha de costa, evitando a ação erosiva das marés, tempestades e furacões, e contribuem para o transporte de matéria orgânica, feito por bactérias. São também fundamentais para a sobrevivência de muitas comunidades, que vivem da pesca e do recolhimento de caranguejos.

“O objetivo de passar a visão da preservação para as pessoas está sendo alcançado”, garante Beatriz Barbosa. “Percebemos isso pelo que os visitantes têm demonstrado, pelos comentários no livro de visitas e pelas perguntas que vêm sendo feitas. Fomos surpreendidos pelo alto número de visitantes, que já ultrapassa 600 pessoas”.

Paralelamente à exposição, estão sendo realizadas também conferências sobre o tema dos manguezais. No dia 20, às 18h, haverá a palestra “Impactos da poluição por petróleo”, no auditório 11 do Pavilhão João Lyra Filho, na UERJ, com entrada franca. 


Exposição Reflexo das Marés
Quando: de 28 de agosto a 21 de setembro, das 9h às 19h.
Onde: Hall do 1º andar, bloco F, Uerj – Rua São Francisco Xavier, 524, Maracanã, Rio de Janeiro.
Informações: 2587-7858, institutomares@gmail.com ou nema@uerj.br
Entrada franca.



Bárbara Skaba
Especial para a CH On-line
15/09/2006

Confira algumas fotos da exposição  Reflexo das marés . Clique nas imagens para ampliá-las . Fotos: Nema (Uerj) / Instituto Marés

Os manguezais da Área de Proteção Ambiental Tinharé-Boipeba (Garapuá, BA) associam-se a recifes, que formam uma barreira contra as ondas marinhas. Esta é uma interação ecológica única no litoral do Brasil.

Os manguezais de Cubatão são uma área de extrema importância para aves aquáticas, que a utilizam para descanso das migrações, alimentação, abrigo e reprodução.
Os manguezais de Caravelas (BA) são importantes para o sustento das comunidades locais, que preservaram o modo de vida de seus ancestrais através dos séculos.

A Reserva Extrativista de Cassurubá (Caravelas, BA), em processo de criação, é o sistema de maior biodiversidade do Atlântico Sul.
Reserva Biológica e Arqueológica de Guaratiba (Baía de Sepetiba, RJ), caracterizada pela diversidade de animais e sambaquis.
 
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