SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 
 
 NOTÍCIAS :: ZOOLOGIA

Novas espécies de caramujos identificadas 
Pesquisa confirma grande biodiversidade nas águas profundas do Atlântico

PopulaçõesApós quatro anos de estudos no litoral sudeste do Brasil, entre Cabo Frio (RJ) e o Cabo de Santa Marta Grande (SC), pesquisadores do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) coletaram e reconheceram 266 espécies de gastrópodes prosobânquios (caramujos), a maior parte delas de dimensões milimétricas e quase invisíveis a olho nu. Destas, cerca de 55% ainda não foram identificadas; a maioria talvez seja inédita. À frente da pesquisa está a bióloga Cíntia Miyaji, que usou os dados obtidos em sua tese de doutorado.

Algumas das espécies de caramujos coletadas na expedição (imagens:
Laboratório de Microscopia Eletrônica / Instituto de Física / USP)


Os pesquisadores realizaram a coleta em 86 estações no Oceano Atlântico, em profundidades que variaram entre 50 e 980 metros. Para isso, foram necessários dois meses a bordo do navio oceanográfico Professor Wladimir Besnard, da USP -- a principal embarcação de pesquisa do Instituto Oceanográfico, capaz de fazer longas expedições em alto-mar.

Além de identificar novas espécies, a pesquisa também permitiu conhecer a função que elas desempenham no ecossistema, ao analisar as características ambientais das localidades onde foram encontradas, como profundidade e tipo de sedimento do fundo do oceano. "O estudo é importante por nos fornecer subsídios para o conhecimento da biodiversidade marinha", avalia a oceanógrafa. A separação e classificação das espécies são realizadas em laboratórios do Instituto Oceanográfico e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também envolvida no projeto.

De acordo com a oceanógrafa, são altas as chances de se encontrarem novas espécies em grandes profundidades, pois pesquisas desse tipo são raras. "Há uma grande diversidade de espécies no fundo dos oceanos", conta Cíntia. "O material que encontramos é inédito porque a região não havia sido explorada sistematicamente."

A pesquisa de Cíntia integra um projeto mais amplo que tem por objetivo fazer um inventário dos recursos naturais renováveis da costa brasileira e determinar seus potenciais sustentáveis de explotação. Para isso, conta com a participação de pesquisadores de todo o Brasil. Os próximos passos são identificar as espécies, descrever as inéditas e verificar sua ocorrência em outras regiões brasileiras.

A coleta das novas espécies foi feita entre dezembro de 1997 e fevereiro de 98, pouco antes de o navio oceanográfico Professor W. Besnard interromper suas atividades para reformas que incluíram a troca do motor e a instalação de novos equipamentos. Após cerca de dois anos parada, a embarcação voltou à ativa em fevereiro de 2001.

Andrea Guedes
Ciência Hoje On-line
09/08/01

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO