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[1] O CLA, uma molécula de 18 carbonos, apresenta duas ligações duplas ou insaturadas em sua composição. O leite dietético produzido na Esalq tem uma concentração alta de duas formas dessa molécula com estruturas geométricas diferentes: a c9,t11 e a t10,c12. As abreviações referem-se à forma como os átomos são dispostos na cadeia que forma a molécula. O ’c’, de cis, indica que a ligação dupla do carbono na posição 9 está no mesmo plano da molécula. Já o ’t’, de trans, significa que a ligação dupla do carbono 11 está em outro plano, como se a molécula sofresse uma rotação em torno de seu eixo.

 
 NOTÍCIAS :: ZOOLOGIA

Vacas produzem leite dietético
Alimento com menos gordura e mais proteínas pode combater câncer

Um leite com baixo teor de gordura e propriedades anticancerígenas está sendo desenvolvido por Dante Pazzanese Lanna, professor de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba (SP). Além de 30% a menos de gordura, o leite tem um teor 200% a 300% maior que o normal de ácido linoléico conjugado (CLA) na forma c9,t11[1] . O CLA é um tipo de lipídio encontrado normalmente no estômago dos ruminantes. Segundo apontam alguns estudos anteriores, a forma c9,t11 confere-lhe grande poder anticancerígeno - principalmente contra tumores de mama. O leite desenvolvido na Esalq é caracterizado ainda pelo alto teor de uma outra forma do CLA - a t10,c12, responsável pela inibição da expressão dos genes que comandam a síntese de gordura na glândula mamária das vacas.

Vacas passaram a produzir um volume de leite 10% maior

Para que as vacas passassem a produzir o novo leite, o pesquisador deu-lhes uma ração especialmente preparada - com alto teor de CLA e sais de cálcio. Além das mudanças na composição do leite, o pesquisador constatou, após dois meses de experimentos, que os animais passaram a produzir maior quantidade do alimento. Segundo Lanna, foi obtido um aumento médio de 10% no teor de proteína e no volume do leite produzido.

Além de água, o leite é composto de frutose, proteínas e gordura; a queda do nível desta última implica um aumento no teor dos outros dois componentes. A menor quantidade de gordura no leite faz também com que as vacas precisem de menos energia para produzi-lo. Além disso, elas levam menos tempo para voltar ao cio após o parto e para ficar prenhes novamente. "Em tempos de seca, em que há pouca comida disponível, esse composto pode ser muito útil, por adequar as exigências de nutrientes do animal à disponibilidade de alimentos", explica Lanna.

Dois fatores animam o pesquisador: os resultados obtidos, idênticos mesmo quando experimentados em animais de diferentes raças no pasto e em confinamento, e a boa resposta do gado ao tratamento. "Nenhuma vaca sofreu qualquer tipo de problema sanitário ou metabólico, mesmo com a alteração provocada na composição do leite." Lanna acredita que o CLA possa ser usado como suplemento alimentar em larga escala, tanto por fábricas de ração quanto pelos próprios criadores. Por isso, já pediu a patente do produto que, segundo ele, tem efeito sem precedentes no teor de proteínas no leite.

Leonardo Cosendey
Ciência Hoje On-line
30/08/00  

 
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