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[1] Quando um rio surge, sua nascente é considerada de primeiro grau; ao unir-se com outro idêntico, o riachinho resultante é de segundo grau; caso este se junte com outro de grau igual ou inferior, o curso d’água resultante torna-se então de terceiro grau, e assim sucessivamente.

 
 NOTÍCIAS :: ZOOLOGIA

Em busca dos peixes paulistas
Pesquisadores identificam dez novas espécies em riachos do Alto Paraná

O Brasil acaba de catalogar dez novas espécies de peixes. A descoberta aconteceu durante pesquisa coordenada pelo zoólogo Ricardo Macedo Correa e Castro, da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto. O trabalho faz parte de um amplo projeto que visa mapear toda a biodiversidade do estado de São Paulo - Castro é responsável pela investigação envolvendo vertebrados - peixes em especial.

O lambari acima (Planaltina sp. n.) é uma das espécies recém-descobertas (fotos: Ricardo M.C. Castro)


Dedicando-se ao projeto desde dezembro de 1998, Castro preferiu concentrar seus estudos em riachos e cabeceiras do Alto Paraná. "Além de termos poucas informações sobre esses locais, eles têm uma diversidade de espécies muito maior do que a dos rios profundos". A pesquisa do zoólogo concentra-se em cursos d’água de no máximo quarto grau[1].

Os peixes pesquisados por Castro não ultrapassam 15 centímetros, vivem na Mata Atlântica em cursos d’água de fundo rochoso e profundidade máxima de um metro. Os pequenos leitos também são protegidos por uma extensa cobertura vegetal preservada e não sofrem agressão ambiental. "Esses peixinhos não têm a mesma resistência dos surubins, dourados ou pintados que encontramos nos grandes rios. São frágeis e qualquer alteração no meio ambiente os faz desaparecer", completa o cientista, alertando para o fato de São Paulo ter menos de 9% de sua floresta atlântica ainda preservada.

Esq.: Córrego das Águas das Antas, um dos cursos d’água pesquisados
(foto: Alexandre C. Ribeiro); dir.: Astyanax sp. n., outra nova espécie


Após dois anos de trabalho, Castro e sua equipe conseguiram recolher 8170 exemplares de peixes de 58 espécies, dez das quais jamais haviam sido registradas. Para alcançar esses resultados, o pesquisador precisou viajar para locais isolados e de difícil acesso. Depois que encontrava um riacho ideal, o processo se dava da seguinte maneira: 100 metros de leito eram isolados e por três vezes passava-se um puça (pequena rede cônica) com eletrodos. A carga elétrica atordoava os peixes fazendo com que saíssem de seus esconderijos. A equipe varria então a área mais duas vezes com uma rede de arrasto fina e manual e passava por fim duas peneiras no local para se certificar de que nenhum peixe escapara do processo. "Os exemplares são fotografados, alguns foram utilizados para coleta de DNA e RNA e outros preservados em formol e trazidos para laboratório."

Ricardo Castro faz questão de salientar a importância de se conhecer a fauna e a flora de São Paulo, destacando que, a partir das informações coletadas, será possível diagnosticar os problemas mais sérios que afetam o meio ambiente e promover medidas para o desenvolvimento sustentável do estado. "Dessa forma, não só preservaríamos o equilíbrio natural da região, como também conservaríamos um enorme banco genético que pode ter grande importância no futuro."

Pablo Pires Ferreira
Ciência Hoje On-line
30/11/00

 
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