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 NOTÍCIAS :: BOTÂNICA

Proteína casca grossa
Descobertos compostos tóxicos que protegem a semente da soja contra o ataque de predadores


Grãos de feijão atacados por carunchos, insetos que chegam a destruir 70% das lavouras de feijão-de-corda (foto: Unifeijão). 

Uma nova estratégia de defesa das plantas contra o ataque de predadores acaba de ser demonstrada em um estudo feito na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Pesquisadores verificaram que a casca (tegumento) das sementes de soja contém proteínas capazes de matar insetos e fungos, evitando que atinjam seu conteúdo e as destruam. Antes disso, pensava-se que a casca dessas sementes se limitava a impor uma barreira física contra a entrada de microrganismos. A longo prazo, o estudo pretende viabilizar a criação de sementes mais resistentes a pragas.

O projeto deriva de um outro estudo, realizado no início da década de 1990 na Universidade Federal do Ceará (UFC). Na ocasião, pesquisadores comprovaram que no cotilédone – órgão interno da semente, responsável por sua nutrição e sobrevivência – de determinados grãos havia proteínas tóxicas a insetos e fungos.

“Em laboratório, observamos que alguns insetos morriam antes mesmo de chegar ao interior da semente”, conta a bióloga Antônia Elenir Amâncio Oliveira, orientadora do estudo realizado pela aluna de mestrado Patrícia de Oliveira Santos. “Foi então que decidimos estudar mais detalhadamente a composição bioquímica do tegumento das sementes”.

Prejuízos

Patrícia de Oliveira Santos, autora do estudo, isola as proteínas tóxicas a insetos e fungos em laboratório da Uenf (foto: Márcio Teixeira Pinto). 

Enquanto o feijão-de-corda, muito comum no Nordeste, tem cerca de 70% de sua produção perdida por causa de carunchos (inseto), os grãos da soja não sofrem com esse prejuízo. “Ao compararmos o tegumento dessas duas sementes, encontramos no da soja proteínas como a peroxidase e fosfatase – que não estavam presentes no do feijão-de-corda”, conta Antônia Elenir. “Mais tarde, em exames laboratoriais, esses compostos mataram os fungos e insetos com os quais entraram em contato.”

O estudo já foi submetido para publicação em uma revista especializada. “Estamos ampliando as pesquisas para sementes como a do feijão comum”, conta a coordenadora. Os próximos passos incluem o seqüenciamento das proteínas tóxicas aos insetos e dos genes responsáveis por sua produção, a fim de saber mais sobre a importância dessa substância para vida da semente, em sua fotossíntese e desenvolvimento.

A longo prazo, o objetivo é a criação de plantas geneticamente modificadas cujas sementes sejam mais resistentes a pragas. Tal avanço aumentaria a produtividade agrícola dispensando uso de inseticidas químicos, com os quais as sementes são comumente tratadas.



Rosa Maria Mattos
Ciência Hoje On-line
08/05/2006

 

 
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