Neste momento, 794 espécies animais e vegetais estão em risco iminente de extinção em 595 áreas espalhadas pelo mundo. Isso é o que aponta o levantamento feito por um grupo internacional de pesquisadores com base em dados da versão de 2004 da
Lista Vermelha de espécies ameaçadas. O estudo, publicado esta semana na revista
PNAS, revela que o Brasil possui 50 dessas espécies.
Os cientistas, de 52 organizações integrantes da Aliança pela Extinção Zero (AZE, em inglês), contabilizaram locais que possuíam ao menos uma espécie em risco iminente de extinção. O levantamento incluiu mamíferos, aves, anfíbios, um seleto grupo de répteis e árvores coníferas. Cada sítio deveria conter pelo menos 95% dos indivíduos de cada espécie em extinção e ter fronteiras bem definidas, apesar de não haver limitações para sua extensão.
Somente no Brasil foram contabilizados 39 sítios com tais características. A maior parte desses locais se concentra no pouco que restou da mata atlântica, na costa leste do país. Por outro lado, na região amazônica, apenas dois sítios foram catalogados, em Rondônia e Roraima.
O Brasil está em terceiro lugar na lista dos países com maior numero de áreas identificadas, atrás apenas de México, com 84, e Colômbia, com 67. Os cientistas verificaram que apenas um terço dos sítios catalogados é totalmente protegido por lei e a maioria fica nas redondezas de regiões de grande densidade demográfica.
A pesquisa revelou também uma mudança geográfica no mapa da extinção. Enquanto 80% das extinções desde 1500 ocorreram em ilhas, aparentemente mais vulneráveis devido a seu isolamento, apenas 39% das espécies catalogadas pelo estudo habitam esses locais.
O número de animais e árvores presentes na lista supera em mais de três vezes as 245 espécies extintas desde 1500. Os anfíbios lideram a lista dos grupos com o maior número de espécies em risco. Somente na Serra dos Órgãos, no estado do Rio, há quatro sapos no catálogo da AZE.
Apesar dos dados alarmantes, os pesquisadores afirmam que as informações obtidas podem ajudar a combater a extinção dessas espécies, pois agora se sabe quais os locais onde devem se concentrar as ações de preservação.