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 NOTÍCIAS :: ZOOLOGIA

Som de baleia registrado na Austrália
Ouça gravação de impressionantes ruídos emitidos pelas minke anãs

Sons impressionantes emitidos por baleias minke anãs foram registrados por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz (EUA). As gravações, feitas por Daniel Costa, professor de Ecologia e Evolução, e Jason Gedamke, doutorando da universidade, mostram seqüências sonoras mais complexas que qualquer outro ruído de baleia já gravado.

Baleias minke anãs chegam a 8 metros de comprimento e são comuns entre junho e novembro nas costas brasileira e australiana (imagens: Jason Gedamke)

As minke anãs (Balaenoptera acutorostrata) são pequenas se comparadas a outras baleias: chegam a oito metros de compStar Wars rimento (as minke antárticas, por exemplo, têm até onze metros). Podem ser identificadas por manchas na nadadeira peitoral e nas laterais. Elas se alimentam de peixes, e não de plânctons. "As minke anãs são comuns entre junho e novembro nas costas brasileira e australiana, onde vêm se acasalar", diz Salvatore Siciliano, doutorando em zoologia pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nos outros meses do ano, migram para a região antártica.

Gedamke e Costa registraram sons emitidos por essas baleias na grande barreira de corais no litoral da Austrália. O estudo tinha tudo para não dar em nada: especialistas eram taxativos ao afirmar que as minke anãs raramente emitiam sons. Contudo, os resultados mostraram o contrário. Os pesquisadores encontraram uma imensa quantidade de espécimes e constataram que essas baleias emitiam sons que surpreenderam por sua sofisticação: o ruído das minke anãs lembra o tiro de uma pistola de raio laser saído da ficção científica. Por isso, foi apelidado por Gedamke de Star Wars (’Guerra nas Estrelas’). Segundo o pesquisador, o som dessas baleias ainda era desconhecido porque elas nunca haviam sido estudadas durante seu período reprodutivo.

Minke anãs se caracterizam por manchas na nadadeira peitoral e nas laterais

As minke anãs circulavam o barco dos cientistas, muitas vezes em grande número. "Tivemos mais de vinte baleias em volta do barco, por até onze horas", disse Gedamke à CH on-line. Para gravar e estudar os sons que elas emitiam, os pesquisadores utilizaram microfones suspensos na água. Os aparelhos eram marcados com bóias coloridas, para que se pudesse determinar o local de onde a baleia emitia os ruídos. Além disso, foram feitas filmagens embaixo d’água, para posterior comparação com os sons gravados.

Encontrar as minke anãs sempre foi tarefa difícil: elas quase não aparecem quando sobem à superfície para respirar. Entre 1997 e 1999, em 49 encontros, Gedamke gravou 92 horas de sons dessas baleias. "Quando se ouve aquele som já se sabe que é de uma minke anã, então podemos estudar sua distribuição, rastrear seus movimentos e analisar como os sons ajudam na interação desses cetáceos." Ainda é cedo para definir a função do som "Guerra nas Estrelas". Gedamke acha que ele pode desempenhar um papel importante no acasalamento, assim como os ruídos usados pelos machos para atrair as fêmeas entre as baleias jubarte.

Os sons das minke anãs gravados por Costa e Gedamke já haviam sido registrados na Austrália nos últimos 15 anos, mas não haviam sido atribuídos a baleias. Por soar inusitadamente sintética, uma das seqüências foi batizada de Star wars. Clique abaixo e ouça duas amostras:

Seqüência 1 (Star wars) (145 KB)
Seqüência 2 (70 KB)

Arquivos cedidos por Jason Gedamke

Tiago Lethbridge
Ciência Hoje On-line
03/07/01  

 
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