Novos elementos sobre a forma como se alimentam e locomovem os tubarões foram identificados por uma pesquisadora da Universidade de Rhode Island, nos Estados Unidos. Cheryl Wilga, professora de biologia especializada em morfologia funcional, estudou em seu pós-doutorado a maneira como uma pequena espécie desse peixe - o tubarão-bambu - usa sua mandíbula superior ao comer.
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A pesquisadora Cheryl Wilga e um espécime do tubarão-bambu | | |
A pesquisadora filmou os tubarões enquanto se alimentavam em seu laboratório, e analisou em seguida quadro-a-quadro o filme de 500 imagens por segundo. Ela mediu o ângulo das barbatanas dos peixes, o arco de abertura da boca e o tempo gasto para capturar a presa. Ela monitorou também com pequenos eletrodos 12 músculos dos tubarões para determinar quais eram usados na alimentação.
Após analisar os resultados, Cheryl Wilga pôde descrever em detalhes a forma como o tubarão procede ao comer. Segundo ela, ele ergue sua cabeça, abaixa a mandíbula inferior e projeta a superior para fora ao morder a presa. Em seguida, a mandíbula superior retrai-se sob a cabeça (ao contrário do que ocorre em humanos, a mandíbula superior dos tubarões não fica presa ao seu crânio).
A pesquisadora analisou também a forma como os tubarões nadam e concluiu que, ao contrário do que se acreditava até aqui, não são suas nadadeiras peitorais que lhe conferem força de sustentação (à semelhança das asas de um avião no ar). Essa força é fornecida pelo corpo e cauda do tubarão. Para chegar à conclusão, Wilga partiu de conceitos da dinâmica de fluidos, observou a água que se movia em torno do peixe e mediu as forças que ele exercia sobre ela. Segundo a cientista, as nadadeiras funcionam como uma espécie de ’leme’ para o tubarão.
Tubarões são predadores que existem há pelo menos 300 milhões de anos. Conhecem-se mais de 350 espécies desse peixe, que pode atingir velocidades da ordem de 90 km/h. Wilga afirma pesquisar esses animais por eles terem desenvolvido vários mecanismos para se alimentar e locomover que foram pouco estudados - em grande parte devido à dificuldade de se trabalhar com grandes predadores.
Os tubarões não têm ossos e são compostos de cartilagem. Eles não respiram da mesma forma que os peixes com ossos, pois suas guelras apresentam estrutura diferente. Além disso, ao contrário dos peixes com ossos, eles não têm uma estrutura chamada vesícula natatória e, por isso, precisam se mover o tempo todo para não afundar.
Os tubarões podem se alimentar de peixes, caranguejos e até outros tubarões. Além de seus semelhantes, os maiores predadores dos tubarões são os humanos: muitas espécies correm risco de extinção devido à pesca excessiva. Os tubarões demoram a se reproduzir: um filhote demora de 10 a 20 anos para amadurecer.