A Expedição Colibris, realizada em março, localizou e estudou beija-flores típicos do Brasil. A equipe responsável pelo trabalho registrou imagens inéditas e sons dessas aves fundamentais para a manutenção dos ecossistemas. Um dos objetivos do grupo era reunir dados que possam ajudar a preservar os colibris (como também são chamados esses pássaros), pois muitos correm hoje risco de extinção. Os pesquisadores pretendiam também documentar algumas espécies ainda desconhecidas de beija-flores.
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A Expedição Colibris filmou espécies de beija-flor nunca antes registradas, como a Augastes lumachellus | | |
Na primeira etapa da expedição, especialistas percorreram trechos da floresta da Estação Biologia Marinha Ruschi, no Espírito Santo. "Conseguimos imagens inéditas do ninho da rara espécie de beija-flor Phaethornis idaliae", conta o ecólogo André Ruschi, diretor da Estação e um dos coordenadores da pesquisa. O P. idaliae está ameaçado de extinção, o que pode ter conseqüências graves para todo seu ecossistema. Essa ave é a principal responsável pela polinização de bromélias terrestres, que correspondem ao hábitat do caranguejo azul. "Se o beija-flor desaparecer, a reprodução das bromélias ficará prejudicada e o caranguejo, sem proteção, virará uma presa fácil e poderá ser extinto", explica Ruschi.
Em seguida, a equipe viajou pela Chapada Diamantina, na Bahia. "Colibris nunca antes filmados na natureza, como o Augastes lumachellus (beija-flor-de-gravata-roxa) e o Heliactin cornuta (chifrinho-de-ouro), foram registrados por nossa equipe", comemora Ruschi. "O H. cornuta é a espécie mais rápida de beija-flor: ele chega a atingir 60 quilômetros por hora."
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O Heliactin cornuta, o mais rápido dos beija-flores, pode voar a 60 km/h | | |
Sons e imagens foram registrados com equipamentos modernos, capazes de gravar o canto dos beija-flores com o máximo de fidelidade e filmar as aves bem de perto. O registro dos sons foi feito pelo ornitólogo Jacques Vielliard, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Já as filmagens ficaram sob responsabilidade dos franceses Gregory e Ariane Guida. Participaram ainda da Expedição Colibris a neurocientista Maria Luisa da Silva, da Universidade de São Paulo, e os franceses Lily e Henry Quinque, especialistas em reprodução de animais em extinção.
"Na Chapada Diamantina, uma de nossas intenções era localizar o Colibri delphinae greenewalti -- que não é registrado há 25 anos --, mas não o encontramos desta vez", lamenta Ruschi. Os pesquisadores querem realizar outras expedições. "Pretendemos identificar as espécies mais ameaçadas e tomar medidas adequadas para protegê-las, como parcerias com órgãos públicos, incentivos à criação de reservas ambientais, cursos e arrecadação de fundos para pesquisas."
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Canto dos beija-flores
Gravar os rápidos e agudos sons de beija-flores na natureza é um grande desafio. "Qualquer barulho externo interfere negativamente no trabalho", afirma o especialista em bioacústica Jacques Vielliard. "É preciso localizar os machos que estão cantando e se aproximar bem deles, pois os sons têm em geral curto alcance." Os deslocamentos rápidos e bruscos das aves também dificultam a gravação.
Algumas espécies apresentam sistemas de comunicação sonora extremamente sofisticados. "Estamos iniciando um programa de criação de colibris em viveiros para acompanhar processos biológicos e comportamentais, principalmente a aprendizagem do canto."
Ouça o canto de alguns beija-flores encontrados pelo ornitólogo Vielliard: (arquivos em formato .wav)
Augastes lumachellus (beija-flor-de-gravata-roxa - 516 KB) Colibri serrirostris (beija-flor-de-orelha-violeta - 732 KB) Heliactin cornuta (chifrinho-de-ouro - 152 KB)
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