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Aquarela dos bichos
Exposição de ilustração em zoologia reúne registros de animais desde a pré-história até hoje


Uma aula de história, ciência e, acima de tudo, arte. Essa é a proposta da nova exposição do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), que estreou no dia 13 de dezembro. Ilustração em Zoologia: da paisagem ao microscópico reúne cenários, pinturas, desenhos, gravuras, mosaicos, textos e objetos diversos da pré-história aos dias de hoje, passando pela Antigüidade, Idade Média e Renascimento.
 
A mostra inédita está organizada em ordem cronológica e, já na entrada, o visitante terá a oportunidade de conhecer reproduções feitas pelo artista Paulo Von Poser de pinturas rupestres da caverna de Lascaux, França. Na área reservada para a Antigüidade, a exposição destaca o curioso trabalho realizado pelos gregos, que retratavam os animais em sistema de mosaicos.
 
“Naquela época, os pesquisadores desenhavam o contorno dos animais com pedrinhas e sua classificação era feita com base no número de pedrinhas usadas”, afirma Elisabeth Zolcsak, diretora de difusão cultural do Museu. “Para demonstrar essa técnica, fizemos a reprodução de um lagarto com o sistema de mosaico. Além disso, o público poderá criar uma ilustração com pedrinhas.”
 
Mais adiante, o espectador conhecerá uma Idade Média marcada pela caça de animais – atividade nobre que ganhava destaque nas paredes dos castelos em forma de aquarelas. Já no Renascimento, representações precisas prevalecem entre os naturalistas que descobriram a diversidade da fauna e flora do Novo Mundo – com destaque para o Brasil. É grande o número de registro zoológico dessa época, feito ao longo de muitas expedições.
 
Entre os trabalhos contemporâneos, a mostra destaca obras realizadas tanto por cientistas que se tornaram ilustradores quanto artistas que se especializaram em zoologia – como Ana Aly, que representou peixes da região do Sudeste do Brasil em clichês (chapas metálicas usadas para impressão de imagens e textos em prensa tipográfica). Entre os cientistas-artistas, a bióloga Gláucia Marconato apresenta o desenho que fez de uma vespa, ao lado de uma foto tirada do mesmo animal.
 
Muitas obras expostas nasceram de parcerias entre cientistas e artistas. É o caso dos irmãos Patrícia e Áquila Romano da Silva: em sua tese de doutorado, a bióloga contou com a participação do irmão artista plástico que ilustrou seu objeto de estudo – a formiga. “É comum essa parceria em trabalhos de zoologia, porque são poucos os pesquisadores que têm talento para ilustração”, diz Zolcsak.
 
A mostra apresenta uma grande diversidade de técnicas utilizadas para ilustração de animais. Uma delas é a câmara-clara, cujo princípio é um jogo de espelho: “com ela, o pesquisador enxerga sua mão no papel no momento em que copia o inseto, uma maneira mais fácil para quem não tem a mesma habilidade que um desenhista”, explica Zolcsak. “Mas a técnica mais comum ainda é o desenho a traço. Para muitos cientistas, o desenho é mais valioso de informação que a própria fotografia, porque pode destacar uma estrutura específica do animal.”
 
Embora as obras originais não façam parte da exposição, por motivos de cuidados especiais, Zolcsak diz que essas podem ser conferidas na biblioteca do próprio Museu de Zoologia da USP. Vale a pena conhecer de perto raridades de ilustrações feitas por cientistas-artistas ou vice-versa. A mostra Ilustração em zoologia: da paisagem ao microscópico tem como curador o biólogo Nelson Papavero e o roteiro expositivo assinado pelo museólogo Maurício Cândido.

Ilustração em zoologia: da paisagem ao microscópico
De terça a domingo, das 10h às 17h – até 2 de julho de 2006
Ingresso: R$ 2,00. Grátis para escolas públicas, menores de
6 anos e acima de 60 (estudantes pagam meia-entrada).
Galeria de Exposições Temporárias – Museu de Zoologia da USP
Av. Nazaré, 481 – Ipiranga – São Paulo/SP
tel (11) 6165 8100 – www.mz.usp.br
Visitas escolares: (11) 6165-8140








 
 

Mário Cesar Filho

Ciência Hoje On-line
28/12/2005

Clique para ampliar as imagens das obras expostas

 

Reprodução feita pelo artista Paulo Von Poser de pinturas rupestres da caverna de Lascaux, na França, que abriga algumas das mais antigas representações de animais feitas pelo homem, há cerca de 17 mil anos.

 

Mosaico de lagarto feito pela artista plástica Luana Maria Lima com a técnica usada pelos gregos na Antigüidade para representar e classificar os animais.

 

Tucano representado pelo cartógrafo francês André Thevet (1502-1590), com a xilogravura – técnica para produzir gravuras em relevo sobre madeira. Thevet veio ao Brasil entre 1555 e 1556, por ordem do rei Henrique II, para estabelecer a França Antártica.

 

Litografia de um ajurucurau ou papagaio-verdadeiro feita pelo naturalista francês François Levaillant (1753-1824). Em suas viagens, Levaillant fez registros de pássaros raros dos continentes africano e americano no século 18.

 

Formiga operária da espécie Blepharidatta conops desenhada em 2003 por Augusto Áquila Romano da Silva, para ilustrar a tese de doutorado de Patrícia Romano da Silva.

 

 
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