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 NOTÍCIAS :: ZOOLOGIA

Mosquito se guia pelo cheiro para picar pessoas
Pesquisadores isolam genes do sistema olfativo do inseto transmissor da malária

Foi identificado o mecanismo de funcionamento em nível molecular do sistema olfativo dos mosquitos transmissores da malária (Anopheles gambiae). Já se sabia que esses insetos se orientam pelo cheiro para encontrar a fonte de sangue do qual se alimentam. Recentemente, cientistas da Universidade Vanderbilt (EUA) isolaram quatro genes do mosquito responsáveis pela percepção de odores. Publicado em 27 de novembro na versão on-line da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, o trabalho pode ajudar a desenvolver métodos para combater esses insetos.

Anopheles gambiae, mosquito transmissor da malária

Os cientistas mapearam 6% do genoma do A. gambiae e verificaram a existência de seqüências similares à dos genes receptores de cheiro encontrados na mosca-das-frutas (Drosophila melanogaster), que serve como modelo para o estudo genético de insetos. Segundo o biólogo Laurence Zwiebel, que coordenou o estudo em Vanderbilt, os genes identificados comandam a produção de quatro proteínas, chamadas receptoras de odores, que são parte essencial do sistema olfativo dos mosquitos. Essas proteínas circulam pelos neurônios olfativos e, quando em contato com químicos específicos na forma de odores, desencadeiam a descarga eletroquímica responsável pela sensação de cheiro.

Zwiebel explica que os genes encontrados só estão expressos nas antenas e palpos maxilares dos mosquitos -- órgãos de insetos com funções sensoriais similares às dos narizes humanos. "Apesar da imensa distância evolutiva entre o homem e os mosquitos, ambos são equipados com basicamente o mesmo sistema químico-sensorial em nível molecular", diz o biólogo, que acredita poder aplicar a descoberta a humanos.

Os pesquisadores também mostraram que um dos genes estudados pode estar associado ao modelo alimentar das fêmeas do A. gambiae. Nos mosquitos, somente a fêmea pica as pessoas e transmite doenças -- elas precisam de sangue para se reproduzir. Estudos anteriores mostraram que, cerca de 72 horas após se alimentarem, as fêmeas não conseguem sentir odores humanos tão bem quanto de costume. Curiosamente, o receptor de odores identificado pelo grupo de Vanderbilt, expresso somente nas fêmeas, exibiu variação de níveis durante o período após a alimentação.

A descoberta pode levar à criação de métodos para impedir as picadas de mosquitos que sejam menos tóxicos que os inseticidas e repelentes usados atualmente. "Pode-se desenvolver um composto para reduzir as respostas de mosquitos a odores humanos, ou um poderoso atrativo de mosquitos colocado em um contêiner infestado de inseticida", diz o biólogo. A Universidade de Vanderbilt já entrou com pedido de patente para os novos genes descobertos.

Sarita Coelho
Ciência Hoje On-line
30/11/01  

 
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