Se a clonagem da ovelha Dolly em 1997 surpreendeu a população mundial e atiçou o imaginário popular, a promessa do médico italiano Severino Antinori de clonar seres humanos a partir de novembro não fez por menos: provocou enorme rebuliço, arrancando todo tipo de reação de instituições religiosas, do meio acadêmico e do público geral. Aqui no Brasil, até a atual telenovela do horário e da rede de maior audiência buscou inspiração no polêmico tema da clonagem.
Com o objetivo de estimular o debate entre seus leitores e na sociedade, Ciência Hoje convidou especialistas de diferentes áreas -- genética, filosofia, antropologia e bioética -- para abordar a questão. O que podemos aprender com a leitura desta série de artigos é que, além de ainda não estarmos tecnicamente preparados para clonar humanos (a eficiência do processo gira em torno de 1%), é urgente estabelecer limites éticos, definidos pelos representantes dos diversos grupos sociais, antes de permitir o avanço das pesquisas nessa direção. Antes ainda, é preciso encontrar argumentos convincentes para a pergunta ’para que clonar seres humanos?’, já que nem tudo que ’pode’ ser feito ’deve’ ser feito.